Anúncio ocorre apesar de a ilha proibir novas atividades de exploração petrolífera e de mineração de urânio desde 2021 por motivos ambientais
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira, 14, que uma “enorme exploração de petróleo, gás e minerais” está prestes a começar na Groenlândia, território autônomo da Dinamarca. O anúncio ocorre apesar de a ilha proibir novas atividades de exploração petrolífera e de mineração de urânio desde 2021 por motivos ambientais.
Uma enorme exploração de petróleo, gás e minerais está prestes a começar na nossa nova e bela Groenlândia, escreveu Trump em sua rede social, Truth Social. Sem apresentar detalhes sobre o projeto ou as empresas envolvidas, o republicano afirmou que, de acordo com especialistas, a ilha teria reservas de petróleo de fácil acesso superiores às de “praticamente qualquer outro lugar do mundo”.
A declaração reacende as tensões em torno da ilha do Ártico, que Trump tenta colocar sob controle americano desde seu primeiro mandato. Além do interesse econômico, o ocupante do Salão Oval voltou a destacar a importância estratégica da Groenlândia para a defesa dos Estados Unidos e da Europa. Localizada na rota mais curta de mísseis entre a Rússia e o território americano, a ilha ocupa uma posição considerada fundamental para o projeto de defesa Domo Dourado, defendido pelo republicano.
“Qualquer ataque futuro contra os Estados Unidos terá que atravessar a Groenlândia, onde nossa defesa derrubará rotineiramente drones, mísseis ou qualquer outra forma de arma que ainda nem tenha sido concebida”, disse o presidente americano.
Acordo de segurança
Em setembro, Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia assinaram um acordo de segurança que ampliou a presença militar americana na ilha. O acordo prevê a abertura de dois novos pontos militares dos Estados Unidos na Groenlândia, além da já existente Base Espacial de Pituffik, mas não estabeleceu concessões para a exploração de petróleo ou minerais.
A Groenlândia possui reservas ainda pouco exploradas de terras raras e outros recursos naturais. Em agosto, a empresa americana Greenland Energy anunciou planos para iniciar perfurações em 2027, na costa leste da ilha, embora ainda não disponha das autorizações necessárias.
As ambições de Trump em relação à ilha desencadearam uma crise diplomática sem precedentes no início do ano, quando os europeus viram, de repente, seu aliado histórico de quem dependem para sua segurança começar a ameaçá-los.
No auge da crise, Trump chegou a afirmar que não descartaria o uso da força para tomar a Groenlândia. Sete meses depois, as tensões diminuíram, mas o presidente dos Estados Unidos nunca abandonou completamente a intenção de colocar a ilha sob controle americano.
Fonte: veja.abril.com.br