Petrobras avança cerca de 5% e grandes bancos chegam a subir 10% na primeira sessão após Flávio Bolsonaro terminar à frente de Lula
O Ibovespa abriu em forte alta nesta segunda-feira, 5, na primeira sessão após o primeiro turno das eleições presidenciais, e ultrapassou a marca dos 207 pontos. Por volta das 10h, o principal índice da B3 avançava 7%, aos 207 437 pontos, em uma reação dos investidores ao resultado das urnas.
Entre as ações de maior peso no índice, Petrobras (PETR4) avançava cerca de 5%, enquanto os grandes bancos registravam ganhos que chegavam a 10%. Vale (VALE3) tinha alta próxima de 1%. Parte relevante das ações que compõem o Ibovespa ainda não havia aberto no momento da leitura, diante da forte oscilação dos preços.
O movimento ocorre depois de Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno da disputa presidencial à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, uma diferença de cerca de 2,2 milhões de votos. Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro. A reação dos ativos brasileiros começou ainda antes da abertura da B3. No exterior, o EWZ, principal fundo de ações brasileiras negociado nos Estados Unidos, chegou a subir mais de 12% na pré-abertura. ADRs de grandes companhias brasileiras também registraram fortes ganhos: antes do início dos negócios no Brasil, papéis da Petrobras, Itaú e Bradesco avançavam em torno de 10% ou mais em Nova York.
A alta desta segunda-feira reflete uma reprecificação das expectativas dos investidores após o resultado do primeiro turno. O desempenho de Flávio Bolsonaro levou o mercado a recalcular o cenário eleitoral e as expectativas para a política econômica a partir de 2027.
André Matos, CEO da MA7 Capital, avalia que a reação deve ser interpretada como uma redução do prêmio de risco incorporado aos ativos brasileiros, e não como uma mudança imediata nos fundamentos econômicos do país. O movimento é forte e precisa ser lido pelo que ele é, que é reprecificação de prêmio de risco, não mudança de fundamento. Quando algo travado por quatro meses rompe em uma manhã, não é a economia que mudou, é o prêmio que o investidor cobrava que foi retirado, afirma Matos.
A reação também ocorre depois de uma forte valorização da Bolsa na última sessão antes das eleições. Na sexta-feira, o Ibovespa avançou 2,63% e encerrou aos 192.114 pontos. Com o salto desta segunda-feira, o índice ultrapassou os 200 mil pontos pela primeira vez. Apesar da euforia inicial, a avaliação é que o mercado pode continuar sujeito a fortes oscilações. Matos ressalta que o quadro fiscal permanece o mesmo observado antes das eleições e que a disputa presidencial ainda terá um segundo turno. A evolução das pesquisas e as sinalizações dos candidatos sobre contas públicas, dívida e política econômica devem permanecer no radar dos investidores nas próximas semanas.
William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, também chama atenção para a possibilidade de mudanças no cenário até a votação de 25 de outubro. A eleição ainda não terminou, com o segundo turno pela frente, e o cenário pode mudar. Além disso, independentemente de quem vencer a disputa presidencial, o Brasil continuará enfrentando desafios importantes, principalmente no campo fiscal, afirma. O desempenho da Bolsa ao longo do pregão deve mostrar até que ponto a forte reação observada na abertura será sustentada após os primeiros ajustes de posições. Além da corrida presidencial, investidores devem acompanhar as propostas econômicas apresentadas durante o segundo turno e os sinais sobre a condução fiscal do próximo governo.
Fonte: veja.abril.com.br