Empresa oferece pacotes de saída a funcionários na Europa, na Ásia e no Canadá enquanto concentra contratações em áreas prioritárias
O Google ampliou seu programa de demissão voluntária para funcionários de cinco países enquanto busca conter custos diante dos investimentos em inteligência artificial. A empresa confirmou à Reuters que começou a oferecer pacotes de desligamento em junho a parte dos empregados no Canadá, na França, na Alemanha, no Japão e na Suíça. A expansão foi revelada pela agência nesta quarta-feira (4).
O número de funcionários que aceitaram as ofertas não foi informado. O programa prevê compensação financeira para quem decide deixar a companhia e dá continuidade a iniciativas adotadas desde 2025 em algumas divisões nos Estados Unidos e no Reino Unido.
A medida ocorre durante uma realocação de recursos na Alphabet, controladora do Google. Embora o quadro total de funcionários tenha crescido nos últimos trimestres, a companhia tem concentrado contratações em áreas consideradas prioritárias, especialmente inteligência artificial e computação em nuvem.
Pacote na Suíça prevê até 12 salários
Na Suíça, onde o Google emprega aproximadamente 5.000 pessoas e mantém um importante centro de engenharia em Zurique, a oferta abrangeu diversas divisões. A unidade de inteligência artificial DeepMind ficou de fora, conforme três pessoas com conhecimento do assunto ouvidas pela Reuters.
O programa foi anunciado em meados de junho, e os funcionários que solicitaram adesão receberam respostas até meados de julho. As primeiras saídas começaram em agosto.
O pacote suíço ofereceu um mês de salário por ano de serviço, limitado a 12 meses. Um empregado com cinco anos de empresa, por exemplo, teria direito a cinco salários, enquanto alguém com 15 anos receberia o teto de 12. As condições relatadas para a Suíça não foram confirmadas para os demais países.
Uma das fontes informou à Reuters que pelo menos quatro empregados de uma equipe de aproximadamente 50 pessoas aceitaram a proposta. O dado se refere a esse grupo específico e não permite estimar a adesão no país ou no conjunto da companhia.
Contratações se concentram em inteligência artificial
A diretora financeira da Alphabet, Anat Ashkenazi, tem apontado inteligência artificial e computação em nuvem como prioridades de contratação nas apresentações de resultados. Funcionários do Google Cloud e da DeepMind foram excluídos de ofertas anteriores de desligamento voluntário.
A expansão internacional mantém essa diferenciação entre áreas, como mostra a exclusão da DeepMind do programa suíço. O movimento combina a redução de equipes em determinadas operações com a contratação de profissionais para os negócios que concentram os investimentos.
A iniciativa não estabelece, por si só, um total de postos eliminados. A adesão depende da decisão dos empregados elegíveis, e a empresa não divulgou uma meta de saídas.
O Google já recorreu a cortes obrigatórios após ofertas voluntárias em pelo menos uma divisão. Na Suíça, a companhia demitiu mais de 200 funcionários em 2023, episódio que provocou protestos e uma paralisação de empregados.
Fonte: veja.abril.com.br