Apesar da proximidade com eleições brasileiras, derrota de partido de Trump traz recados diferentes das urnas nos EUA
Com a vitória avassaladora do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos (as chamadas midterms), o recado das urnas, na opinião da socióloga e cientista política Gisele Agnelli, foi a economia. A promessa central que elegeu Donald Trump em 2024 a affordability, ou recuperação do poder de compra não se materializou na percepção de grande parte dos eleitores.
Membro do Hoosier Women Forward, um dos movimentos de lideranças femininas do Partido Democrata, ela afirma que o resultado não aponta para um alinhamento da população com o partido. Para Agnelli, os eleitores reprovaram o mandato do presidente republicano e cobraram o não cumprimento da principal promessa de campanha, a redução do custo de vida das famílias norte-americanas.
Por isso, antes de apontar semelhanças entre a vitória de Lula e a derrota de Trump, ela ressalta que os motivos que moveram os eleitores em ambos os países foram distintos, embora a ameaça antidemocrática estivesse em jogo nos dois pleitos: Não acredito que a defesa da democracia tenha sido o fator decisivo das midterms“.
No futuro, ela vislumbra oportunidades para o Brasil e um cenário exige reflexão estratégica do governo Lula e, particularmente, do PT. Com os canais diplomáticos oficiais quase monopolizados pelo bolsonarismo instalado nos EUA, ela aponta a chance do governo estabelecer contato com o próprio Congresso norte-americano, agora com maioria democrata no Senado e na Câmara dos Representantes (equivalente à nossa Câmara dos Deputados).
A esquerda brasileira precisa distinguir a crítica histórica ao intervencionismo dos EUA da capacidade de construir alianças institucionais dentro da própria democracia americana, analisa.
E antes de que muitos se empolguem com os resultados, Agnelli destaca que as dificuldades para Trump não necessariamente se traduzirão no desmonte da poderosa estrutura administrativa e política montada por ele. Gisela também não acredita que veremos menos agressividade por parte do presidente. Um presidente com menos espaço no Legislativo pode recorrer ainda mais aos instrumentos unilaterais no Executivo, aponta.
Qual sua avaliação geral sobre as midterms?
O grande derrotado foi Trump, mas não necessariamente o vencedor foi o Partido Democrata. O presidente acabou se tornando o principal alvo do descontentamento expresso nas urnas.
As eleições confirmaram, de forma contundente, uma máxima clássica da ciência política: as midterms funcionam como um referendo sobre a popularidade presidencial, a percepção do desempenho econômico e o desejo do eleitorado de contrabalançar o poder do partido que ocupa a Casa Branca.
Embora Trump também tenha se consolidado como um fator de desestabilização institucional, o recado mais significativo das urnas foi econômico. A promessa central de sua campanha de 2024 a affordability, ou recuperação do poder de compra das famílias americanas não se materializou para grande parte dos eleitores.
Os democratas exploraram essa frustração com uma campanha essencialmente pragmática, concentrada no custo da alimentação, da moradia, dos combustíveis e dos serviços de saúde. Em vez de restringir a disputa à defesa abstrata da democracia ou à condenação moral do trumpismo, conseguiram traduzir o descontentamento em questões concretas do cotidiano.
A contradição entre promessa e governo foi agravada pelas próprias escolhas da administração Trump. A guerra contra o Irã, com seus efeitos sobre os preços da energia, e a política tarifária, que pressionou custos, contribuíram para alimentar a percepção de perda de poder aquisitivo.
Há também uma contradição política fundamental: Trump foi eleito prometendo America First, a priorização dos interesses domésticos e o fim do envolvimento americano em guerras externas custosas. No entanto, seu governo dedicou enorme energia política e recursos à agenda internacional, em detrimento das promessas econômicas para o eleitor americano. Essa ruptura desgastou sua popularidade e também aprofundou divisões dentro do próprio campo republicano.
Que aspecto da eleição mais chamou sua atenção?
O primeiro é o limite do redistritamento eleitoral como instrumento de preservação do poder. Mesmo diante de mapas distritais redesenhados para favorecer candidaturas republicanas, em alguns casos com consequências especialmente negativas para a representação de minorias, a insatisfação do eleitorado mostrou capacidade de superar vantagens estruturais.
O segundo é o limite do dinheiro na competição eleitoral. O protagonismo de Elon Musk como grande financiador individual, os gastos republicanos de centenas de milhões de dólares e o volume extraordinário de recursos mobilizados em disputas em estados como Texas, Michigan e Kansas demonstraram que nem mesmo campanhas financeiramente poderosas conseguem neutralizar um eleitorado muito insatisfeito.

O dinheiro pode ampliar a exposição de um candidato, financiar publicidade e fortalecer estruturas partidárias. Mas não é capaz, por si só, de transformar frustração econômica em aprovação política.
Outro elemento decisivo foi o comportamento dos eleitores independentes. Eles funcionaram como fiéis da balança, aproximando-se dos democratas não necessariamente por identificação ideológica com o partido, mas pela disposição de derrotar Trump.
O eleitorado latino também merece atenção especial. Longe de ser um bloco homogêneo, esse segmento apresentou oscilações importantes nos últimos ciclos eleitorais. Em 2024, preocupações econômicas aproximaram parte significativa desses eleitores do Partido Republicano, rompendo padrões tradicionais de identificação com democratas.
Agora, a combinação entre frustração econômica e a política migratória agressiva do governo, especialmente a atuação do ICE, contribuiu para penalizar candidaturas republicanas. A experiência concreta com as políticas de governo voltou a pesar mais do que as identificações partidárias.
Por isso, seria precipitado interpretar os resultados como uma transformação estrutural do eleitorado americano em direção ao Partido Democrata. O próprio partido enfrenta problemas de popularidade, identidade e capacidade de mobilização.
O que as urnas revelaram foi menos uma adesão entusiasmada aos democratas do que uma rejeição contundente ao trumpismo no exercício do poder. Essa distinção é fundamental. O eleitor que ajudou a eleger Trump em 2024 não necessariamente se tornou democrata em 2026. Em muitos casos, simplesmente concluiu que as promessas que justificaram seu voto não foram cumpridas.
Não se trata necessariamente de uma guinada ideológica à esquerda. Trata-se de um eleitorado cobrando a conta de um governo que prometeu melhorar sua vida e que, na sua percepção, falhou em entregar.
O eleitor que ajudou a eleger Trump em 2024 não necessariamente se tornou democrata em 2026. Em muitos casos, simplesmente concluiu que as promessas que justificaram seu voto não foram cumpridas.
Quais as implicações das midterms para os bolsonaristas que moram nos EUA?
Em 30 de outubro, 25 congressistas democratas, liderados por Sydney Kamlager-Dove e Dina Titus, solicitaram explicações ao secretário de Estado, Marco Rubio, sobre a eventual participação de autoridades americanas na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil e em sua entrada nos EUA, apesar das restrições judiciais brasileiras.
Uma maioria democrata poderia aprofundar essa fiscalização, examinando decisões migratórias, comunicações diplomáticas, eventual assistência de órgãos governamentais e utilização de recursos públicos. Isso não permitiria ao Congresso determinar unilateralmente uma extradição ou deportação. Mas poderia transformar uma controvérsia bilateral em uma investigação institucional sobre a conduta do próprio governo americano.

Com a derrota de Trump e dos Bolsonaro em eleições tão distintas e com menos de dez dias de intervalo, você identifica algum tipo de recado das urnas similar em ambos os países?
É difícil estabelecer uma comparação direta entre uma eleição presidencial no Brasil e uma eleição de meio de mandato nos EUA. São disputas de naturezas diferentes. Mas há elementos importantes a considerar.
No Brasil, a eleição ocorreu em um contexto no qual a estabilidade democrática e institucional estava diretamente em disputa. A candidatura de Flávio Bolsonaro representava a continuidade de um projeto político familiar associado às tentativas de ruptura democrática e à contestação das instituições brasileiras.
Nos EUA, apesar da instabilidade institucional produzida por Trump, da deterioração dos mecanismos democráticos e do avanço de um projeto de concentração de poder que considero autocrático, não acredito que a defesa da democracia tenha sido o fator decisivo das midterms.
O eleitor americano me parece ter agido de maneira muito mais pragmática. A eleição foi, sobretudo, um julgamento da incapacidade de Trump de cumprir uma de suas principais promessas de 2024: melhorar o custo de vida da população.
O eleitor está punindo Trump porque sente que sua vida piorou, não necessariamente porque compreendeu a dimensão do processo de erosão democrática em curso.
Vejo ainda um certo ceticismo da sociedade norte-americana em relação à possibilidade de uma autocracia se consolidar nos EUA. A força histórica das instituições democráticas talvez contribua para a percepção de que elas seriam capazes de resistir indefinidamente às investidas autoritárias.
Isso não significa que a defesa da democracia esteja ausente da sociedade. As mobilizações populares, particularmente os protestos do movimento No Kings, demonstraram que existe uma resistência social expressiva à concentração de poder e às práticas autoritárias da administração Trump.
As duas eleições revelam formas diferentes de reação a projetos políticos associados à erosão democrática. No Brasil, a ameaça institucional ocupou um lugar mais explícito na disputa presidencial. Nos EUA, a reação eleitoral parece ter sido impulsionada principalmente pela frustração econômica.
O eleitor americano pode ter imposto uma derrota política importante a Trump sem necessariamente ter rejeitado, de maneira consciente e definitiva, o projeto de poder que ele representa.
Embora cargos no Executivo federal, onde estão importantes aliados do bolsonarismo, como o secretário de Estado Marco Rubio, não estivessem em jogo, o resultado das midterms pode trazer alguma mudança na interlocução entre Brasil e EUA?
Existe um paradoxo especialmente interessante. O Brasil iniciará 2027 com um presidente de centro-esquerda e um Congresso de maioria conservadora. Os EUA devem apresentar uma configuração quase inversa: um presidente da direita radical e um Legislativo controlado pelos democratas, cuja coalizão reúne desde progressistas até liberais moderados.
Essa assimetria cria oportunidades de interlocução que ultrapassam as afinidades entre governos. Brasília e Washington poderão encontrar convergências institucionais entre seus respectivos Executivos e Legislativos, mesmo quando as maiorias parlamentares de cada país estiverem ideologicamente distantes de seus presidentes.
Em outubro de 2025, cinco senadores republicanos já se uniram aos democratas para aprovar uma resolução contra as tarifas impostas ao Brasil. O precedente é importante porque demonstra que determinadas políticas de Trump podem produzir coalizões bipartidárias, especialmente quando seus custos econômicos atingem consumidores, empresas e produtores norte-americanos.
Para o Brasil, a mudança mais significativa não seria necessariamente encontrar um Trump mais moderado, mas um Trump com menor capacidade política de impor unilateralmente suas decisões.
Esse cenário exige uma reflexão estratégica do governo Lula e, particularmente, do PT.
A esquerda brasileira mantém uma desconfiança histórica em relação aos EUA, compreensível diante do intervencionismo americano na América Latina. Essa memória histórica é legítima e não deve ser relativizada.
Entretanto, seria um erro transformar essa experiência em uma interpretação estática dos EUA como um ator político homogêneo. A política americana não se resume ao presidente.
Em 2026, encontramos novamente parlamentares democratas questionando iniciativas da administração Trump relacionadas ao Brasil, incluindo o tratamento conferido à embaixadora brasileira [os EUA revogaram o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, em agosto deste ano] e as circunstâncias da entrada de Flávio Bolsonaro nos EUA. Esses episódios revelam que existem interlocutores americanos interessados na preservação da relação bilateral e no respeito às instituições brasileiras, mesmo quando o Executivo norte-americano adota uma orientação distinta.
A esquerda brasileira precisa distinguir a crítica histórica ao intervencionismo dos EUA da capacidade de construir alianças institucionais dentro da própria democracia americana.
A soberania brasileira não depende de manter distância dos EUA. Depende de preservar autonomia decisória enquanto o país amplia seus interlocutores e suas possibilidades de negociação. Nesse sentido, uma eventual maioria democrata pode oferecer ao Brasil uma oportunidade política que não deveria ser desperdiçada.
A política doméstica brasileira passou a integrar disputas e redes de influência nos EUA. Nesse contexto, seria limitado que o governo brasileiro concentrasse sua atuação exclusivamente na interlocução com Trump. O Brasil precisa desenvolver uma diplomacia parlamentar e política mais ativa em Washington, preservando a diplomacia oficial conduzida pelo Itamaraty.
Como isso poderia ser feito na prática?
Isso significa ampliar o diálogo entre os congressos de ambos os países, entre dirigentes partidários e seus interlocutores internacionais, além de fortalecer a comunicação institucional com comissões que acompanham comércio exterior, relações internacionais, direitos humanos e segurança nacional.
O PT e outras forças democráticas brasileiras também podem desenvolver canais transparentes com diferentes correntes do Partido Democrata, desde sua ala progressista até os parlamentares mais moderados.
O aspecto essencial é preservar uma divisão institucional clara. Lula deve continuar negociando com Trump como chefe de Estado. O Itamaraty precisa manter relações com o Departamento de Estado e os demais órgãos da administração americana, independentemente da orientação partidária do governo. Paralelamente, o Congresso brasileiro pode aprofundar relações com seus equivalentes americanos, enquanto partidos e organizações políticas desenvolvem suas interlocuções.
Há, contudo, uma complexidade: o novo Congresso brasileiro será majoritariamente conservador e não necessariamente compartilhará as prioridades internacionais do governo Lula. Por isso, a diplomacia parlamentar brasileira também dependerá da capacidade de construir convergências internas em temas como tarifas, investimentos, exportações e autonomia nacional. O objetivo não deve ser substituir a interlocução com republicanos pela interlocução com democratas, mas impedir que a relação entre os países fique monopolizada por uma única corrente política.
Trump poderá preservar sua disposição para exercer pressão comercial e diplomática, mas vai enfrentar restrições políticas crescentes para sustentá-la. Isso pode ampliar a margem de negociação brasileira, sobretudo em questões que também produzam resistência entre empresários, produtores agrícolas e parlamentares americanos.
Nesse contexto, considero estrategicamente relevante a possibilidade de que negociações sensíveis sobre tarifas, minerais críticos e controvérsias diplomáticas sejam conduzidas em um ambiente posterior às midterms, quando a correlação de forças em Washington estiver mais clara.
Na agenda de minerais críticos, essa mudança poderá ser especialmente importante. Na competição entre EUA e China por recursos estratégicos, o Brasil pode encontrar oportunidades para ampliar a discussão sobre as condições econômicas e tecnológicas desses investimentos. A existência de diferentes centros de influência em Washington pode ampliar os interlocutores brasileiros em negociações sobre financiamentos, cadeias de suprimentos e compromissos de longo prazo.
O que acontece com as ações que tentaram frear medidas do governo Trump, diante da nova configuração do Senado e da Câmara?
Durante os dois primeiros anos do segundo mandato de Trump, a maioria republicana no Congresso ofereceu ao Executivo um ambiente politicamente favorável à expansão de seus poderes. Isso ficou evidente na utilização da lei International Emergency Economic Powers Act (IEEPA) para justificar tarifas internacionais.
A Constituição atribui ao Congresso americano competência sobre tarifas e comércio exterior. A Suprema Corte precisou intervir, em fevereiro de 2026, para estabelecer que a IEEPA não autorizava o presidente a impor aquelas tarifas. O episódio demonstrou os limites jurídicos da autoridade presidencial, mas também a fragilidade dos contrapesos políticos quando o Legislativo não contesta o Executivo.
Uma maioria democrata pode modificar substancialmente esse cenário, respondendo mais rapidamente a medidas semelhantes, convocando autoridades e promovendo investigações.
Não seria, entretanto, um poder absoluto. Trump conservaria o direito de vetar legislação, e a derrubada de um veto exige dois terços dos votos nas duas Casas.

Há, porém, limites institucionais decisivos. Os democratas não conquistaram 60 cadeiras no Senado, número geralmente necessário para encerrar o debate. Isso significa que a nova maioria precisará negociar votos com republicanos para aprovar parte de sua agenda. Também não dispõe de dois terços em cada Casa para derrubar sozinha vetos presidenciais.
No caso do impeachment, é importante fazer uma distinção: a Câmara pode aprovar a acusação por maioria simples, mas a condenação e remoção de um presidente exigem dois terços dos senadores. Portanto, a vitória democrata não equivale a um poder irrestrito de legislar ou destituir Trump.
O principal instrumento será o congressional oversight, a prerrogativa de fiscalização do Executivo com as comissões parlamentares. Com uma maioria democrata, essas comissões poderão conduzir investigações, emitir intimações, convocar autoridades e exigir documentos.
Uma frente particularmente sensível envolve os possíveis conflitos entre interesses públicos e privados na administração Trump. Os negócios da família presidencial, suas relações com investidores e decisões que possam ter beneficiado interesses particulares poderão ser examinados com maior profundidade.
Outro campo de fiscalização será a política externa. As operações militares americanas no Caribe, por exemplo, poderão enfrentar maior escrutínio. Os parlamentares não conseguirão necessariamente impedir cada ação militar, mas poderão aumentar significativamente os custos políticos e institucionais de sua continuidade.
Essa formulação expressa um paradoxo da Presidência americana: a perda de capacidade legislativa não implica necessariamente redução da iniciativa presidencial. Pode produzir um deslocamento do exercício do poder para as áreas em que o Executivo preserva maior autonomia. Diante de um Congresso hostil, Trump poderá ter mais dificuldades para aprovar reformas, ampliar programas e modificar estruturalmente a legislação. Mas continuará controlando instrumentos significativos nas áreas de diplomacia, segurança nacional, imigração, sanções e política comercial.
Isso pode estimular uma dependência ainda maior de ordens executivas, decisões administrativas e instrumentos de pressão internacional.
A derrota republicana acentua sua condição política de lame duck [pato manco], o presidente que se aproxima do fim de seu ciclo sem poder disputar uma nova eleição presidencial. Ele continuaria sendo presidente até janeiro de 2029, mas poderia enfrentar uma redução progressiva de sua capacidade de disciplinar a coalizão republicana.
Esse enfraquecimento eleitoral não significa, contudo, que Trump tenha deixado de ser um Executivo poderoso. Nos dois primeiros anos do Trump 2, ele construiu e consolidou uma presidência extraordinariamente fortalecida. A derrota nas urnas não desmonta automaticamente essa estrutura administrativa e política. Por isso, não acredito que veremos necessariamente menos agressividade. Um presidente com menos espaço no Legislativo pode recorrer ainda mais aos instrumentos unilaterais no Executivo.
Ao mesmo tempo, vejo a condição de lame duck como uma inflexão favorável ao Brasil e ao mundo. Um Congresso politicamente forte na oposição pode diminuir a perspectiva de consolidação e continuidade, para além de Trump, de um projeto de extrema direita que, na minha análise, ameaça a democracia norte-americana. Ele continua poderoso até o fim do mandato, mas o horizonte de longo prazo desse projeto passa a enfrentar obstáculos institucionais maiores.
Fonte: apublica.org