Mais de 90 indivíduos do loris-lento-de-Bangka foram salvos por centro de resgate local na última década, confirmando a sobrevivência da espécie
O loris-lento-de-Bangka (Nycticebus bancanus), um primata noturno da ilha de Bangka, na Indonésia, e sem avistamentod oficiais desde 1937, continua vivo na natureza. Entre 2015 e 2025, equipes do Centro de Resgate de Vida Selvagem Alobi (Alobi Wildlife Rescue Center) resgataram mais de 90 indivíduos da espécie em diversas regiões da ilha, comprovando a sobrevivência do animal. As descobertas, compiladas em um levantamento recente, levaram pesquisadores a solicitarem a revisão urgente do status da espécie, classificada como Criticamente Em Perigo e considerada “possivelmente extinta” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
Encontrados exclusivamente no sul e sudeste da Ásia, os loris lentos são os únicos primatas venenosos do mundo. São arborícolas ou seja, vivem em árvores e podem ser vistos enrolados para dormir em galhos ou usando cipós e folhas para se locomover. Normalmente, só descem ao solo da floresta quando precisam defecar.
Cada loris-lento possui uma pequena área sem pelos sob o braço que secreta um óleo. Quando se sentem ameaçados, lambem esse óleo, que se combina com a saliva para criar um veneno forte o suficiente para matar pequenos artrópodes e mamíferos.
Dos animais resgatados pela organização, 86 recuperaram-se plenamente e foram devolvidos à vida selvagem em sete áreas florestais protegidas da região. A maioria dos primatas foi localizada em assentamentos urbanos, margens de rodovias ou resgatada de cativeiros ilegais. Queimaduras graves decorrentes de choques elétricos em fiações e ataques de cães domésticos também estão entre os principais motivos de atendimento.
A perda drástica do habitat nativo, provocada pelo avanço da mineração ilegal de estanho e pelo desmatamento para a monocultura de dendezeiros (óleo de palma), tem empurrado os animais para áreas habitadas. “Ficamos felizes em contribuir para o registro científico e mostrar que o loris-lento-de-Bangka não está perdido, mas a espécie continua muito próxima da extinção”, declarou Langka Sani, diretor da Fundação Alobi, em comunicado. Sani acrescentou que o ecossistema original da ilha encolheu significativamente nos últimos anos, exigindo apoio internacional para a preservação do primata.
Os cientistas defendem a remoção do selo de provável extinção do animal na Lista Vermelha, além da criação de programas formais de conservação e de reprodução. “Trazer o loris-lento-de-Bangka de volta ao radar científico é apenas o primeiro passo”, afirmou o pesquisador Timon Glaw, coautor do estudo. Segundo Glaw, o desafio atual consiste em estabelecer um plano de conservação permanente focado em pesquisas populacionais, estudos genéticos e na preservação rigorosa das florestas remanescentes.
Fonte: veja.abril.com.br