Clube afirma em nota que a proibição não elimina o mercado ilegal e coloca em risco investimentos no esporte nacional
O Flamengo emitiu uma nota nesta sexta-feira (25) onde demonstra preocupação com o possível fim das bets no Brasil.
“O jogo não vai acabar com uma canetada. O que acaba é a parte que o Brasil consegue regular, fiscalizar, tributar e responsabilizar”, escreveu o clube em comunicado.
“O esporte brasileiro não pode ser enfraquecido por uma decisão que não elimina o jogo, não elimina o mercado ilegal e ainda coloca em risco os investimentos, os empregos e os compromissos construídos dentro das regras que o próprio país estabeleceu”, concluiu.
Entenda a Medida Provisória (MP)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) já declarou que deve publicar a MP contra as “bets”, mas o teor exato do texto ainda é desconhecido. Existe a possibilidade de um veto total, proibindo completamente o funcionamento das empresas, ou proibições parciais, como a desabilitação de cassinos online e o fim da publicidade relacionada aos jogos.
Uma Medida Provisória tem força de lei e passa a valer imediatamente após ser publicada no Diário Oficial da União (DOU). Órgãos reguladores podem iniciar a derrubada de sites e aplicativos, além do bloqueio de transações financeiras. Os acordos de patrocínio seriam suspensos, tornando-se ilegais.
A MP tem validade de 60 dias, prorrogáveis por mais 60, totalizando 120 dias. Dentro desse período, o Congresso Nacional precisa aprovar o texto. Caso contrário, a medida perde validade e a legislação anterior volta a vigorar. Entidades, como o Instituto Brasileiro do Jogo Responsável, já afirmaram que entrarão com recursos judiciais em caso de proibição.
Riscos da proibição e o mercado ilegal
O setor alerta que a proibição empurraria esses milhões de apostadores para “ambientes sem controle, que aceitam menores de idade e cartões de crédito”. Em contraste, o mercado legal verifica idade e CPF, impede que 3 milhões de beneficiários de programas sociais apostem e já atendeu 1,2 milhão de pedidos de autoexclusão.
O comunicado de casas de apostas divulgado em conjunto, Sportingbet, Betano, Betnacional e Superbet, destaca que o mercado ilegal brasileiro é frequentemente explorado pelo crime organizado para aplicar golpes digitais.
O governo já bloqueou mais de 66 mil domínios ilegais, mas, em apenas uma semana de setembro, 6.409 ainda estavam no ar, com 14 novos sendo criados diariamente. Atualmente, o mercado clandestino já responde por 41% do volume apostado no país.
As empresas argumentam que, com uma proibição total, esse número “saltará para 100%”. A consultoria LCA estima que, caso toda a demanda migre para operadores ilegais, até R$ 73 bilhões em arrecadação estariam em risco entre 2027 e 2030. “Se o objetivo é proteger o cidadão, o caminho é mais fiscalização, não menos”, afirmaram as bets na nota.
Clubes impactados pelos patrocínios
A nota conjunta é acompanhada por um carrossel de imagens e textos que debatem os dados e o impacto das casas de apostas.
Diversos clubes brasileiros possuem contratos de patrocínio com essas empresas, incluindo: Sportingbet (Palmeiras, Vasco), Betano (Flamengo e Campeonato Brasileiro), Betnacional (Cruzeiro) e Superbet (Fluminense, São Paulo), entre outros.
No dia 17 de setembro, vários clubes já haviam se manifestado contra uma eventual proibição, defendendo a manutenção e a regulação do funcionamento das empresas no Brasil.
Eles alertam que o encerramento abrupto dos acordos de patrocínio afetaria receitas “fundamentais para manter estruturas administrativas, centros de treinamento, profissionais, projetos sociais e departamentos”.
Veja nota completa do Flamengo
O Brasil levou anos discutindo como regulamentar as apostas esportivas. O Congresso aprovou, o governo regulamentou, empresas pagaram para operar legalmente no país, fizeram investimentos e passaram a cumprir regras de fiscalização, tributação e proteção ao consumidor.
Não se pode criar uma regra, levar empresas e instituições a assumir compromissos com base nela e, de um dia para o outro, mudar todo o marco regulatório. Nenhuma regulamentação é intocável. Se existem problemas, as regras precisam ser aperfeiçoadas. Se precisam ser mais duras, que sejam.
Quem descumpre a lei deve ser punido. Mas existe uma diferença fundamental entre aperfeiçoar uma regulamentação e simplesmente desmontá-la. Isso é uma questão de segurança jurídica. E segurança jurídica não interessa apenas às empresas de apostas.
Interessa a qualquer pessoa, empresa ou instituição que invista, contrate e faça planos de longo prazo no Brasil confiando nas regras estabelecidas pelo próprio Estado. A mudança atinge em cheio o esporte brasileiro. Uma decisão dessa dimensão afeta o futebol profissional, as categorias de base, o futebol feminino, os esportes olímpicos e os campeonatos.
O esporte brasileiro não pode ser analisado apenas a partir da realidade financeira dos clubes de maior receita. E não são atingidos apenas os clubes, é uma cadeia que recebe um impacto imediato: empregos diretos e indiretos, empresas de comunicação, marketing e tecnologia, fornecedores, arenas, prestadores de serviços e toda uma cadeia econômica.
Atinge também a arrecadação pública. O mercado regulado gera recursos por meio de impostos e das destinações previstas em lei, que chegam aos cofres públicos e são destinados a áreas de interesse da sociedade.
Enfraquecer o mercado legal pode produzir uma combinação especialmente ruim: menos recursos para o esporte e menos arrecadação para o país. E o brasileiro ficará mais protegido? Essa talvez seja uma das perguntas centrais dessa discussão. Proibir as empresas que operam legalmente não significa acabar com as apostas.
O jogo não desaparece e o mercado clandestino, que representa parcela expressiva da atividade, vai crescer e ocupar esse espaço. Pesquisa do Instituto Locomotiva, realizada em maio de 2026 em todo o país com 2.291 apostadores, aponta a presença relevante de práticas associadas ao mercado ilegal.
Estudo da LCA Consultores, baseado nessa pesquisa, estima que entre 38% e 44% do valor apostado online no Brasil ocorra atualmente em plataformas clandestinas. Há um dado particularmente importante: a participação estimada do mercado ilegal caiu depois da regulamentação, passando daquela faixa de 41% a 51% em 2025 para 38% a 44% no primeiro semestre de 2026.
O jogo não vai acabar com uma canetada. O que acaba é a parte que o Brasil consegue regular, fiscalizar, tributar e responsabilizar. E o resultado pode ser menos segurança para quem investe, menos recursos para o esporte e para o país e menos capacidade de fiscalização sobre a atividade. O Brasil precisa combater o jogo ilegal. Precisa proteger sua população.
Mas também precisa preservar a segurança jurídica, a capacidade de investimento e a sustentabilidade de suas instituições esportivas. O esporte brasileiro não pode ser enfraquecido por uma decisão que não elimina o jogo, não elimina o mercado ilegal e ainda coloca em risco os investimentos, os empregos e os compromissos construídos dentro das regras que o próprio país estabeleceu.
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Esse texto foi gerado por inteligência artificial com base no conteúdo produzido pela Itatiaia. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN Brasil.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br