Mascarados, quase uma centena de israelenses foi à vila de Abu Falah com gasolina para destruir colheita de azeitonas e fundas para lançar pedras
Quase uma centena de colonos israelenses mascarados realizaram um ataque coordenado, nesta sexta-feira, 16, contra palestinos da vila de Abu Falah, na Cisjordânia, durante a colheita anual de azeitonas.
Enquanto os habitantes locais se reuniam em um olival, o grupo, que portava galões de combustível, ateou fogo às oliveiras e lançou pedras usando fundas, espécie de estilingues gigantes, deixando ao menos dois feridos, incluindo uma repórter fotográfica do jornal americano The Washington Post.
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“Os colonos querem nos atacar e nos forçar a sair de nossas casas”, disse à agência Reuters Moutaz Abdelhadi, de 42 anos, um agricultor que presenciou o ataque em Abu Falah.

Repórter ferida
Durante o ataque, pelo menos dois jipes militares israelenses passaram rapidamente pelo local, segundo a Reuters. A ação continuou mesmo após a chegada dos soldados, que dispararam gás lacrimogêneo na direção dos palestinos que recuaram devido ao ataque. Um fotógrafo da Reuters viu ao menos um colono disparar sua arma de fogo.
Os dois feridos foram levados a hospitais na região de Ramallah. Uma das pessoas era a americana Heidi Levine, fotojornalista do Washington Post. Um vídeo do ataque mostra Levine deitada de lado em uma trilha de terra, com as mãos protegendo o rosto, enquanto pelo menos três colonos a cercavam.

“Fui atacada e empurrada ao chão. Felizmente, eu estava usando colete à prova de balas e capacete; caso contrário, provavelmente nem estaria aqui, porque eles continuaram me chutando repetidamente”, ela contou à Reuters do leito do hospital, já estável.
O ataque em Abu Falah ocorreu após um episódio semelhante, nesta manhã, nas proximidades da vila de Turmus Ayya, onde colonos incendiaram três veículos depois de atacarem um grupo de agricultores que colhiam azeitonas.
Violência aumenta na Cisjordânia
Os ataques de colonos judeus na Cisjordânia ocupada aumentaram, com pelo menos 170 incidentes registrados desde 27 de setembro período que coincide com o início da colheita anual de azeitonas , segundo a Yesh Din, uma organização israelense que monitora os assentamentos israelenses, os quais a comunidade internacional considera ilegais. Israel contesta essa visão, classificando o território como “disputado”, e não “ocupado”.
A Cisjordânia abriga cerca de 500 mil colonos e pelo menos 3 milhões de palestinos. Ao longo do governo de Benjamin Netanyahu, em que o primeiro-ministro de Israel aliou-se a partidos ultraortodoxos de extrema direita, houve uma rápida expansão de assentamentos e de postos avançados por toda a Cisjordânia.
Embora ele tenha criticado atos violentos, tomou poucas medidas para coibir incidentes que, além de condenação global, provocaram sanções por parte de aliados de longa data, incluindo o Reino Unido.
Fonte: veja.abril.com.br