Prejuízo é superior a R$ 16,5 bilhões; Banco Central garante que correntistas com recursos retidos serão restituídos
Milhares de paraguaios se mobilizaram nas ruas de Assunção nesta terça-feira, 3, cobrando a liberação de seu dinheiro do Ueno Bank por crise que atinge o banco, que possui aproximadamente 3 milhões de clientes.
Os manifestantes carregavam cartazes com os dizeres “Impeachment de Santi Peña”.
Na capital paraguaia, diversas pessoas enfrentaram extensas filas em frente às unidades do banco, buscando recuperar o que haviam depositado.
Diante da situação, o Banco Central garantiu que os correntistas com recursos retidos na instituição “receberão um primeiro pagamento de até 10 milhões de guaranis“, valor equivalente a cerca de R$ 9.200.
Intervenção do Banco Central
O Banco Central do Paraguai interveio nesta terça-feira e deixou seus correntistas sem acesso imediato ao próprio dinheiro. A crise levou, horas depois, à renúncia do presidente do órgão regulador, Carlos Carvallo.
A intervenção tem como objetivo “proteger os depositantes e preservar a estabilidade do sistema financeiro”, informou o Banco Central em comunicado. Quase metade dos 6,4 milhões de paraguaios tem conta no Ueno Bank.
O Ueno Bank, que administra valores milionários de fundos de pensão e outras verbas estatais, sofreu intervenção por apresentar uma grave insuficiência de capital. Seus serviços foram suspensos enquanto as autoridades organizam a devolução dos depósitos.
Participação de Santi Peña
Peña, que assumiu a Presidência em 2023 para um mandato até 2028, possuía até ano passado ações de um grupo que controlava o Ueno Bank.
O prejuízo da crise bancária é superior a US$ 3 bilhões (R$ 16,47 bilhões), afirmou à AFP o senador oposicionista Rafael Filizzola, ao confirmar que a oposição trabalha em um texto acusatório que busca viabilizar um eventual impeachment de Peña.
O presidente “tem participação direta porque existe um mecanismo que foi montado antes mesmo de ele assumir o governo”, explicou.
O senador afirma que ele flexibilizou os mecanismos das leis anticorrupção, criou-se o banco, do qual ele era acionista e depois renunciou à participação diante das pressões.
“Quase todos os recursos públicos e as economias do Estado foram direcionados ao banco. Sua ligação com esse escândalo é direta”, acusou.
Após o escândalo, o presidente cancelou uma viagem prevista a Madri, onde participaria da 30ª Cúpula Ibero-Americana.
Ordens da justiça
A Justiça paraguaia ordenou a prisão de oito diretores do banco, entre eles seu presidente, Miguel Vázquez, que se entregou à polícia na tarde de terça-feira.
“Ele ficará alojado em uma das duas celas de segurança que temos”, informou à imprensa o comissário Hugo Grance, chefe do Departamento de Investigações. “Comunicaremos o Ministério Público para que determine o destino final do senhor”, acrescentou.
O sistema bancário eletrônico já apresentava falhas desde segunda-feira, e as transações de pequenos poupadores foram bloqueadas.
“Perdi todas as economias da minha vida, só tenho 8 mil guaranis (R$ 7,35). Todos devem ir para a prisão”, disse à AFP, em lágrimas, Marcelino Vergara, de 68 anos, que participava da manifestação.
Carvallo, que havia presidido a Ueno antes de assumir o comando do Banco Central do Paraguai (BCP), em 2023, formalizou sua renúncia junto ao Poder Executivo e a comunicou em uma nota enviada ao Senado, à qual a AFP teve acesso.
Pouco antes da renúncia de Carvallo, que havia presidido a Ueno antes de assumir o comando do Banco Central, Peña já havia solicitado sua saída “diante dos fatos de conhecimento público registrados ao longo do dia”, em publicação na rede social X.
(Com informações da AFP)
Fonte: veja.abril.com.br