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Uma nova revolução: os comprimidos com princípio ativo das canetas emagrecedoras

Eles são destaque no principal congresso médico da área e prometem escrever um novo capítulo no controle da obesidade

Até o advento dos revolucionários medicamentos injetáveis para perda de peso, resultados tímidos e até desastrosos foram alcançados com comprimidos voltados para o emagrecimento. Mas os pesquisadores e a indústria farmacêutica não desistiram. E, agora, as pílulas estão pedindo passagem definitiva no tratamento da obesidade, uma condição que deve afetar metade da população adulta no globo até 2030. Desta vez, os produtos de uso oral pegam emprestadas as substâncias consolidadas nas famosas canetas. Ou seja, elas imitam hormônios que domam o apetite e os quilos na balança. Apoiada em estudos robustos e na aprovação regulatória em países como os Estados Unidos , essa nova geração protagonizou boa parte das cenas da última reunião anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (Easd, na sigla em inglês), que VEJA acompanhou diretamente em Milão, na Itália.

No evento, que recebeu mais de 16000 profissionais de saúde do mundo todo, foram apresentados novos dados de segurança e eficácia das versões orais dos análogos de GLP-1 diante do excesso de peso e de doenças estreitamente ligadas a ele, como o diabetes tipo 2. Uma das premissas a sustentar as pílulas é a possibilidade de ampliar a adesão, a manutenção e o acesso ao tratamento. E dois representantes da categoria receberam os holofotes no congresso: o Wegovy em comprimido, à base de semaglutida, da Novo Nordisk, e a orforgliprona, que também mimetiza o GLP-1 como o concorrente, criado pela Eli Lilly. Sim, a batalha entre as donas de Ozempic e Mounjaro, respectivamente, segue em outros territórios.

Um dos estudos de maior destaque avaliou os impactos da migração do tratamento com canetas de semaglutida (Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro) para um comprimido de semaglutida de 25 mg que já está à venda no exterior, a 299 dólares por mês. Em um período de três meses, foi registrada uma redução de 4 quilos entre os voluntários, e o índice de pessoas diagnosticadas com obesidade caiu de 87,1% para 65,5%. Pode parecer pouco em um universo em que os injetáveis lograram reduções da ordem de 20% do peso, mas o principal alvo dessas medicações é evitar a volta da gordura que se segue ao abandonar as canetas. A versão oral, como apontou a pesquisa, poderia entrar em cena para assegurar os resultados conquistados. O comprimido pode ser melhor para o dia a dia e vai ser importante para a manutenção do tratamento, diz o endocrinologista Fernando Valente, da Sociedade Brasileira de Diabetes.

Infográfico sobre Solução em Cápsulas para perda de peso. Detalha medicamentos aprovados como Semaglutida (17% de perda) e Orforgliprona (12,4%), e em estudo como Elecoglipton (16,3%) e Aleniglipron (11,8%)

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Também é uma demanda de pacientes que resistem à ideia de se picar ou se queixam das dificuldades de transporte e armazenamento das injeções. Nos Estados Unidos, mais de 5 milhões de receitas de semaglutida em pílula foram prescritas desde janeiro deste ano, quando as vendas tiveram início. Muitas pessoas que usam GLP-1 injetável escondem o produto na geladeira para que as visitas não vejam. Quando oferecemos um comprimido, elas não se importam em deixá-lo sobre a mesa, afirma Mike Doustdar, CEO da farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk.

Comprimidos brancos e ovais, alguns com letras gravadas, sendo processados em uma máquina industrial metálica com furos, em ambiente de fábrica
WEGOVY PILL – Semaglutida em comprimido: previsão de estreia no Brasil no início de 2027Nova Nordisk/.
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A busca de comprimidos potentes para a obesidade é antiga e sofreu inúmeros reveses. Começou nos anos 1930, ficou em evidência com a sibutramina e outras drogas depois associadas a risco cardiovascular e ainda tomou um tombo com o lançamento de uma cápsula antibarriga, o rimonabanto, banido do mercado em 2008, após ser constatado que aumentava a propensão ao suicídio. A descoberta do GLP-1 e a comprovação de sua segurança e eficiência abriram uma nova fronteira, que finalmente foi transposta para uma solução via oral. Para tanto, as empresas tiveram de criar tecnologias capazes de superar o ambiente ácido do estômago e garantir a devida absorção pelo organismo.

O resultado mais palpável dessa trajetória de inovação científica é materializado no Wegovy pill e na orforgliprona, já submetidos ao aval da Anvisa e com previsão de lançamento para 2027. O primeiro carrega na bula os benefícios que a caneta já demonstrou além da perda de peso, agrega proteção ao coração e aos rins. O segundo se mostrou eficaz em populações acima do peso historicamente menos estudadas, como as mulheres na menopausa, e tem a vantagem de não precisar ser ingerido em jejum. Na disputa que se forma no horizonte das farmácias, quem vai ganhar é o paciente brasileiro.

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Publicado em VEJA de 9 de outubro de 2026, edição nº 3016

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Fonte: veja.abril.com.br

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