Primeira emissão soberana brasileira de 'panda bonds' pode ocorrer após o segundo turno presidencial
O Brasil busca ampliar suas fontes de financiamento no exterior com uma operação inédita para governos latino-americanos. Representantes do Tesouro Nacional estão na China para conversar com potenciais compradores de títulos da dívida brasileira denominados em yuans, em uma iniciativa que pode estrear com a captação de 5 bilhões de yuans. A informação foi divulgada pelo jornal Bloomberg, com base no relato de uma pessoa a par do assunto.
Os papéis, conhecidos no mercado como panda bonds, são títulos emitidos na China e denominados na moeda local. A operação brasileira poderá acontecer após o segundo turno da eleição presidencial, previsto para domingo, 25 de outubro, e integra um movimento para diversificar os canais de acesso do país a recursos internacionais.
O governo trabalha com a possibilidade de arrecadar, ao todo, cerca de 10 bilhões de yuans, ou 1,5 bilhão de dólares. A primeira oferta, de 5 bilhões de yuans, funcionaria como um teste para medir as condições de financiamento disponíveis no mercado chinês e orientar eventuais novas operações.
A iniciativa também poderá beneficiar o setor privado brasileiro ao abrir precedentes para que outras companhias busquem recursos na China. É o caso de empresas com forte exposição ao mercado asiático, como a Vale, principal mineradora do país. No universo corporativo brasileiro, a Suzano, líder mundial na produção de celulose, já recorreu a esse instrumento de financiamento.
A destinação do dinheiro captado ainda dependerá das decisões do Tesouro. Embora os recursos possam ser enviados ao Brasil, a operação não exige que isso aconteça. A escolha levará em conta a administração da dívida pública e a estratégia de distribuição dos recursos disponíveis.
O cenário político pode influenciar a continuidade dessa aproximação financeira. Após o primeiro turno, o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, ficou à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, levando a eleição para uma nova votação. As pesquisas mais recentes apontam uma disputa apertada entre os dois candidatos.
A expectativa, segundo a fonte ouvida pela Bloomberg, é que a primeira emissão seja preservada mesmo em caso de vitória de Flávio Bolsonaro, diante dos gastos e do esforço já empregados na preparação da oferta. O desfecho eleitoral, porém, poderá afetar a expansão dos planos brasileiros no mercado chinês: um governo bolsonarista tende a tornar esse avanço mais lento, enquanto a reeleição de Lula favoreceria a continuidade da aproximação financeira com Pequim.
Fonte: veja.abril.com.br