Ministro da Fazenda e porta-voz da campanha do presidente à reeleição afirma que o ajuste fiscal será feito de forma gradual com superávit já em 2027
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, porta-voz da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) à reeleição, negou que, em um eventual quarto mandato, a política econômica sofrerá uma guinada brusca. “Não existe cavalo de pau”, afirmou Durigan, durante entrevista à emissora CNN. “Desde 2024, as contas estão equilibradas.” Segundo o ministro, isso não significa que o trabalho na área fiscal esteja concluído, mas que a melhora ocorrerá gradualmente a partir do ano que vem.
Para se justificar, Durigan relembrou a trajetória fiscal dos últimos anos, a começar pelo déficit de 200 bilhões de reais que o governo Temer deixou para o governo de Jair Bolsonaro. Segundo o ministro, o antecessor de Lula aumentou os gastos e entregou um déficit de 180 bilhões, quando se consideram gastos que não foram contabilizados no orçamento, como a suspensão do pagamento dos precatórios. “Não houve nenhuma correção de rumo no governo Bolsonaro.”
À CNN, Durigan atribuiu o aumento da dívida pública no terceiro mandato de Lula à elevada taxa de juro. Como se sabe, nesse período, a dívida saltou de 72% para 83% do produto interno bruto. “É importante desfazer esse clima de que gastamos além da conta”, afirmou. Como prova, o chefe da Fazenda citou que, no ano passado, o governo bloqueou 20 bilhões de reais do orçamento para cumprir a meta fiscal. Neste ano, mais 16 bilhões estão contingenciados, além de um corte linear de 10% nos benefícios fiscais concedidos a alguns setores.
“Quem arrumou as contas foi o governo Lula”, disse. Sobre a desconfiança dos investidores em relação ao compromisso de Lula de cortar gastos e cumprir as metas fiscais, Durigan afirma que o governo entregou um orçamento com a previsão de superávit fiscal em 2027 com o compromisso de cumprir o centro da meta e de gerar superávits crescentes nos anos seguintes.
Fonte: veja.abril.com.br