Saldo comercial chegou a US$ 938,11 bilhões de janeiro a setembro, com demanda por chips e automóveis sustentando as vendas externas
As exportações da China cresceram 36,3% em setembro em relação ao mesmo mês de 2025, impulsionadas pela demanda por produtos de tecnologia e automóveis. As vendas externas atingiram o recorde de US$ 447,2 bilhões e contribuíram para um superávit comercial de US$ 133,53 bilhões, segundo dados da alfândega chinesa divulgados nesta quarta-feira, 14.
A alta das exportações superou tanto o avanço de 25% registrado em agosto quanto a expectativa de crescimento de 25,5% dos economistas. Foi o ritmo mais forte desde fevereiro. As importações também aceleraram, com aumento de 31% na comparação anual, ante 28,2% em agosto e previsão de 24,5%.
O superávit comercial corresponde à diferença entre o que um país exporta e importa quando as vendas ao exterior são maiores que as compras. De janeiro a setembro, o saldo chinês acumulou US$ 938,11 bilhões, aproximando o país da marca de US$ 1 trilhão, alcançada em novembro do ano passado. Em 2025, o resultado anual foi recorde, de US$ 1,189 trilhão.
A expansão das vendas externas ajuda a sustentar a produção das fábricas chinesas enquanto o consumo doméstico e os investimentos apresentam desempenho mais moderado. A demanda internacional por equipamentos ligados à inteligência artificial e à tecnologia verde está entre os fatores que favorecem os embarques.
Chips e carros impulsionam exportações
Nos primeiros nove meses de 2026, o valor das exportações de chips aumentou 108,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os embarques de automóveis cresceram mais de 50%, tanto em valor quanto em volume, segundo os dados divulgados pela Reuters.
A distinção entre valor e volume é importante para interpretar os resultados. Uma alta no valor exportado pode refletir aumento dos preços, mudança no tipo de produto vendido ou maior quantidade de mercadorias. No caso dos automóveis, os números indicam crescimento também da quantidade enviada ao exterior.
O avanço das exportações ampliou o saldo comercial com dois dos principais parceiros da China. Em setembro, o superávit com os Estados Unidos chegou a US$ 34,01 bilhões, o maior em vinte meses. Com a União Europeia, foi de US$ 34,8 bilhões.
Pressão dos parceiros comerciais
O crescimento do saldo aumenta a possibilidade de novas restrições às mercadorias chinesas. A União Europeia e a China anunciaram neste mês um acordo para limitar as exportações de veículos híbridos chineses ao bloco, com medidas comerciais previstas para serem definidas em dezembro.
Segundo a Reuters, esse prazo pode estimular fabricantes a antecipar embarques antes da aplicação das regras. A expansão das vendas externas, portanto, ocorre enquanto empresas e governos negociam condições de acesso aos mercados.
Wang Jun, vice-ministro da Alfândega, afirmou que conflitos geopolíticos e outras incertezas externas podem afetar o comércio. Ainda assim, disse haver condições para que exportações e importações continuem crescendo no quarto trimestre.
Fonte: veja.abril.com.br