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Um dos principais poemas de Carlos Drummond de Andrade completa 75 anos e é homenageado em festival

Uma resposta para todas as dúvidas da humanidade aparece no caminho de um homem que anda por uma estrada pedregosa de Minas Gerais. Ele, no entanto, se recusa a conhecer a explicação para tudo e segue pelo caminho. Há 75 anos o poeta Carlos Drummond de Andade lançava o poema A máquina do mundo, um dos capítulos da obra Claro Enigma, considerada como a mais importante do escritor. Para o jornalista e escritor Afonso Borges, mesmo mais de sete décadas depois, o poema permanece atual


Uma resposta para todas as dúvidas da humanidade aparece no caminho de um homem que anda por uma estrada pedregosa de Minas Gerais. Ele, no entanto, se recusa a conhecer a explicação para tudo e segue pelo caminho. Há 75 anos o poeta Carlos Drummond de Andade lançava o poema A máquina do mundo, um dos capítulos da obra Claro Enigma, considerada como a mais importante do escritor. Para o jornalista e escritor Afonso Borges, mesmo mais de sete décadas depois, o poema permanece atual por tratar de um dos maiores dilemas da humanidade, que hoje depende dos computadores e da inteligência artificial. 'A Máquina do Mundo é um poema que Drummond antecipou muita coisa que está acontecendo agora, especialmente essa maquinação da vida, essa transformação, essa coisa toda tecnológica e eletrônica que a gente está vivendo hoje. É o melhor do Drummond, na minha opinião, e se você retorna a Fernando Pessoa, Dante Alighieri e todos os grandes poetas da humanidade, o Drummond se insere nessa caixinha de excelente, maravilhoso, um dos maiores poetas da história do mundo'. O poema, escrito em 1951, no pós Segunda Guerra Mudial, é o marco que separa duas fases de Drummond. O poeta se afasta da poesia social e política e se torna mais filosófico e melancólico, em que contempla a finitude da vida a passagem do tempo. Mesmo assim, o escritor não deixava de prestar atenção à realidade, que ele levava para as páginas dos jornais com o mesmo cuidado com que tratava a poesia, como ressalta Afonso Borges. 'Ele era um poeta do seu tempo, um poeta que conseguia transferir para a prosa da crônica tudo o que estava acontecendo ao seu redor. E, principalmente no tempo do Jornal do Brasil, em que ele escrevia duas ou três vezes por semana, se não me engano, tudo o que acontecia no país era objeto de crônica dele. Então, ele transportava essa coisa poética, hermética, bonita, que ele sabia, para o mundo contemporâneo'. "A máquina do mundo é o tema do Flitabira - 6º Festival Literário Internacional de Itabira - cidade natal de Carlos Drumond de Andrade, que vai até este domingo. O encontro reune escritores, artistas e pesquisadores para conversar sobre literatura e as muitas perguntas que ela continua fazendo ao mundo. Entre os convidados estão Conceição Evaristo, Leda Maria Martins e Maria Mazzarello, que são as três homenageadas desta edição.

Fonte: cbn.globo.com

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