Posição oficial do governo dos EUA é de que não deve haver novos ataques antes das eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, montou planos para atacar o Irã no início deste mês, mas o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se opôs à retomada total dos combates antes das eleições de meio de mandato nos EUA, segundo reportagem do Financial Times publicada nesta quarta-feira, 21, a partir de fontes anônimas.
Três pessoas familiarizadas com o assunto disseram ao jornal britânico que as Forças de Defesa de Israel estavam prontas para realizar ataques no fim de semana de 10 de outubro contra instalações nucleares iranianas e alvos do regime, bem como infraestrutura civil, incluindo usinas de energia.
Se Trump tivesse decidido dar sinal verde a Israel para prosseguir com os ataques, eles teriam sido mais intensos do que os realizados pelos EUA e Israel em fevereiro, que deram início ao conflito atual, disseram as fontes ao Financial Times. A reportagem não diz se os EUA planejavam se juntar aos ataques ou se Israel os teria realizado sozinho.
A posição oficial do governo Trump é de que não deve haver novos ataques antes da midterms, as eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro. O presidente declarou ainda que Washington mantém “conversas produtivas” com Teerã.
“Quero deixar claro a todos que não atacaremos o Irã em nenhum momento antes das eleições de meio de mandato”, escreveu Trump em sua rede social, Truth Social, na semana passada. “Estamos tendo conversas produtivas com a República Islâmica do Irã”, acrescentou, sem fornecer detalhes sobre o andamento das negociações.
A guerra no Oriente Médio, iniciada em 28 de fevereiro com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, tem contribuído para a alta dos preços dos combustíveis, impulsionada pelas tensões no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio mundial de petróleo. As hostilidades entre os rebeldes hutis do Iêmen e a Arábia Saudita, maior exportador do combustível no mundo, também ampliam a instabilidade na região.
O presidente americano enfrenta pressões para encerrar um conflito altamente impopular, que provocou o aumento do preço dos combustíveis e a inflação, fazendo sua aprovação despencar a níveis historicamente baixos. O Partido Republicano, em particular, teme possíveis repercussões políticas junto aos eleitores nas eleições de meio de mandato.
Ao longo das últimas semanas, assessores da Casa Branca realizaram reuniões para discutir diversas opções em relação ao Irã. Embora Trump tenha anunciado publicamente que não tomaria novas medidas antes das midterms, vários deles afirmaram à CNN não saber se essa declaração era definitiva ou se poderia mudar antes do dia da eleição.
O ocupante do Salão Oval ordenou que os militares desenvolvessem planos para ataques adicionais contra alvos iranianos incluindo uma grande parte da infraestrutura energética e que considerassem o possível uso de uma bomba MOAB, segundo a CNN. A reportagem acrescentou que esse ataque ocorreria “antes da retirada das forças americanas da área de responsabilidade do Centcom”, o comando americano responsável pelo Oriente Médio. Ou seja, o governo poderia realizar esses ataques extras, declarar vitória e, na sequência, retirar rapidamente todo o contingente militar destacado ali.
Fonte: veja.abril.com.br