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Vices: Alckmin ganha protagonismo; Gaspar fica no NE até final da campanha

Nessa reta final da disputa presidencial no segundo turno, os candidatos a vice-presidente deixaram de ser meras figuras de bastidor para assumir um papel decisivo. Geraldo Alckmin, do PSB, e Alfredo Gaspar, do PL, operam em agendas paralelas aos cabeças de chapa, Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. A estratégia é conhecida há tempos: dividir para conquistar. Enquanto os titulares mobilizam grandes comícios e as redes sociais, os vices viajam o país para dialogar com setores em


Nessa reta final da disputa presidencial no segundo turno, os candidatos a vice-presidente deixaram de ser meras figuras de bastidor para assumir um papel decisivo. Geraldo Alckmin, do PSB, e Alfredo Gaspar, do PL, operam em agendas paralelas aos cabeças de chapa, Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. A estratégia é conhecida há tempos: dividir para conquistar. Enquanto os titulares mobilizam grandes comícios e as redes sociais, os vices viajam o país para dialogar com setores em que os Lula e Flávio enfrentam maior resistência ou precisam ampliar votação. É o que explica a cientista política da UFRJ, Mayra Goulart: O vice ele tem duas funções uma de respeito à dinâmica da governabilidade caso o candidato seja eleito que é atrair mais um partido. Para além disso na dimensão eleitoral, em suma, o que o vice traz? Traz sua trajetória. Nessa trajetória ele tem uma base social uma identificação e traz suas relações pessoais e partidárias Na chapa de Lula, Geraldo Alckmin atua como o principal fiador econômico e político da campanha. O vice-presidente cumpre uma rotina intensa de encontros com empresários, lideranças do agronegócio e executivos do mercado financeiro. A relevância do político é tamanha que, durante uma reunião interna da cúpula do PT, a ex-senadora Kátia Abreu chegou a resumir o sentimento de pragmatismo da campanha com a frase: "menos Janja, mais Alckmin". Paralelamente, o vice-presidente usa a bagagem política para negociar apoios, funcionando como um contraponto para atenuar o tom da polarização. À CBN, Alckmin destacou o esforço de campanha em diminuir a abstenção. 'A campanha é curta, segundo o turno são três semanas só. O Brasil é um continente, então a gente se divide, um vai para um lado, o outro vai para o outro. É buscar o voto, com humildade pedir o voto, conversar com quem não votou em nós, votou em outros candidatos e, então, fazer um apelo para as pessoas irem votar. Nós tivemos uma abstenção grande, mas acho que a gente pode avançar mais. Do outro lado, Alfredo Gaspar cumpre missão semelhante para reforçar a candidatura de Flávio Bolsonaro. Ex-procurador-geral de Justiça de Alagoas, Gaspar dá eco à pauta do combate ao crime. Mas o grande trunfo é a interlocução que tem por ser uma liderança no Nordeste. O candidato a vice lidera a articulação regional da campanha do PL para tentar reduzir a vantagem de Lula na região e abrir diálogo com prefeitos e governadores de centro-direita. Gaspar contou à nossa reportagem que o maior objetivo até a reta final é passar por todos os nove estados, com mais de uma agenda por dia. 'Estou tendo a honra de poder representar o presidente Flávio Bolsonaro em muitas agendas no Nordeste, levando suas propostas, dialogando com a população. O povo do Nordeste quer oportunidades e um novo futuro. E nós estamos trazendo propostas concretas para um futuro promissor, com oportunidades e pensando na população mais vulnerável, para que essas pessoas possam crescer, possam ir além do Bolsa Família. O povo está aberto para novas oportunidades. As eleições de 2026 escancaram algo que se viu ganhar força pela primeira vez em 2022: candidatos a vice com capital político próprio. Algo muito diferente do cenário de disputas anteriores, como conta o cientista político Paulo Baía: "O vice geralmente era alguém para não atrapalhar, alguém para compor um arranjo político. Ele e o vice em si não tinha protagonismo, e isso passou a ter um pouco em 2022 e muito agora em 2026. Tanto que passou a ter para presidente da república, mas para os governos dos estados [o vice] ainda não tem essa presença. Há uma novidade nos vices ganharem uma certa autonomia em relação ao presidente da República. As agendas próprias de Alckmin e Gaspar mostram que, apesar de os holofotes estarem em Lula e Flávio, o papel dos vices deixou de ser meramente decorativo. Eles podem fazer diferença na reta final de uma disputa que caminha para ser uma das mais acirradas da história.

Fonte: cbn.globo.com

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