Ex-embaixador defende reação comedida do Brasil após decisão dos EUA sobre PCC e CV

O governo dos Estados Unidos passarão a classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) a partir do dia 5 de junho como organizações terroristas. Governo avalia reação após EUA decidirem classificar PCC e CV como organizações terroristas Com designação de terrorismo, PCC e CV se juntam a cartéis mexicanos, Hamas, Hezbollah e mais; veja lista Em entrevista ao Jornal da CBN, Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil nos EUA e presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice), avaliou os impactos da decisão e afirmou que a medida faz parte de uma estratégia mais ampla da política externa norte-americana, com foco na América Latina. "O governo americano publicou recentemente a Lei de Segurança Nacional onde há um corolário sobre a América Latina, que passou a ser a principal prioridade da política externa dos Estados Unidos. Dentro dessa política, tem duas áreas que são prioritárias para eles: a questão da imigração e a questão do combate ao crime organizado." 'Brasil precisa reagir como o México' O embaixador afirmou que o governo brasileiro já tinha começado a tomar medidas de enfrentamento ao crime organizado. Segundo ele, o Brasil não deve aceitar a forma como as organizações foram enquadradas e defendeu que a estratégia brasileira siga o exemplo do México, que mantém diálogo com os EUA. "É uma organização criminosa, não é uma organização terrorista. Mas isso é um detalhe que não entra na discussão. O Brasil teria que reagir, na minha opinião, como reagiu o México. O México é o país da região que tem a maior presença de crime organizado na sua economia, na política, em todos os lugares. O que aconteceu? Reagiu comedidamente e está conversando com os Estados Unidos." Não há risco de intervenção externa, pontua ex-embaixador Sobre possíveis desdobramentos, Rubens Barbosa avaliou que não há risco de intervenção militar, afirmando que esse cenário não encontra respaldo na legislação americana. "Se for comprovado o apoio de empresas ou de grupos a essas organizações criminosas, vai haver medidas no território americano, na jurisdição territorial americana, que podem afetar empresas brasileiras. Mas nada está previsto nessa legislação americana de intervenção externa em outros países, inclusive no Brasil." O embaixador afirmou ainda, em editorial publicado em seu portal, que já vinha acompanhando os avanços da política de segurança dos EUA na América Latina e que a decisão de classificar organizações criminosas como terroristas não é uma surpresa.

Ex-embaixador defende reação comedida do Brasil após decisão dos EUA sobre PCC e CV

O governo dos Estados Unidos passarão a classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) a partir do dia 5 de junho como organizações terroristas. Governo avalia reação após EUA decidirem classificar PCC e CV como organizações terroristas Com designação de terrorismo, PCC e CV se juntam a cartéis mexicanos, Hamas, Hezbollah e mais; veja lista Em entrevista ao Jornal da CBN, Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil nos EUA e presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice), avaliou os impactos da decisão e afirmou que a medida faz parte de uma estratégia mais ampla da política externa norte-americana, com foco na América Latina. "O governo americano publicou recentemente a Lei de Segurança Nacional onde há um corolário sobre a América Latina, que passou a ser a principal prioridade da política externa dos Estados Unidos. Dentro dessa política, tem duas áreas que são prioritárias para eles: a questão da imigração e a questão do combate ao crime organizado." 'Brasil precisa reagir como o México' O embaixador afirmou que o governo brasileiro já tinha começado a tomar medidas de enfrentamento ao crime organizado. Segundo ele, o Brasil não deve aceitar a forma como as organizações foram enquadradas e defendeu que a estratégia brasileira siga o exemplo do México, que mantém diálogo com os EUA. "É uma organização criminosa, não é uma organização terrorista. Mas isso é um detalhe que não entra na discussão. O Brasil teria que reagir, na minha opinião, como reagiu o México. O México é o país da região que tem a maior presença de crime organizado na sua economia, na política, em todos os lugares. O que aconteceu? Reagiu comedidamente e está conversando com os Estados Unidos." Não há risco de intervenção externa, pontua ex-embaixador Sobre possíveis desdobramentos, Rubens Barbosa avaliou que não há risco de intervenção militar, afirmando que esse cenário não encontra respaldo na legislação americana. "Se for comprovado o apoio de empresas ou de grupos a essas organizações criminosas, vai haver medidas no território americano, na jurisdição territorial americana, que podem afetar empresas brasileiras. Mas nada está previsto nessa legislação americana de intervenção externa em outros países, inclusive no Brasil." O embaixador afirmou ainda, em editorial publicado em seu portal, que já vinha acompanhando os avanços da política de segurança dos EUA na América Latina e que a decisão de classificar organizações criminosas como terroristas não é uma surpresa.