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Milhares de civis deixam cidade ocupada pela Rússia em trégua mediada por Melania Trump

Cessar-fogo viabilizou a entrada de ajuda humanitária e a retirada de moradores de Oleshky, no sul da Ucrânia

Moradores de Oleshky, cidade no sul da Ucrânia ocupada pelas forças russas, começaram a deixar a região nesta sexta-feira, 30, após um cessar-fogo intermediado pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump. A trégua permitiu a entrada de um comboio com alimentos, medicamentos e outros insumos, além da retirada dos civis que o desejassem por meio de um corredor humanitário.

Desde o início da guerra, em fevereiro de 2022, a população local caiu de mais de 24 mil para cerca de 2 mil habitantes. Oleshky foi tomada pela Rússia nos primeiros dias da invasão e, desde então, seus moradores enfrentam condições precárias de sobrevivência. Segundo relatos de habitantes à agência AFP, a escassez de alimentos e água chegou a levar algumas pessoas a caçar e comer pombos. Outros contaram que precisavam atravessar trajetos minados, um deles conhecido como estrada da morte, para conseguir suprimentos.

O cessar-fogo entrou em vigor na terça-feira 27 e deve durar até domingo, 1º de novembro. A operação mobilizou 25 ônibus e nove ambulâncias. Os moradores que decidiram partir foram levados inicialmente para a Crimeia, península anexada por Moscou em 2014, e depois separados de acordo com o destino escolhido: Rússia ou Ucrânia.

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Trajeto de 1.600 km

Para os civis que desejam retornar ao território ucraniano, o percurso é longo e indireto. Segundo o negociador ucraniano David Arakhamia, os moradores que escolheram esse destino seguiram de Oleshky para Anapa, no sul da Rússia. De lá, viajaram de avião para Belarus e, posteriormente, atravessaram a fronteira com a Ucrânia de ônibus. O trajeto ultrapassa 1.600 quilômetros. As autoridades não divulgaram o número total de pessoas retiradas.

A comissária russa de direitos humanos, Yana Lantratova, publicou imagens de moradores aguardando para embarcar nos ônibus. Ela e o representante ucraniano Dmytro Lubinets estiveram no local para acompanhar a operação. Os dois apareceram lado a lado em entrevistas e conversaram com os habitantes, em uma demonstração incomum de cooperação entre autoridades dos países em guerra.

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Nem todos, porém, decidiram partir. Autoridades dos dois lados afirmaram que parte da população pretende permanecer na cidade, mesmo com a possibilidade de retomada dos combates. Durante a operação, Lubinets disse que as autoridades fariam o possível para garantir que a ajuda humanitária chegasse também a quem optasse por ficar.

Ataques em outras regiões persistem 

O cessar-fogo em Oleshky é considerado a trégua mais longa já registrada em uma área da linha de frente desde o início da invasão russa. A pausa, no entanto, está restrita à cidade e não representa uma suspensão mais ampla das hostilidades. Outras tentativas de interrupção temporária dos ataques, como as anunciadas durante a Páscoa ortodoxa, foram marcadas por acusações mútuas de violações.

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Na madrugada desta sexta-feira, ataques russos atingiram diferentes regiões da Ucrânia. Em Dnipro, no sudeste do país, cerca de 200 mil residências ficaram sem energia elétrica após bombardeios na noite anterior. Na quinta-feira, um ataque com drone matou ao menos 15 pessoas em uma plataforma ferroviária na cidade.

Do lado russo, o vice-ministro da Energia, Alexander Novak, afirmou que a Ucrânia atingiu três refinarias de petróleo e um complexo de gás nesta sexta-feira, após uma pausa de alguns dias nesse tipo de ofensiva. O presidente americano, Donald Trump, havia pedido que Kiev interrompesse os ataques contra instalações de energia russas.

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Kremlin minimiza cooperação

Apesar do caráter excepcional da cooperação em Oleshky, o Kremlin evitou tratar o episódio como um sinal de avanço nas negociações para encerrar a guerra. O porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov, reconheceu que houve um alto grau de coordenação entre os representantes dos dois países, mas afirmou que seria difícil extrapolar a experiência para o processo de paz.

A operação também ocorre em um momento em que Moscou e Kiev buscam manter uma relação favorável com Trump, que tenta retomar as negociações entre os dois países. Os dois lados elogiaram a participação de Melania Trump na articulação da trégua. O papa Leão XIV também foi citado entre os envolvidos nos esforços para viabilizar a iniciativa.

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Enquanto as conversas diplomáticas seguem sem perspectiva concreta de acordo, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, tem uma reunião prevista com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, neste sábado, 31, em Istambul. Segundo a Presidência turca, os dois líderes já conversaram sobre a guerra e questões de segurança no Mar Negro.

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Fonte: veja.abril.com.br

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