Presidente ucraniano acusa Washington de restringir informações de inteligência e atrasar armas
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, se reuniu nesta terça-feira, 20, em Oslo, na Noruega, com Steve Witkoff, enviado especial do presidente americano, Donald Trump, para discutir esforços de paz. O encontro ocorre em meio ao agravamento das tensões entre Washington e Kiev, após o governo ucraniano acusar os Estados Unidos de restringir o apoio militar e de inteligência necessário para enfrentar os ataques russos. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, rejeitou as acusações e as classificou como escandalosas.
As conversas foram organizadas pelo primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, e pelo presidente finlandês, Alexander Stubb. Jared Kushner, genro de Trump e integrante da equipe americana de negociação, participou por videoconferência.
Kiev cobra explicações de Washington
O governo ucraniano afirma que os Estados Unidos deixaram de fornecer alertas antecipados sobre lançamentos de mísseis russos em ocasiões recentes, impuseram restrições ao sistema de comunicação militar Starshield, da SpaceX, e atrasaram a entrega de interceptores de defesa aérea financiados por países europeus. Esses recursos são considerados essenciais para detectar ameaças e tentar impedir que mísseis atinjam cidades e instalações estratégicas.
Kiev afirmou que, mais uma vez, não recebeu nenhum aviso prévio dos EUA antes de a capital ser atacada por mísseis balísticos russos no domingo, a terceira vez nos últimos dias.
Tudo isso sugere que alguma decisão política foi tomada para diminuir o apoio a nós, disse Zelenskyy na segunda-feira, em um discurso virtual para uma delegação bipartidária do Congresso. O presidente ucraniano afirmou ainda que os estoques de interceptores do país estavam baixos e que a Ucrânia estava quase sem estoque.
Em uma conversa telefônica de cerca de 45 minutos com Zelensky nesta terça-feira, Rubio discutiu o fornecimento de interceptores, os alertas sobre ataques balísticos e as restrições ao Starshield. O secretário de Estado negou que a Casa Branca tenha determinado uma redução deliberada da ajuda e afirmou que eventuais atrasos se devem, entre outros fatores, à disputa por equipamentos militares de alta demanda.
Isso é escandaloso, isso é ultrajante, isso simplesmente não é verdade, declarou Rubio ao contestar a alegação de que ucranianos estariam morrendo porque os Estados Unidos deixaram de compartilhar informações com o país.
Sobre os interceptores, disse que Washington precisa equilibrar as necessidades da Ucrânia com as de outros parceiros e com os próprios estoques americanos.
Desgaste entre Trump e Zelensky
A crise diplomática se intensificou depois que Trump suspendeu sanções relacionadas às exportações russas de diesel e fechou um acordo com Moscou para o fornecimento do combustível, em uma tentativa declarada de reduzir os preços nos Estados Unidos. As medidas provocaram preocupação entre autoridades ucranianas e aliados europeus, que temem que a aproximação com o Kremlin enfraqueça a posição de Kiev nas negociações.
Nos últimos dias, Trump também criticou Zelensky e sugeriu que o presidente ucraniano deveria ser substituído para negociar o fim da guerra. O americano afirmou ainda que a Rússia vinha se comportando bem em relação à Ucrânia, apesar dos ataques frequentes contra cidades e infraestruturas do país.
Fonte: veja.abril.com.br