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Vendas de carros novos na China desabam 22% e montadoras buscam saída no exterior

Fabricantes tentam compensar a retração interna com exportações, que avançam também no Brasil

As vendas de carros de passeio na China caíram 21,7% entre janeiro e setembro, para 13,3 milhões de unidades, segundo a associação chinesa do setor. Para o ano inteiro, a previsão é de 18,5 milhões de veículos vendidos, uma queda de 22% em relação a 2025.

A retração ocorre após anos de expansão financiada por governos locais e investidores privados.

Estimativa do Wall Street Journal aponta que as fábricas chinesas têm capacidade para produzir cerca de 63 milhões de veículos leves por ano.

Muitas marcas disputam um mercado menor

A quantidade de fabricantes ajuda a dimensionar a concorrência.

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Em 2025, 143 marcas chinesas venderam ao menos um veículo elétrico; 46 delas comercializaram menos de mil unidades, segundo levantamento da consultoria AlixPartners.

Um exemplo é a Skyworth Auto. Sua principal fábrica foi projetada para produzir 100 mil veículos por ano, mas a marca vendeu 660 carros de passeio na China entre janeiro e setembro, de acordo com a reportagem do jornal americano.

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O dado ilustra a distância entre a capacidade anunciada por algumas empresas e a procura por seus modelos, embora não represente o desempenho de todo o setor.

A disputa também reduz a rentabilidade. A margem de lucro da indústria automobilística chinesa caiu para 3,6% entre janeiro e agosto, segundo a associação de carros de passeio do país. Os fabricantes têm recorrido a cortes de preços e benefícios para atrair compradores.

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Carros elétricos avançam, mas não evitam a retração

A queda nas vendas ocorre mesmo com a rápida mudança tecnológica do setor.

Em setembro, veículos classificados na China como de nova energia, categoria que inclui carros elétricos e híbridos plug-in, responderam por 67% das vendas de automóveis de passeio.

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mesmo mês, porém, as vendas desses modelos recuaram 16,7% em relação a setembro de 2025.

O crescimento do mercado elétrico levou fabricantes tradicionais e empresas de tecnologia a lançar novos modelos. Mas o avanço não eliminou a disputa por clientes nem a dificuldade de sustentar dezenas de marcas.

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Governos locais, que ajudaram a financiar fábricas e empresas, também têm poucos incentivos para aceitar fechamentos que podem reduzir empregos e arrecadação nas cidades.

Exportação vira saída para as montadoras

Com menos compradores no mercado interno, as fabricantes buscam clientes no exterior. A associação chinesa do setor prevê que as vendas externas de veículos, incluindo automóveis, ônibus e caminhões, podem chegar a 12 milhões de unidades em 2026, ante 8,3 milhões no ano passado.

A expansão aumenta a pressão sobre fabricantes de outros países, que enfrentam concorrentes chineses com preços agressivos e ampla oferta de modelos.

No Brasil, veículos importados da China corresponderam a 48,7% dos emplacamentos de modelos importados entre janeiro e maio de 2026, segundo a Anfavea. Isso significa quase metade dos veículos importados registrados no período, e não metade do mercado brasileiro total.

O governo chinês tem criticado o que chama de concorrência irracional e pedido às montadoras que evitem cortes de preços excessivos.

Mas a consolidação do setor enfrenta obstáculos: empresas e fábricas estão ligadas a governos locais, empregos e cadeias de fornecedores. A redução da demanda, portanto, não se traduz automaticamente no fechamento de unidades ou na saída das marcas menos competitivas.

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Fonte: veja.abril.com.br

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