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Com pai, irmão e marido presos, Natália Vorcaro lidera defesa da família nos tribunais

Mãe de gêmeos recém-nascidos, irmã do banqueiro teve de assumir o papel de líder do clã em meio ao escândalo do Banco Master

A investigação de fraudes envolvendo o Banco Master virou a vida de Natália Vorcaro Zettel de cabeça para baixo num piscar de olhos.

Na esteira da prisão do irmão, o banqueiro Daniel Vorcaro, a Polícia Federal prendeu o pai dela, Henrique Vorcaro, e Fabiano Zettel, o marido e braço-direito de Vorcaro no Master.

Grávida de gêmeos, Natália viu a família desmoronar na parte mais delicada da gestação, administrando a proximidade do parto e a articulação de uma profusão de advogados que atuaram até aqui para tentar liberar o pai, o irmão e o marido.

Discreta, Natália passou os últimos sete meses em silêncio, visitando Zettel e os familiares nas prisões de diferentes estados, enfrentando em silêncio uma profusão de notícias — muitas falsas — sobre seu relacionamento e sua vida antes do início do escândalo do banco.

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Essa rotina de deslocamentos teve de ser conciliada com os cuidados com os gêmeos, hoje com sete meses, e que, segundo interlocutores de Natália, até hoje não tiveram contato nem com o pai nem com o avô ou com o tio.

Sem conseguir avançar numa proposta de delação premiada que seria feita em parceria com Vorcaro –, por forças estranhas ao interesse da própria defesa, o marido de Natália vem tentando obter autorização da Justiça para aguardar em prisão domiciliar o desfecho do caso.

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Os cuidados com os filhos pequenos, a falta de estrutura financeira para a família, diante dos ativos bloqueados no processo, e a desorganização do lar seriam argumentos a justificar a medida, mas nenhum dos pedidos da defesa foi analisado até hoje no STF.

O caso do Banco Master está num limbo jurídico desde 1º de setembro, quando o relatório da Polícia Federal sobre mensagens do banqueiro com Alexandre de Moraes foi divulgado. Presidente do Supremo, o ministro Edson Fachin tirou André Mendonça temporariamente da relatoria do processo, mas não adotou medidas para que os pedidos das defesas fossem analisados.

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Em meio a esse estranho silêncio, VEJA revelou mensagens de Vorcaro em que o banqueiro afirma ter oferecido anexos contundentes citando autoridades da República a interlocutores da PGR, mas a equipe de Paulo Gonet rejeitou ouvir os relatos.

Nesse limbo jurídico, Natália tem dito a interlocutores que a família segue sendo descredibilizada e atacada enquanto é privada de fazer o melhor — a partir de uma delação de Vorcaro e Zettel –, como ela diz no áudio obtido por VEJA em que confirma o desejo do irmão de depurar a República, entregando os poderosos que se corromperam nos negócios do Master e que seguem dando as cartas em Brasília.

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De todos os infortúnios da família, no entanto, a distância do marido dos filhos é o que mais tem causado dor, segundo relatos de Natalia. Em abril passado, diante de todo o peso emocional da situação, ela foi parar no hospital, internada na UTI com complicações derivadas do período após o parto de gêmeos e outros sinais de carga emocional. Laudos médicos sobre a ocorrência foram levados ao processo, para demonstrar a importância do auxílio do marido no lar, mas foram ignorados.

Zettel foi preso em março, juntamente com Vorcaro, após apresentar-se voluntariamente durante o cumprimento das diligências da PF.

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Na ocasião, os investigadores apreenderam celulares, notebook, tablet, pen drives, carteira de criptoativos, documentos, joias, relógios, veículo e outros materiais.

Para a defesa, esse conjunto de elementos colhidos na operação deveria reduzir riscos de interferência, alegados pelos investigadores. Cinco dias depois da prisão de Zettel, a defesa apresentou pedido de substituição da prisão preventiva pelas medidas cautelares, inclusive com possibilidade de uso de tornozeleira eletrônica, restrições de contato e limitações de deslocamento.

No pedido, a defesa sustentou, entre outros fundamentos, a ausência de contemporaneidade — fatos apurados que remontam aos anos de 2023 e 2024 — e suficiência de providências menos gravosas. Esse e outros recursos de Zettel até hoje seguem sem análise no STF.

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Fonte: veja.abril.com.br

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