Presidente associa proposta de corte de gastos do adversário a riscos para programas sociais; senador nega intenção de mexer no benefício
O Bolsa Família se tornou um dos principais pontos de confronto entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo segundo turno das eleições presidenciais. De um lado, o presidente acusa o adversário de ameaçar programas sociais ao defender um corte expressivo nas despesas públicas. Do outro, o senador nega qualquer intenção de acabar com o benefício e afirma que pretende preservá-lo caso seja eleito.
A troca de acusações ganhou força depois que Lula passou a explorar, em sua campanha, a proposta de um tesouraço nos gastos públicos defendida por Flávio. O presidente e seus aliados procuram associar a medida à possibilidade de redução de benefícios e serviços destinados à população de menor renda. Na terça-feira, 6, Lula publicou nas redes sociais um vídeo que relaciona o discurso de ajuste fiscal do adversário a cortes em políticas públicas durante o governo de Jair Bolsonaro. A publicação menciona iniciativas como Farmácia Popular, Minha Casa, Minha Vida e Mais Médicos, além de gastos com merenda escolar.
A campanha petista também passou a divulgar peças que associam uma eventual vitória do senador a riscos para o Bolsa Família e outros serviços públicos. A argumentação, entretanto, não equivale à apresentação de uma proposta formal do candidato do PL para encerrar o programa.
Flávio nega cortes e promete manter benefício
Em resposta às críticas, Flávio Bolsonaro usou uma transmissão ao vivo nas redes sociais, na quinta-feira, 8, para negar que pretenda extinguir o Bolsa Família. O senador afirmou que o programa continuará existindo em um eventual governo seu e procurou associar a ampliação do valor do benefício à gestão de seu pai, Jair Bolsonaro. Durante a transmissão, o candidato reforçou o compromisso de manter os pagamentos e afirmou que a assistência financeira deve ser acompanhada de outras políticas capazes de ampliar as oportunidades econômicas dos beneficiários. Está mantido o Bolsa Família, é sagrado, ninguém toca, ninguém vai tirar o Bolsa Família de você, disse.
A divergência entre os candidatos está relacionada à discussão sobre como equilibrar as contas públicas sem comprometer políticas de transferência de renda. Flávio Bolsonaro tem defendido a redução de despesas federais como parte de sua agenda econômica. Lula, por sua vez, passou a questionar quais áreas seriam afetadas por esse ajuste, argumentando que os programas sociais poderiam estar entre os alvos.
Até agora, porém, a defesa de um corte amplo de gastos não demonstra, por si só, que o Bolsa Família seria extinto. O senador afirma que pretende preservar o programa, mas o debate também coloca em evidência a necessidade de detalhar quais despesas seriam reduzidas e como essas medidas seriam implementadas.
Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, a continuidade do benefício passou a ocupar espaço central no discurso dos dois candidatos. Enquanto Lula procura vincular a proposta de ajuste fiscal do adversário a possíveis perdas sociais, Flávio tenta afastar essa interpretação e apresentar o Bolsa Família como uma política que seria mantida em seu governo.
Fonte: veja.abril.com.br