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Em discurso de renúncia, Peña pede desculpas e diz que será julgado pela história; leia íntegra

Presidente do Paraguai deixa o cargo em meio a escândalo devido a falência do Ueno Bank, pelo qual tornou-se alvo de processo de impeachment

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira, 5, no momento em que parlamentares iniciavam um debate sobre seu impeachment. O processo havia sido aberto nesta manhã, após a falência do banco digital Ueno, uma das maiores instituições financeiras paraguaias, que levou ao congelamento dos depósitos de cerca de 3 milhões de pessoas.

A falência do Ueno Bank mergulhou a nação sul-americana em uma turbulência financeira e social, com uma explosão de protestos na capital, Assunção. O texto da acusação apresentado à Câmara por deputados da oposição pedia a abertura de um processo de impeachment “por mau desempenho de suas funções no exercício do cargo”. Entre as acusações contra Peña está a de “conflito de interesses”, além de questionamentos sobre o aumento do seu patrimônio.

Peña, que assumiu o cargo em 2023 para um mandato até 2028, possuía ações de um grupo que controlava o Ueno Bank, das quais se desvinculou em março de 2025. A oposição o acusa de tomar “decisões regulatórias supostamente favoráveis” ao banco digital e de concentrar recursos previdenciários na instituição, evocando ecos do escândalo Master no Brasil.

Leia o discurso na íntegra:

Patriotas. Hoje, dirijo-me a vocês em um dos momentos mais difíceis da minha vida. Com o coração voltado para o Paraguai e com a convicção de que a nossa República deve estar sempre acima de qualquer pessoa ou circunstância. A história se encarregará de julgar e colocar em seu devido lugar os acontecimentos que vivenciamos. Tomei a decisão de apresentar a minha renúncia à Presidência da República.

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Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas. Faço-o com absoluto respeito à nossa Constituição Nacional e aos mecanismos institucionais e democráticos que estabelecemos como nação. Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai.

Também quero pedir desculpas ao povo, caso eu tenha falhado em algum momento. Nunca foi minha intenção trair a confiança que depositaram em mim. Assumi esta responsabilidade todos os dias com a vontade de trabalhar pelo Paraguai, mas hoje a minha prioridade é uma só: a tranquilidade dos paraguaios que confiaram as suas economias ao nosso sistema financeiro. Por trás de cada depósito, há anos de esforço, sacrifício e projetos familiares. O meu maior desejo é que se garanta a devolução desses recursos, que o Fundo de Garantia de Depósitos cumpra a sua finalidade e que sejam protegidos os fundos públicos e os recursos que pertencem a todos os paraguaios.

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Queridos compatriotas, somos um país que atravessou momentos muito difíceis e que sempre soube se reerguer. Confio profundamente na força do nosso povo e na capacidade das nossas instituições para superar esta situação. Hoje, devemos demonstrar, mais uma vez, que a democracia se respeita. Que as instituições sejam preservadas. E que o Paraguai esteja acima de nossas diferenças.

Nenhum cargo é mais importante do que a estabilidade da República; nenhuma pessoa está acima do Paraguai. Agradeço a confiança. Por cada momento vivido e por terem me dado a honra de servir a esta grande nação. Que Deus abençoe cada família paraguaia e que Deus abençoe o Paraguai.

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Fonte: veja.abril.com.br

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