O que os movimentos na Bolívia, Colômbia e Peru dizem sobre o atual momento político na América do Sul?
A América Latina passa ebulição no âmbito político. Na Bolívia, uma grave crise econômica, com escassez de combustível, inflação e desemprego, transformou reivindicações trabalhistas em protestos generalizados. Na Colômbia, o governo Gustavo Petro recuou na proposta mais ambiciosa que tinha nos últimos tempos, a da Assembleia Constituinte, depois que seu candidato ficou em segundo lugar no primeiro turno das eleições presidenciais. No Peru, domingo é dia de segundo turno das eleições. O professor de Relações Internacionais, Maurício Santoro, doutor em Ciência Política e colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha, em entrevista ao Jornal da CBN, faz uma análise do que está em jogo nestes três países. No caso da Bolívia, ele explica qual é o pano de fundo da crise: "A Bolívia simplesmente não tem mais dinheiro para importar gêneros básicos para o país, gasolina, remédios, alimentos, isso gerou uma crise econômica e social muito forte, e que está sendo agora capitaneada, sobretudo, pelo ex-presidente Evo Morales. O Morales está foragido da justiça boliviana. (...) ele teve uma derrota eleitoral muito forte nas últimas eleições, ele e seus aliados, mas ele continua com uma capacidade muito grande de mobilização social. (...) e ele está pedindo pela renúncia do presidente e a convocação de novas eleições. Esse é o tamanho dessa crise boliviana, desse impasse político que o país está vivendo". Na Colômbia, o governo retirou a proposta de convocar uma Assembleia Constituinte após o resultado do primeiro turno presidencial. A Assembleia Constituinte era uma bandeira central do presidente da Colômbia, Gustavo Petro. O especialista explica o que esse recuo simboliza: "Era uma bandeira tanto do presidente Petro quanto do senador Iván Cepeda, que é o seu candidato a presidente. (...) O presidente Petro acreditava, como a maioria das pesquisas indicavam, que o seu candidato seria o vencedor no primeiro turno. E não foi isso que aconteceu, a gente teve ali um crescimento muito grande de um setor mais populista, mais radical da direita colombiana, a vitória da Espriella, tem um segundo turno agora no fim de junho, e possivelmente a esquerda vai perder o governo da Colômbia". No caso do Peru, o segundo turno vai ser realizado, no próximo domingo (7), entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez. O professor Maurício Santoro destaca que será uma eleição difícil: "Então é uma eleição difícil para muitos peruanos e que representa também essa dificuldade do país em sair desse ciclo. O presidente que eles vão eleger no domingo vai ser o nono presidente em dez anos, você não tem paralelo com isso em nenhum outro país" O especialista faz uma análise do cenário político e o que os movimentos que ocorrem na Bolívia, Colômbia e Peru dizem atualmente sobre o momento atual na América do Sul: "O cenário que nós estamos vivendo no pós-pandemia, de 2022 para cá, é um momento na América Latina em que praticamente todos os candidatos de oposição venceram, fossem esses candidatos de oposição de direita ou de esquerda, em grande medida porque os governos não estão conseguindo realizar as suas promessas, atender às expectativas da população. (...) esse é de maneira geral o mundo que a gente está vivendo, e também uma nova relação com os Estados Unidos, os Estados Unidos no segundo governo Trump voltaram a ter uma política muito intervencionista para a América Latina, de uma maneira como a gente não via desde os anos 80". Ouça a entrevista completa:

A América Latina passa ebulição no âmbito político. Na Bolívia, uma grave crise econômica, com escassez de combustível, inflação e desemprego, transformou reivindicações trabalhistas em protestos generalizados. Na Colômbia, o governo Gustavo Petro recuou na proposta mais ambiciosa que tinha nos últimos tempos, a da Assembleia Constituinte, depois que seu candidato ficou em segundo lugar no primeiro turno das eleições presidenciais. No Peru, domingo é dia de segundo turno das eleições. O professor de Relações Internacionais, Maurício Santoro, doutor em Ciência Política e colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha, em entrevista ao Jornal da CBN, faz uma análise do que está em jogo nestes três países. No caso da Bolívia, ele explica qual é o pano de fundo da crise: "A Bolívia simplesmente não tem mais dinheiro para importar gêneros básicos para o país, gasolina, remédios, alimentos, isso gerou uma crise econômica e social muito forte, e que está sendo agora capitaneada, sobretudo, pelo ex-presidente Evo Morales. O Morales está foragido da justiça boliviana. (...) ele teve uma derrota eleitoral muito forte nas últimas eleições, ele e seus aliados, mas ele continua com uma capacidade muito grande de mobilização social. (...) e ele está pedindo pela renúncia do presidente e a convocação de novas eleições. Esse é o tamanho dessa crise boliviana, desse impasse político que o país está vivendo". Na Colômbia, o governo retirou a proposta de convocar uma Assembleia Constituinte após o resultado do primeiro turno presidencial. A Assembleia Constituinte era uma bandeira central do presidente da Colômbia, Gustavo Petro. O especialista explica o que esse recuo simboliza: "Era uma bandeira tanto do presidente Petro quanto do senador Iván Cepeda, que é o seu candidato a presidente. (...) O presidente Petro acreditava, como a maioria das pesquisas indicavam, que o seu candidato seria o vencedor no primeiro turno. E não foi isso que aconteceu, a gente teve ali um crescimento muito grande de um setor mais populista, mais radical da direita colombiana, a vitória da Espriella, tem um segundo turno agora no fim de junho, e possivelmente a esquerda vai perder o governo da Colômbia". No caso do Peru, o segundo turno vai ser realizado, no próximo domingo (7), entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez. O professor Maurício Santoro destaca que será uma eleição difícil: "Então é uma eleição difícil para muitos peruanos e que representa também essa dificuldade do país em sair desse ciclo. O presidente que eles vão eleger no domingo vai ser o nono presidente em dez anos, você não tem paralelo com isso em nenhum outro país" O especialista faz uma análise do cenário político e o que os movimentos que ocorrem na Bolívia, Colômbia e Peru dizem atualmente sobre o momento atual na América do Sul: "O cenário que nós estamos vivendo no pós-pandemia, de 2022 para cá, é um momento na América Latina em que praticamente todos os candidatos de oposição venceram, fossem esses candidatos de oposição de direita ou de esquerda, em grande medida porque os governos não estão conseguindo realizar as suas promessas, atender às expectativas da população. (...) esse é de maneira geral o mundo que a gente está vivendo, e também uma nova relação com os Estados Unidos, os Estados Unidos no segundo governo Trump voltaram a ter uma política muito intervencionista para a América Latina, de uma maneira como a gente não via desde os anos 80". Ouça a entrevista completa:

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