Popularmente chamado de cobreiro, doença é causada pelo vírus varicela zoster, o mesmo da catapora; pessoas com mais de 50 anos estão mais suscetíveis ao diagnóstico
A atriz norte-americana Viola Davis, de 61 anos, revelou, na última semana, que recebeu o diagnóstico de herpes-zóster logo após receber indicação ao Oscar pelo trabalho de “O Empregado”, ainda no começo deste ano. Em entrevista à revista People a artista disse que o episódio a fez aprender a priorizar mais sua saúde.
De repente, acordei com sintomas semelhantes aos da gripe e uma erupção cutânea extremamente dolorosa. Quer dizer, eu colocaria um nove de dez. Começou na minha barriga e se enrolou até as costas. Passou e depois voltou com três bolhas na parte superior das costas. Fiquei surpreso com a dor que sentia. Difícil deitar, difícil de levantar, difícil de andar. Dor nos nervos, tudo isso.
Viola Davis
O herpes-zóster, popularmente chamado de cobreiro, é causado pelo vírus varicela zoster, o mesmo da catapora. Após a primeira infecção, o germe permanece latente no organismo por décadas e pode ser reativado posteriomente, principalmente em pessoas acima de 50 anos ou com o sistema imunológico comprometido.
A enfermidade pode resultar em complicações graves, como infecções bacterianas, Síndrome de Reye (doença rara que causa inflamação no cérebro), doenças que podem afetar o equilíbrio, fala, movimentos e pode até levar ao óbito.
Eu sentia que meio que era imune a qualquer doença naquele momento porque eu malhava, comia direito. Eu sentia que estava saudável porque fiz tudo certo. E então, de repente, estou com herpes-zóster.
Viola Davis
Reativação do vírus no corpo
A doença é causada pelo vírus Varicela-Zóster (VVZ) e a contaminação ocorre após o contato com infectados.
Esse vírus permanece em latência durante toda a vida da pessoa. A reativação, geralmente, ocorre na idade adulta.
A doença costuma atingir pessoas com mais de 50 anos, em razão do enfraquecimento natural do sistema imunológico. Também são mais vulneráveis quem tem a imunidade reduzida por comorbidades ou tratamentos.
Em entrevista à CNN Brasil, o infectologista Jessé Reis Alves, explicou que doenças cardiovasculares, diabetes e doença renal crônica, por exemplo, também aumentam a chance de manifestar o herpes-zóster.
Por isso, é fundamental que os adultos mais velhos e idosos busquem orientação médica sobre a doença e suas formas de prevenção, evitando assim o desenvolvimento de quadros crônicos e debilitantes como a Neuralgia Pós-Herpética.
Jessé Reis Alves, infectologista e gerente médico de vacinas da GSK.
Sintomas
Segundo o especialista, a herpes-zóster costuma se manifestar como uma erupção unilateral, com pequenas bolhas que acompanham o trajeto de um nervo. “As lesões podem provocar uma dor extrema e incapacitante, que é frequentemente descrita pelos pacientes como latejante ou cortante, ardor e coceira, sensação de queimadura, formigamento e agulhadas”, explica o especialista.
Diagnóstico
O diagnóstico é clínico. O médico avalia o histórico do paciente e examina o padrão da dor e das erupções. “Diante de sintomas como dor localizada, formigamento, ardor e surgimento de vesículas em uma faixa da pele, é fundamental procurar um profissional de saúde (clínico geral, infectologista, dermatologista ou neurologista), que poderá confirmar o diagnóstico, avaliar risco de complicações e indicar o tratamento mais adequado”, cita o médico.
Tratamento e prevenção
Segundo o infectologista, o tratamento é feito com antivirais, que ajudam a aliviar os sintomas. Por ser uma doença que causa complicações graves, é importante ir ao médico após os primeiros sintomas.
“Também vale lembrar que a vacinação é uma medida preventiva essencial para reduzir o risco de desenvolver a doença, especialmente em pessoas a partir dos 50 anos”, ressalta o profissional.
Aqui no Brasil, a vacina varicela está licenciada e em duas modalidades: monovalente ou combinada com a tríplice viral (sarampo, caxumbo e rubéola). a tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela).
A vacina tetraviral só deverá ser administrada aos 15 meses de idade se a criança tiver recebido uma dose da vacina tríplice viral entre 12 e 14 meses. A vacina varicela monovalente é indicada para surto hospitalar a partir dos nove meses de idade.
Hábitos saudáveis também são importantes e ajudam na prevenção contra a doença, já que auxilia o fortalecimento do sistema imunológico.
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Fonte: www.cnnbrasil.com.br