Magistrado conduzia o processo contra o líder venezuelano; ainda não se sabe como sua morte afetará o julgamento
O juiz federal americano Alvin K. Hellerstein, responsável pelo processo contra o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro em Nova York, morreu nesta quarta-feira, 28, aos 92 anos. Ao longo de quase três décadas na magistratura, ele conduziu casos de grande repercussão, incluindo ações judiciais relacionadas aos atentados de 11 de Setembro e processos envolvendo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ainda não há definição sobre quem assumirá o julgamento de Maduro, previsto para junho de 2027.
Em março, Hellerstein presidiu a primeira audiência de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, na Justiça americana. Na ocasião, autorizou o uso de recursos financeiros da Venezuela para custear a defesa do casal, mas rejeitou o pedido para arquivar as acusações. O ex-presidente venezuelano responde a acusações de narcoterrorismo e tráfico de drogas.
Com a morte do magistrado, os processos sob sua responsabilidade deverão ser redistribuídos entre outros juízes do tribunal federal de Manhattan. A escolha de quem assumirá o caso de Maduro ainda não foi anunciada.
Casos emblemáticos
Entre os processos de maior repercussão conduzidos por Hellerstein estão ações envolvendo Trump e pessoas próximas ao republicano. Em 2020, durante o primeiro mandato do presidente, o juiz determinou que Michael Cohen, ex-advogado de Trump, cumprisse o restante da pena em prisão domiciliar. Cohen estava preso desde maio de 2019.
Na decisão, Hellerstein afirmou que as autoridades federais haviam tentado devolver Cohen à prisão em retaliação à publicação de um livro no qual ele expunha informações sobre Trump. O ex-advogado havia sido condenado por crimes como violações de financiamento de campanha e fraude fiscal.
Em maio de 2024, Hellerstein também rejeitou uma tentativa de Trump de transferir para a Justiça federal o processo criminal em que foi condenado por falsificar registros comerciais para ocultar um pagamento à atriz pornô Stormy Daniels. A defesa buscava, com a mudança de jurisdição, contestar a condenação com base na imunidade presidencial.
A atuação do magistrado também foi marcada pelos desdobramentos judiciais dos ataques de 11 de Setembro. A partir de 2001, ele supervisionou a maior parte dos processos civis por mortes e danos materiais relacionados à destruição do World Trade Center, em Nova York.
Fonte: veja.abril.com.br