Anfavea eleva projeção para 3,1 milhões de unidades vendidas, maior volume desde 2014; produção nacional deve avançar em ritmo menor
A venda de veículos novos no Brasil deve crescer 15,2% em 2026, alcançando aproximadamente 3,1 milhões de unidades, segundo projeção divulgada pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A estimativa foi revisada para cima após o desempenho do setor no terceiro trimestre e, se confirmada, representará o maior volume de emplacamentos desde 2014.
Apesar da perspectiva positiva para o mercado, a entidade alerta para o avanço dos veículos importados, especialmente os chineses, e para a queda das exportações brasileiras. Enquanto as vendas devem aumentar 15,2% neste ano, a produção nacional deve crescer apenas 6,7%, chegando a 2,82 milhões de unidades.
A revisão das estimativas ocorre após setembro registrar 281,4 mil veículos emplacados, o maior resultado mensal desde dezembro de 2014. Nos primeiros nove meses do ano, as vendas somaram aproximadamente 2,26 milhões de unidades, crescimento de 18,1% em relação ao mesmo período de 2025. A expansão é puxada principalmente pelos automóveis e comerciais leves, cuja previsão de crescimento para o ano passou para 16,4%. O desempenho contrasta com o dos veículos pesados, como caminhões e ônibus, que devem encerrar 2026 com retração de 6,5% nas vendas.
A produção também apresentou resultados positivos em setembro, com 268,3 mil unidades fabricadas ou montadas no país, melhor desempenho para o mês desde 2014. No acumulado do ano, foram 2,17 milhões de veículos, alta de 8,7%.
Importados ganham espaço
O principal ponto de preocupação da Anfavea está na diferença entre o crescimento das vendas e o da fabricação nacional. Entre janeiro e setembro, o Brasil importou 463,9 mil veículos, volume 30,4% superior ao registrado no mesmo período de 2025. A China respondeu por aproximadamente 55% dessas importações, com cerca de 255 mil unidades. Os veículos de origem chinesa já representam 11,3% do mercado brasileiro, segundo os dados apresentados pela associação.
Outro movimento observado pela entidade é o avanço da montagem de veículos a partir de componentes importados. Nos primeiros nove meses de 2026, a produção nacional cresceu cerca de 173 mil unidades, mas aproximadamente 123 mil desse acréscimo estão associadas aos regimes CKD e SKD, nos quais os automóveis chegam desmontados ou parcialmente montados ao país.
Essas operações são contabilizadas nas estatísticas de produção brasileira, embora possam envolver uma participação menor de fornecedores e componentes nacionais. Para a Anfavea, a expansão desse modelo exige atenção à capacidade da indústria de gerar empregos, desenvolver fornecedores e agregar valor à produção local. A preocupação também está relacionada ao avanço dos veículos eletrificados, que responderam por 69% do crescimento das vendas de veículos leves no acumulado do ano. A categoria já representa 20,1% dos emplacamentos desse segmento, impulsionada principalmente pela expansão dos modelos híbridos e elétricos.
Enquanto o mercado interno cresce, as vendas de veículos brasileiros ao exterior seguem em queda. A Anfavea revisou sua projeção para as exportações em 2026, passando a estimar retração de 17,7%, ante previsão anterior de queda de 12,8%. De janeiro a setembro, o Brasil exportou aproximadamente 334 mil veículos, volume 23% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. A Argentina, principal destino dos automóveis produzidos no país, responde por grande parte da redução.
Além do enfraquecimento da demanda argentina, a indústria brasileira enfrenta maior concorrência de fabricantes de outros países, especialmente da China, em mercados latino-americanos tradicionalmente atendidos pelas montadoras instaladas no Brasil.
Fonte: veja.abril.com.br