Pular para o conteúdo
No ar
Ao vivo agora 3CLIMAS CULTURA RÁDIO JORNAL TV
Tocando agora 3CLIMAS CULTURA ao vivo
Fale no WhatsApp

Estudante de 15 anos perde a mão em explosão de granada policial durante protestos na França

Investigação sobre o incidente é aberta e premiê francês tenta acalmar revolta popular por escassez de professores e falta de investimento público na educação

Em meio aos protestos estudantis que tomaram conta da França, um manifestante que 15 anos perdeu a mão em uma explosão nesta segunda-feira, 5. O caso ocorreu na cidade de Lens, no norte francês, enquanto centenas de escolas amanheceram fechadas por todo o país devido aos bloqueios dos prédios por alunos que demandam mais investimento público na educação.

De acordo com o jornal local La Voix du Nord, o adolescente perdeu a mão após pegar uma granada de efeito moral da polícia. O prefeito de Lens, François-Xavier Lauch, anunciou a abertura de uma investigação sobre o incidente.

Os protestos começaram no final de setembro em uma escola de ensino médio nos arredores de Paris, motivados pela escassez de professores. O governo foi pego de surpresa quando o movimento se espalhou por todo o país, impulsionado pela indignação com a desigualdade social e a falta de investimento no sistema educacional.

Desde a última segunda-feira, os atos ganharam contornos violentos, com confrontos entre manifestantes e a polícia e incêndios em escolas. Cerca de 5 mil pessoas em sua maioria adolescentes foram detidas em toda a França, e dezenas ficaram feridas. A família de um estudante de 16 anos em Tours, no leste do país, registrou uma queixa por violência policial após o jovem perder a visão do olho direito devido ao impacto de uma bala de borracha. Uma investigação está em andamento.

Continua após a publicidade

Professores também ficaram feridos, ao passo que os danos materiais são estimados na casa das dezenas de milhões de euros.

Governo tenta acalmar a revolta

Nesta segunda-feira, o Ministério da Educação francês estima que entre 400 e 500 escolas permanecem total ou parcialmente fechadas, de um total de 3.700. Os protestos continuam mesmo após o primeiro-ministro do país, Sébastien Lecornu, tentar acalmar os ânimos ao reconhecer as queixas dos estudantes eram “legítimas”, afirmar que o governo precisa ouvir suas demandas e prometer propostas concretas até o final de outubro.

Lecornu ordenou que seu gabinete aborde as cinco principais reivindicações dos estudantes, entre elas a substituição de professores ausentes, reconhecendo que alunos de algumas regiões perdem meses de aulas devido à escassez de profissionais inclusive em anos decisivos para exames. O premiê também pediu uma revisão da longa jornada escolar na França, que está entre as mais extensas da Europa.

Continua após a publicidade

+ A safra de protestos na França dividida

O governo também analisará a realização de reparos em prédios escolares deteriorados. Manifestantes relataram infiltrações de água nas salas de aula, presença de baratas, desabamento de tetos e calor insuportável no verão.

Continua após a publicidade

“Nossa prioridade é restaurar a ordem”, disse a porta-voz do governo, Maud Bregeon, à emissora de TV CNews nesta segunda.

Greve nacional à vista

Não há, porém, sinais de arrefecimento. Sindicatos estudantis convocaram um dia nacional de protestos para esta terça-feira, 6, com a previsão de que mais escolas sejam bloqueadas. Espera-se que milhares de sindicalistas, professores, servidores públicos e grupos de pais participem de marchas em cidades de toda a França.

Universitários também continuaram a apoiar os colegas mais jovens nesta segunda, com até 40 faculdades bloqueadas em toda a França. Philippe Baptiste, ministro do Ensino Superior, disse prever que o movimento se intensifique a partir da greve desta terça.

Continua após a publicidade

“Em meio a tanta revolta, algumas medidas apenas para inglês ver não vão satisfazer as reivindicações”, disparou Sophie Binet, líder do sindicato de esquerda CGT.

Os protestos ocorrem em meio a discussões mais amplas sobre um necessário, mas doloroso corte de gastos públicos para controlar o preocupante déficit francês. Lecornu apresentou uma proposta para enxugar 54 bilhões de euros (mais de R$ 300 bilhões) do orçamento de 2027, medida que afetaria, entre outros campos, a educação.

Continua após a publicidade

A medida impopular coloca ainda mais pressão sobre Emmanuel Macron, o presidente centrista que viu uma sucessão de primeiros-ministros caírem devido à falta de força política para pôr a faxina em prática. Arrumar a casa, em paralelo, ganha contornos urgentes com as eleições gerais, ali na esquina, no início de 2027: a extrema direita de Marine Le Pen está em primeiro lugar nas pesquisas de opinião, e Macron, que já atingiu o limite de reeleições, tentará preservar seu legado por meio de um herdeiro ainda não definido.

Publicidade

Fonte: veja.abril.com.br

Compartilhar