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Empresas já enfrentam pressão após eleições, diz CFO da Monkey

Alta dos juros futuros e inadimplência elevada podem encarecer financiamentos; antecipação de recebíveis é alternativa para aliviar o caixa das companhias

O custo do crédito para as empresas brasileiras pode ficar ainda mais elevado em 2027, diante da disparada dos juros futuros após o segundo turno das eleições presidenciais e dos níveis elevados de inadimplência. A avaliação é de Calil Gedeon, CFO da Monkey, fintech especializada em antecipação de recebíveis, que vê um cenário desafiador para companhias que dependem de financiamento para manter suas operações e investir em expansão.

Em entrevista à VEJA Negócios, o executivo afirma que a reação do mercado ao resultado eleitoral alterou significativamente as expectativas para o custo do dinheiro no país. Segundo ele, o contrato de juros futuros com vencimento em 2031 passou de 12,64% para 15,24% entre a sexta-feira anterior à votação e a segunda-feira seguinte, uma elevação de 2,6 pontos percentuais. A régua do preço do dinheiro mudou, afirma Gedeon.

O movimento tem consequências diretas para o crédito corporativo. Como os títulos públicos servem de referência para as taxas de juros, o aumento do custo de financiamento do governo tende a encarecer também a captação de recursos pelos bancos, que podem repassar essa pressão às empresas. O cenário é agravado pela inadimplência elevada, que aumenta o risco das operações e leva as instituições financeiras a exigir taxas maiores para conceder empréstimos. Segundo Gedeon, o impacto não será uniforme. Companhias com receitas diversificadas internacionalmente, menor endividamento e garantias mais robustas podem enfrentar condições diferentes daquelas que dependem exclusivamente do mercado brasileiro.

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Antecipação de recebíveis ganha espaço

Diante desse cenário, a antecipação de recebíveis aparece como uma alternativa para empresas que precisam reforçar o fluxo de caixa sem recorrer necessariamente às linhas tradicionais de crédito.

A modalidade permite antecipar valores de vendas realizadas a prazo mediante o pagamento de uma taxa de desconto. Em operações de risco sacado, fornecedores podem conseguir condições mais favoráveis quando vendem para grandes empresas com menor risco de crédito. Na plataforma da Monkey, segundo Gedeon, determinadas operações apresentam taxas de CDI mais um ou dois pontos percentuais ao ano, enquanto outras modalidades de financiamento podem chegar a CDI mais quatro, cinco ou seis pontos percentuais, dependendo do perfil da empresa e da transação.

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O executivo ressalta que a antecipação não deve ser utilizada indiscriminadamente. A operação pode fazer sentido para aproveitar descontos em compras à vista ou cobrir despesas pontuais, como o pagamento do décimo terceiro salário. Já recorrer continuamente ao instrumento para compensar déficits estruturais de caixa pode agravar problemas financeiros. Seria o equivalente a eu tomar um empréstimo de curto prazo para financiar uma obrigação de longo prazo, compara Gedeon.

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Outra transformação prevista para o mercado é a expansão da duplicata escritural, sistema que registra eletronicamente recebíveis originados de transações comerciais entre empresas. Segundo o executivo, a expectativa é que a obrigatoriedade avance para grandes empresas em 2027, exigindo adaptações nos sistemas de pagamento, tecnologia e gestão financeira. Para o CFO da Monkey, um dos principais erros das grandes companhias é deixar a preparação para mudanças regulatórias para a última hora. A falta de planejamento pode gerar despesas inesperadas, atrasos e dificuldades para contratar fornecedores especializados. Minimizar ou deixar para depois a preparação para essas mudanças regulatórias é o risco, alerta.

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Com juros elevados e novas exigências pela frente, a avaliação do executivo é que as empresas precisarão reforçar o planejamento financeiro, buscar operações com menor risco e avaliar cuidadosamente o custo de cada financiamento.

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Fonte: veja.abril.com.br

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