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Paris estende toque de recolher pela terceira noite após onda de violência na França

Restrição de circulação tenta conter novos distúrbios após protestos que terminaram em confrontos com a polícia, pilhagens e destruição

As autoridades francesas decidiram manter o toque de recolher em alguns bairros de Paris nesta quarta-feira, 21, pela terceira noite consecutiva, em uma tentativa de impedir novos episódios de violência após os protestos que terminaram em confrontos com a polícia, pilhagens e destruição de propriedade privada e prédios públicos no último fim de semana.

A restrição, válida das 23h às 6h de quinta-feira, 22, no horário local, afeta a Place de la République e a zona comercial do bairro Les Halles, dois dos principais focos dos distúrbios. Além de limitar a circulação durante a madrugada, a polícia proibiu concentrações e manifestações não autorizadas, a partir das 20h, em pontos estratégicos da capital, incluindo a avenida Champs-Élysées e as principais estações ferroviárias.

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Moradores, comerciantes, trabalhadores e equipes de emergência estão dispensados do toque de recolher, desde que possam comprovar a necessidade de permanecer nas áreas afetadas. Algumas estações de metrô e trens também terão o funcionamento interrompido a partir das 22h.

A decisão ocorre em meio à crescente pressão sobre o governo do presidente Emmanuel Macron, que enfrenta uma onda de insatisfação popular e se prepara para novas manifestações no sábado, 24.

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Caos na França

As medidas foram adotadas depois que manifestações realizadas no sábado, 17, reuniram cerca de 550.000 pessoas em diferentes cidades francesas, segundo o Ministério do Interior. Embora grande parte dos atos tenha ocorrido pacificamente, grupos entraram em confronto com as forças de segurança, depredaram estabelecimentos comerciais e incendiaram veículos e edifícios públicos.

O balanço mais recente das autoridades aponta aproximadamente 2.500 detidos. Ao menos 3.000 estabelecimentos comerciais foram danificados ou saqueados em todo o território francês.

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A mobilização reuniu estudantes, sindicalistas, integrantes do movimento dos Coletes Amarelos que ganhou força em 2018 contra o aumento dos combustíveis e a perda do poder de compra e ativistas de diferentes correntes políticas. As manifestações refletem a insatisfação com o encarecimento da vida e a qualidade dos serviços públicos.

O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, atribuiu os atos violentos à extrema esquerda. O partido França Insubmissa, porém, negou as acusações de ter organizado ou orquestrado a violência. O governo também apontou a participação de criminosos que teriam aproveitado os protestos para promover depredações e saques.

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Em Paris, 557 pessoas foram colocadas sob custódia policial em decorrência dos distúrbios, segundo dados divulgados pela promotora Laure Beccuau na terça-feira. Cerca de 300 já haviam comparecido perante um magistrado. De acordo com a promotora, nenhuma delas havia alegado motivação política.

Diante da convocação de novos protestos para o próximo sábado, o premiê francês prometeu um esquema de segurança “massivo” e reconheceu que a atuação policial anterior foi excessivamente estática e pouco ágil.

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Fonte: veja.abril.com.br

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