Cinco anos sem Paulo Gustavo: 'vou fazer de tudo para que seja sempre lembrado', diz viúvo

O ator e humorista Paulo Gustavo partiu há cinco anos, em 4 de maio de 2021, vítima da Covid-19, mas os projetos que ele criou seguem vivos - seja pelos personagens marcantes, seja pelos diálogos que, até hoje, rendem memes de internet. Viúvo de Paulo Gustavo, Thales Bretas faz questão de honrar o trabalho e a memória do parceiro. Paulo Gustavo com o marido, Thales Bretas Reprodução / Redes sociais “Para além do meu consultório, da minha vida em casa com meus filhos e do meu trabalho, eu tenho sempre essa preocupação de acompanhar, de estar por perto, de me manter curioso para ver o que querem falar e fazer sobre o Paulo, sobre a vida dele, e de que forma vão retratar isso e as obras dele. Exige um cuidado da família, dos meus filhos, até porque eles tem nesse artista emblemático que foi o pai deles muita admiração.” Um dos projetos para celebrar o artista vai chegar em breve no teatro: "Meu filho é um musical" estreia no dia 28 de maio, no Rio de Janeiro. A peça será lançada 20 anos depois da estreia do monólogo "Minha Mãe é uma Peça", um marco da carreira de Paulo Gustavo. Idealizado pela mãe e pela irmã do humorista, o novo espetáculo acompanha a vida dele desde a infância até os feitos históricos, como ter conquistado 11 milhões de espectadores com o filme "Minha mãe é uma peça 3", a maior bilheteria do cinema nacional. O viúvo de Paulo Gustavo, Thales Bretas, com os filhos Romeu e Gael, e a irmã e mãe do humorista, Juliana Amaral e Déa Lúcia Reprodução / Redes sociais Quem lembra bem das peças que deram vida à Dona Hermínia é a atriz e humorista Flávia Reis, amiga de Paulo Gustavo. A dupla passou anos na estrada, quando ela abria os espetáculos dele pelo Brasil. “Assim como ele, eu gosto muito de trabalhar com personagens tipos, que são essas pessoas que a gente encontra no dia a dia. É assim que eu subo no palco — e as pessoas dizem: ‘fala igual à minha tia, igual à minha mãe’. O Paulo pegou um símbolo muito forte, que é a mãe, porque quem não tem filho tem uma, e transformou essa personagem, com a qual todo mundo se identifica, em um símbolo de mãe nacional. Então, tenho uma influência direta e gosto muito desse trabalho de observar e trazer figuras e situações do cotidiano.” E não foi só a Dona Hermínia que conquistou os brasileiros. Paulo Gustavo também soube debochar de figuras controversas com o trambiqueiro Valdomiro, da série "Vai que Cola", que resolveu fugir pro subúrbio do Rio para correr da polícia. Marcus Majella e Paulo Gustavo Reprodução / Multishow Amigo de infância de Paulo Gustavo e roteirista de diversos trabalhos do artista, Fil Braz afirma que o estilo do ator influencia até hoje o humor feito no Brasil. “Eu acho que existe uma escola de humor Paulo Gustavo. Vejo ecos dele por aqui e por ali; de vez em quando aparece alguém que fala parecido, com uma embocadura semelhante. Acho que está tudo muito espalhado. O Paulo Gustavo foi como uma chuva que caiu, molhou muitos campos, muitos terrenos, muitos lugares — e fez germinar muita flor.” Para o viúvo Thales Bretas, a principal fórmula criativa do marido era fazer rir, mas com muita sensibilidade. “Ele é o cara que mais levou público ao cinema brasileiro até hoje, recordista de bilheteria, com um trabalho muito autoral — que mistura amor, comédia e a vida como ela é, na sensibilidade dele. Então, eu fico muito orgulhoso. E vou fazer de tudo para que esse trabalho seja sempre lembrado com todo o carinho, com todo o esforço que ele teve e com todo o impacto que isso representa para a nossa sociedade e para a nossa cultura.” Paulo Gustavo interpreta Maria Enfisema no Especial 220 Volts Victor Pollak/Globo Em dezembro de 2020, Paulo Gustavo fez a última aparição na TV, no especial de fim de ano do programa "220 Volts", outro grande sucesso da carreira dele. O mundo vivia o isolamento por causa da pandemia, e ele fez uma defesa enfática dos protocolos de saúde então adotados. A última mensagem do humorista foi a favor da união entre amor e riso: "Eu faço palhaçada, você ri, eu fico com o coração preenchido aqui. Eu me sinto, assim, realizado de estar conseguindo te fazer feliz. Rir é um ato de resistência. A gente agora tá precisando dessa máscara chata pra proteger o rosto desse vírus. E, infelizmente, essa máscara, ela esconde algo muito precioso pra nós brasileiros. O sorriso. Ele tá tapado, tem que ficar tapado, mas ele existe. E ele não vai deixar de existir."

Cinco anos sem Paulo Gustavo: 'vou fazer de tudo para que seja sempre lembrado', diz viúvo

O ator e humorista Paulo Gustavo partiu há cinco anos, em 4 de maio de 2021, vítima da Covid-19, mas os projetos que ele criou seguem vivos - seja pelos personagens marcantes, seja pelos diálogos que, até hoje, rendem memes de internet. Viúvo de Paulo Gustavo, Thales Bretas faz questão de honrar o trabalho e a memória do parceiro. Paulo Gustavo com o marido, Thales Bretas Reprodução / Redes sociais “Para além do meu consultório, da minha vida em casa com meus filhos e do meu trabalho, eu tenho sempre essa preocupação de acompanhar, de estar por perto, de me manter curioso para ver o que querem falar e fazer sobre o Paulo, sobre a vida dele, e de que forma vão retratar isso e as obras dele. Exige um cuidado da família, dos meus filhos, até porque eles tem nesse artista emblemático que foi o pai deles muita admiração.” Um dos projetos para celebrar o artista vai chegar em breve no teatro: "Meu filho é um musical" estreia no dia 28 de maio, no Rio de Janeiro. A peça será lançada 20 anos depois da estreia do monólogo "Minha Mãe é uma Peça", um marco da carreira de Paulo Gustavo. Idealizado pela mãe e pela irmã do humorista, o novo espetáculo acompanha a vida dele desde a infância até os feitos históricos, como ter conquistado 11 milhões de espectadores com o filme "Minha mãe é uma peça 3", a maior bilheteria do cinema nacional. O viúvo de Paulo Gustavo, Thales Bretas, com os filhos Romeu e Gael, e a irmã e mãe do humorista, Juliana Amaral e Déa Lúcia Reprodução / Redes sociais Quem lembra bem das peças que deram vida à Dona Hermínia é a atriz e humorista Flávia Reis, amiga de Paulo Gustavo. A dupla passou anos na estrada, quando ela abria os espetáculos dele pelo Brasil. “Assim como ele, eu gosto muito de trabalhar com personagens tipos, que são essas pessoas que a gente encontra no dia a dia. É assim que eu subo no palco — e as pessoas dizem: ‘fala igual à minha tia, igual à minha mãe’. O Paulo pegou um símbolo muito forte, que é a mãe, porque quem não tem filho tem uma, e transformou essa personagem, com a qual todo mundo se identifica, em um símbolo de mãe nacional. Então, tenho uma influência direta e gosto muito desse trabalho de observar e trazer figuras e situações do cotidiano.” E não foi só a Dona Hermínia que conquistou os brasileiros. Paulo Gustavo também soube debochar de figuras controversas com o trambiqueiro Valdomiro, da série "Vai que Cola", que resolveu fugir pro subúrbio do Rio para correr da polícia. Marcus Majella e Paulo Gustavo Reprodução / Multishow Amigo de infância de Paulo Gustavo e roteirista de diversos trabalhos do artista, Fil Braz afirma que o estilo do ator influencia até hoje o humor feito no Brasil. “Eu acho que existe uma escola de humor Paulo Gustavo. Vejo ecos dele por aqui e por ali; de vez em quando aparece alguém que fala parecido, com uma embocadura semelhante. Acho que está tudo muito espalhado. O Paulo Gustavo foi como uma chuva que caiu, molhou muitos campos, muitos terrenos, muitos lugares — e fez germinar muita flor.” Para o viúvo Thales Bretas, a principal fórmula criativa do marido era fazer rir, mas com muita sensibilidade. “Ele é o cara que mais levou público ao cinema brasileiro até hoje, recordista de bilheteria, com um trabalho muito autoral — que mistura amor, comédia e a vida como ela é, na sensibilidade dele. Então, eu fico muito orgulhoso. E vou fazer de tudo para que esse trabalho seja sempre lembrado com todo o carinho, com todo o esforço que ele teve e com todo o impacto que isso representa para a nossa sociedade e para a nossa cultura.” Paulo Gustavo interpreta Maria Enfisema no Especial 220 Volts Victor Pollak/Globo Em dezembro de 2020, Paulo Gustavo fez a última aparição na TV, no especial de fim de ano do programa "220 Volts", outro grande sucesso da carreira dele. O mundo vivia o isolamento por causa da pandemia, e ele fez uma defesa enfática dos protocolos de saúde então adotados. A última mensagem do humorista foi a favor da união entre amor e riso: "Eu faço palhaçada, você ri, eu fico com o coração preenchido aqui. Eu me sinto, assim, realizado de estar conseguindo te fazer feliz. Rir é um ato de resistência. A gente agora tá precisando dessa máscara chata pra proteger o rosto desse vírus. E, infelizmente, essa máscara, ela esconde algo muito precioso pra nós brasileiros. O sorriso. Ele tá tapado, tem que ficar tapado, mas ele existe. E ele não vai deixar de existir."