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Para amainar a crise de abstinência, as próximas eleições em outros países

Israel, Estados Unidos e Espanha passarão por processos eleitorais até o fim do ano, com grande peso na briga direita e esquerda

Mais viciante do que Jogo do Tigrinho, a dinâmica eleitoral que culmina no Brasil no dia 25 vai deixar uma lacuna na vida de muitos loucos por saber um resultado. O jeito é procurar outras emoções. O mais recente país que terá eleições importantes este ano é a Espanha, onde o primeiro-ministro Pedro Sánchez convocou ontem eleição para 29 de novembro, tentando neutralizar com a antecipação uma prognosticada vitória da direita.

Sánchez está com popularidade baixa e enfrenta o desgaste natural dos oito anos no poder. Depois de fases idílicas, em que parecia fazer tudo certo e aprovou grandes projetos de esquerda, começou a fraquejar. A condescendência com o descontrole migratório finalmente eclodiu com a maré humana que invadiu Ceuta. As pesquisas indicam uma possível vitória do Partido Popular, de direita. É a alternância regular de poder, embora a esquerda trate o assunto como o princípio do apocalipse, principalmente se o Vox, da direita populista, entrar em coalizão com o PP.

Em Israel, que vai às urnas no dia 27, praticamente não existe mais esquerda, fora seus nichos habituais, na imprensa e no mundo acadêmico. Também não existe clareza: segundo as últimas pesquisas, o bloco de oposição, que vai da direita ao centro, elegerá 52 deputados. O bloco do governo, abarcando desde uma direita mais tradicional, como a do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, até os radicais do nacionalismo religioso, terá 51.

Conseguirá Netanyahu mais um de seus milagres eleitorais? Irá se beneficiar ou sair prejudicado do caso do quase desastre do avião da Flydubai que o copiloto árabe pretendia lançar contra o aeroporto Ben Gurion?

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ELEITORES DE MAU HUMOR

Ainda não dá para cravar. O país continua dividido entre a euforia do miraculoso salvamento do avião, com suas mais de 170 vidas, e o espanto diante do que deveriam ser controles obrigatórios sobre tripulantes estrangeiros. O copiloto Hamam Al-Hamammi, cidadão de Omã, que teoricamente não poderia tripular aviões com destino a Israel porque seu país não tem relações com o Estado judeu, não despertou suspeitas nem com posts mostrando simpatias jihadistas.

De todas as próximas eleições internacionais, a mais importante, obviamente, é a de 3 de novembro nos Estados Unidos. As pesquisas indicam que o Partido Democrata vai conquistar a maioria na Câmara dos Deputados e talvez até no Senado. Donald Trump ficaria de mãos amarradas para aprovar projetos importantes.

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Sem contar que pululariam as investigações de diferentes comissões, com a possibilidade de mais um processo de impeachment. A principal fonte de impopularidade de Trump – 38,2% de aprovação, contra 59,5% de desaprovação, segundo a média das pesquisas – é o aumento de preços, principalmente dos combustíveis. Nessa área, não dá mais para produzir milagres. Nem que a guerra no Irã acabe e a situação melhore no Oriente Médio, não haverá tempo hábil para influenciar o custo de vida e amenizar o mau humor dos eleitores.

Embora Trump seja Trump e sempre tenha algo inesperado a fazer ou a dizer, como ao elogiar a votação por urnas eletrônicas no Brasil: 125 milhões de pessoas votaram e os resultados saíram NO MESMO DIA. Na primeira versão do post, confundiu Brasil com Índia.

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Talvez muitos americanos estejam achando que um homem de 80 anos com o mesmo palavrório de sempre tenha perdido a graça. Seja de direita, seja de esquerda.

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Fonte: veja.abril.com.br

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