Incertezas sobre a política fiscal do governo pressionam o mercado, que aguarda nome para comandar o Ministério da Fazenda
O Ibovespa opera em queda nesta sexta-feira, 30, pressionado pelas incertezas em relação à política fiscal do governo. A temporada de balanços também influencia as negociações, após resultados de Vale e Usiminas. Por volta das 10h30, o principal índice da bolsa brasileira recuava 1,06%, aos 167.463,75 pontos. O dólar, por sua vez, avançava 1,26%, cotado a 5,44 reais.
Para Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, o mercado deve continuar cauteloso enquanto o governo não apresentar medidas concretas para o ajuste das contas públicas. “Enquanto o presidente Lula não anunciar o nome para o ministro da Fazenda e como será a política fiscal, a Bolsa deve continuar em queda nos próximos dias”, afirma.
Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, avalia que outubro mostrou os riscos de tratar uma expectativa eleitoral como resultado garantido. Ele lembra que o Ibovespa saiu de 186.340 pontos no fim de setembro, chegou a superar os 209 mil pontos durante outubro e agora está na casa dos 167 mil pontos. No acumulado parcial do mês, o índice registra perda de aproximadamente 10,3%.
O dólar percorreu o caminho inverso. A moeda americana passou de cerca de 5,17 reais no fim de setembro para menos de 5 reais durante outubro, mas voltou a subir e agora é negociada a 5,44 reais. Segundo Araújo, a valorização inicial do real refletiu as apostas do mercado em uma alternância de governo e em um ajuste fiscal. “A reeleição de Lula provocou a desmontagem dessas posições, e as dúvidas sobre gastos e dívida prolongaram a pressão”, afirma.
Balanços de Vale e Usiminas também pesam sobre a Bolsa
Além das incertezas fiscais, os resultados das empresas também estão no radar dos investidores. A Vale reportou lucro líquido de 4,52 bilhões de dólares no acumulado de 2026 até setembro, queda de 27% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Segundo a companhia, o recuo foi influenciado por uma provisão de 322 milhões de dólares da Samarco e pelo aumento da carga tributária no ano. As ações da mineradora recuavam 0,08%, cotadas a 60 reais, após a divulgação do balanço. Analistas consultados por VEJA Negócios nesta sexta-feira, 30, projetam um quarto trimestre desafiador para a empresa, sem dividendos extraordinários da Vale.
Já os papéis da Usiminas tombavam 6,95%, cotados a 5,09 reais. A companhia registrou lucro líquido de 243 milhões de reais no terceiro trimestre de 2026, abaixo dos 300,11 milhões de reais esperados pelo mercado.
Analistas da XP Investimentos projetam um quarto trimestre desafiador para a empresa. Na avaliação da corretora, a divisão de Siderurgia deve apresentar uma queda moderada dos resultados operacionais, pressionada por um mix de vendas menos favorável e pela continuidade das pressões de custos. Na área de Mineração, a expectativa é de menores volumes de vendas, em um cenário de perspectivas desfavoráveis para os preços do minério de ferro.
“Permanecemos cautelosos em relação a 2027, uma vez que taxas de juros mais altas e um ambiente doméstico mais desafiador devem restringir uma recuperação significativa da demanda e das margens de aço, em nossa visão, enquanto um desempenho mais fraco do minério de ferro e custos de frete mais altos continuam sendo ventos contrários adicionais para Mineração”, afirma Lucas Laghi, autor do relatório da XP.
Com as incertezas fiscais ainda no radar e os balanços de grandes companhias sem resultados suficientes para animar os investidores, o Ibovespa mantém a trajetória de queda nesta sexta-feira.
Fonte: veja.abril.com.br