Jorge Moraes analisa o que o evento parisiense pode ensinar ao Brasil, com foco em IA, tecnologia e a disputa com marcas chinesas
O Salão do Automóvel de Paris 2026 tem apresentado novas estratégias para o mercado automotivo global, reunindo fabricantes tradicionais e marcas chinesas em uma intensa disputa por espaço no mercado europeu.
O colunista Jorge Moraes, da CNN Auto, que acompanha o evento de perto, avaliou o que o mercado brasileiro pode aprender com as novidades apresentadas no salão.
IA como protagonista
Segundo Jorge Moraes, a principal lição do Salão de Paris é que a inteligência artificial passou a ditar as regras do mundo automotivo. “A inteligência artificial passou a ditar as regras do mundo automotivo”, afirmou.
A construção dos novos automóveis e os conceitos apresentados no evento refletem essa tendência, com modelos que buscam seduzir o consumidor por meio de tecnologia, baterias e inovação.
Um exemplo citado foi o RCZ, carro de origem conceitual que resgatou inspirações do passado e foi reapresentado ao público.
Jorge Moraes destacou que a concorrência com as marcas chinesas tem sido enfrentada de forma natural pelas montadoras europeias, que apostam em mais informação e tecnologia para conquistar um consumidor cada vez mais empoderado.
Para ele, esse fenômeno não é exclusivo do Brasil.
“Não é um fato isolado de, no Brasil, essa concorrência ter sido tão favorável para o cliente e para o consumidor. De alguma forma, ela está sendo favorável no mundo europeu também”, disse.
Abismo tecnológico entre Brasil e Europa
Ao ser questionado sobre as diferenças entre a atuação das mesmas marcas no Brasil e na Europa, Jorge Moraes apontou um contraste significativo, especialmente no caso de Peugeot e Citroën. Segundo ele, os produtos comercializados no mercado brasileiro são completamente diferentes dos apresentados no mercado europeu.
A Peugeot, por exemplo, fabrica os modelos 208 e 2008 em El Palomar, na Argentina, enquanto na Europa apresenta veículos tecnologicamente mais avançados, como os da família 3008.
Já a Citroën produz carros no Rio de Janeiro voltados ao poder aquisitivo do consumidor brasileiro, mas que, na avaliação do colunista, estão estacionados em termos de tecnologia.
“Essa modernidade precisa chegar aos carros feitos no Brasil e feitos na Argentina por parte da própria Stellantis”, afirmou Moraes.
Estratégias contra concorrência chinesa
Outro ponto destacado por Jorge Moraes foi a estratégia das montadoras europeias de resgatar nomes históricos para enfrentar a concorrência chinesa. A Renault, por exemplo, retomou referências como o Gordini lançado originalmente em 1964 e apresentou o e-Space, descrito como um veículo completamente novo, focado em tecnologia.
O colunista também mencionou a associação da Renault com parceiros asiáticos, citando a Renault Dili como referência nesse movimento.
Em declaração reproduzida durante o programa, Carlos Henrique Ferreira, identificado como vice-presidente de comunicação da Renault, anunciou um investimento de 5,8 bilhões de reais para o período de 2025 a 2027 no Brasil.
“Para poder estar competitivo no mercado brasileiro, assim como realmente temos um bom momento aqui na Europa, anunciamos agora um investimento de 5,8 bilhões de reais do período 2025 a 2027”, declarou Ferreira, acrescentando que o aporte contempla as marcas Renault e Dilian no país.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br