Relatório internacional revela que busca por estabilidade geopolítica, fuga do calor extremo e novos destinos preferidos redefiniram comportamento de viajantes
A busca por segurança diante de instabilidades geopolíticas, a fuga das ondas extremas de calor e o interesse crescente pela Ásia estão redefinindo o comportamento dos viajantes ao redor do mundo. É o que revela a terceira edição do relatório anual de viagens NowNext, divulgado nesta terça-feira, 20.
Elaborado pela plataforma Omio em parceria com a consultoria YouGov, a pesquisa entrevistou 8.505 adultos no Brasil, na Alemanha, na Itália, na Espanha, no Reino Unido e nos Estados Unidos. Veja as principais descobertas:
Busca por estabilidade e segurança
Em um ano marcado pela eclosão da guerra no Oriente Médio e a expansão do conflito na Ucrânia, as tensões geopolíticas e cenários de instabilidade internacional tornaram-se fatores decisivos na hora de escolher o próximo destino.
De acordo com o levantamento, 75% dos entrevistados globais afirmam que os acontecimentos globais influenciam diretamente seus planejamentos de viagem. Como reflexo dessa cautela, 36% dos viajantes optam ativamente por localidades consideradas seguras e estáveis. No Brasil, essa preocupação é ainda mais acentuada: 84% dos respondentes admitem que a conjuntura internacional afeta suas decisões.
O impacto do calor e as coolcations
Outra transformação estrutural no turismo internacional está ligada às mudanças climáticas. Diante do aumento das temperaturas, 76% do público global relata adotar ao menos uma medida de adaptação nos planos de férias durante períodos de calor.
Esse cenário consolida a tendência das chamadas coolcations férias planejadas especificamente para escapar do calor excessivo. Entre as soluções adotadas pelos viajantes mundiais, 37% preferem remarcar a viagem para um mês ou estação diferente, enquanto 21% optam por destinos mais frios, em maior altitude ou incluem paradas em locais com temperaturas mais amenas.
A ascensão da Ásia e rotas flexíveis
Quando o assunto é atravessar fronteiras continentais, a Ásia desponta como o destino favorito. O continente asiático assumiu a liderança das preferências para viagens fora do continente de origem dos entrevistados, atingindo 18% da preferência global um salto em relação aos 13% registrados em 2025. Além disso, 46% dos entrevistados no mundo planejam visitar outro país em seu próprio continente nos próximos 12 meses.
A busca por itinerários mais ricos e personalizados também levou 48% dos viajantes globais a planejar ou considerar viagens com múltiplas paradas, combinando diferentes meios de transporte dentro de uma mesma região.
Paixões pessoais x orçamento
Mesmo em um cenário no qual 78% dos consumidores globais buscam estratégias para controlar os gastos viajando na baixa temporada ou planejando com antecedência , a motivação por grandes eventos e hobbies permanece em alta. O levantamento mostra que 71% dos viajantes globais aceitariam visitar um destino antes não considerado para vivenciar uma paixão pessoal, enquanto 61% estariam dispostos a gastar significativamente mais para alcançar esse objetivo.
O diferencial brasileiro
Embora a intenção geral de viajar seja idêntica entre brasileiros e estrangeiros (73%), o brasileiro encara o turismo com entusiasmo renovado: 18% colocam as viagens como prioridade máxima, o dobro da média global de 9%.
Em contrapartida, o orçamento exige cautela, uma vez que 88% dos brasileiros pretendem adotar medidas para controlar gastos (contra 78% no mundo). Essa combinação reforça a preferência pelo turismo doméstico, escolhido por 76% no Brasil (10 pontos percentuais acima da média global).
Outra divergência marcante está no recorte geracional. Enquanto no mundo a Geração Z lidera no planejamento antecipado (34%) e nos cortes de despesas (26%), no Brasil são os Baby Boomers que mais se antecipam nas reservas (39%) e reduzem outros custos (32%) para garantir as férias.
Fonte: veja.abril.com.br