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Como a derrota de Trump no Congresso pode afetar as bolsas americanas

Avanço democrata reduz espaço para a agenda da Casa Branca e leva investidores a rever apostas em inteligência artificial e energia

A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos provocou uma mudança nas apostas dos investidores nesta quarta-feira, 4. Depois de uma reação negativa durante a madrugada, os contratos futuros das bolsas americanas se recuperaram com o reconhecimento do resultado por Donald Trump (Partido Republicano). A perspectiva de maior resistência à agenda presidencial favoreceu parte do mercado, mas trouxe dúvidas sobre setores que dependem de expansão de infraestrutura e apoio político.

Na abertura do pregão em Nova York, o Dow Jones avançou 1,93%, o S&P 500 subiu 1,14% e o Nasdaq Composite ganhou 1,07%. Os percentuais se referem ao início da sessão desta quarta-feira. As projeções eleitorais apontam maioria democrata tanto na Câmara quanto no Senado, com os novos mandatos previstos para começar em janeiro de 2027.

Aquilo que antes era esperado em termos de expansão, projetos, concessões e investimentos pode agora enfrentar uma resistência maior, com o presidente perdendo a maioria no Congresso, afirma Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue.

Do receio à recuperação

A reação inicial refletiu o risco de mudança em políticas que já orientavam decisões de investimento. Durante a apuração, os futuros do Nasdaq-100 chegaram a cair 2,4%, enquanto os do S&P 500 recuaram 1,4%. O reconhecimento da derrota por Trump ajudou a reduzir o temor de uma contestação prolongada do resultado.

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Em um primeiro momento, o mercado temeu que houvesse uma ruptura em relação ao que já estava precificado ou planejado sob a liderança de Trump, afirma Benati.

Um Congresso controlado pela oposição impõe obstáculos à aprovação de novas leis e despesas. Para quem investe, esse cenário pode limitar mudanças bruscas de política econômica. Isso não significa, porém, que todas as empresas sejam beneficiadas. O efeito depende das medidas esperadas para cada atividade e da necessidade de decisões legislativas para colocá-las em prática.

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Inteligência artificial no centro da revisão

Entre os segmentos sob atenção estão os centros de processamento de dados, conhecidos como data centers, e os negócios que fornecem eletricidade, equipamentos e infraestrutura para seu funcionamento. A expansão dessas instalações exige investimentos elevados e aumenta a demanda por energia.

O debate político envolve quem arcará com os custos dessa ampliação, especialmente quando são necessárias obras nas redes elétricas. A preocupação é que parte da conta alcance consumidores que não utilizam diretamente os serviços das empresas de tecnologia.

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Esse cenário pode representar uma desaceleração dos investimentos em data centers e em toda a infraestrutura necessária para sustentar essa expansão, algo que já poderia estar parcialmente precificado pelo mercado, afirma Benati.

A revisão apareceu nas ações de operadoras de data centers e em empresas ligadas ao fornecimento de energia para essas instalações. O desempenho dos negócios associados à inteligência artificial, contudo, foi desigual, com movimentos distintos entre companhias de tecnologia e fabricantes de chips.

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A possibilidade de fiscalização mais intensa também precisa ser distinguida de uma restrição já aprovada. O resultado eleitoral altera as perspectivas para o setor, mas não determina, por si só, o cancelamento de projetos privados.

Energia tem mais de uma influência

No setor energético, a leitura do resultado das urnas se mistura ao comportamento do petróleo. A queda da commodity pode reduzir a receita esperada de produtoras, enquanto empresas de fontes renováveis respondem às perspectivas de políticas de incentivo.

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Nesse caso, é um pouco mais difícil separar o impacto da queda do preço do petróleo dos possíveis efeitos de uma agenda mais favorável às fontes renováveis, defendida pelo Partido Democrata, afirma Benati.

As ações de energia limpa avançaram nesta quarta-feira, em contraste com a pressão sobre parte das empresas associadas à infraestrutura de inteligência artificial.

Dólar e títulos também reagem

A mudança política repercutiu ainda na renda fixa. Na manhã desta quarta-feira, o rendimento dos títulos do Tesouro americano com vencimento em dez anos estava próximo de 4,93%, em queda de cerca de 0,02 ponto percentual. A valorização desses papéis ocorre quando investidores aceitam uma remuneração menor para comprá-los.

Esses juros servem de referência para o financiamento de empresas e para a avaliação de ações. Taxas menores podem favorecer o valor atribuído a lucros futuros, embora o efeito sobre cada companhia dependa também das suas perspectivas de receita e investimento.

O dólar, por sua vez, perdeu força diante de outras moedas. Às 9h12 de Nova York, equivalentes a 11h12 de Brasília, o índice que acompanha a moeda americana frente a uma cesta de divisas recuava 0,58%.

A nova composição do Congresso não elimina os riscos da inflação nem os efeitos dos conflitos internacionais. Também preserva instrumentos de atuação do Executivo, inclusive na política comercial, que não dependem de uma votação a cada medida.

A partir de janeiro, propostas que exigem aprovação legislativa dependerão de negociação com a oposição.

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Fonte: veja.abril.com.br

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