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Trump quer que eleições legislativas sejam sobre ele, mas isso pode ser tiro no pé

Republicanos vêm mostrando dificuldade em se distanciar de presidente impopular que exige lealdade irrestrita

Acostumado a colocar-se como o centro das atenções, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu uma instrução clara a seus apoiadores republicanos em um recente comício em Myrtle Beach, na Carolina do Sul: “finjam, por favor, que meu nome está na cédula”. Nenhuma disputa eleitoral nas eleições de meio do mandato no país, marcadas para a próxima terça-feira, 3, envolve o nome do presidente e, mesmo assim, a eleição foi organizada em torno de sua figura, em uma escolha que pode custar caro.

As chamadas midterms, eleições plantadas no meio do mandato presidencial e que definem os rumos do Senado e da Câmara dos Deputados, se dividem em duas lógicas. Enquanto o pleito funciona como uma espécie de referendo sobre o partido no poder eleitores punem ou recompensam o partido independentemente de quem esteja realmente concorrendo , a disputa também permite que candidatos individuais se protejam, especialmente na disputa por assentos na Câmara, criando campanhas mais focadas em problemas locais e se distanciando de questões nacionais.

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“A queda na popularidade de George W. Bush afetou negativamente os candidatos republicanos em 2006, assim como a de Barack Obama afetou os democratas em 2010, em ambos os casos esmagando campanhas locais que tinham credibilidade. A decisão de Trump de se tornar o ponto central das eleições de 2026 reduz a distância entre a liderança presidencial e o espaço que os candidatos teriam para manobrar suas campanhas”, argumenta Habib Badawi, professor de Relações Internacionais da London School of Economics.

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Os altos custos de energia, gerados por uma guerra no Oriente Médio iniciada pelo governo Trump e sem um final no horizonte, assim como os preços elevados dos alimentos e as incertezas geradas por um tarifaço mal calculado pela Casa Branca, tornam essa situação ainda mais difícil.

Os republicanos não podem culpar as administrações anteriores pelas consequências dessas decisões, visto que Trump assumiu a responsabilidade de forma tão flagrante. Também não podem se distanciar facilmente de um presidente impopular que exige lealdade.

“Nas eleições de meio de mandato, os eleitores recompensam ou punem os governantes principalmente pelo desempenho econômico passado, e não por promessas futuras, e quando a retórica e a experiência cotidiana divergem tanto, a experiência geralmente prevalece”, diz Badawi.

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A deputada Ashley Hinson, candidata republicana ao Senado pelo Iowa, é um exemplo disso, testando o equilíbrio entre lealdade e independência em relação a Trump. Ela afirmou, durante um debate, que seria aliada de Trump “quando isso for importante para o Iowa, mas também o confrontará”.

Reduzir os preços dos combustíveis de forma geral continua sendo uma prioridade para mim, disse Hinson, antes de acrescentar que fico um pouco nervosa sempre que falamos em aliviar as sanções contra a Rússia.

Histórico pesa contra

Analistas não partidários do Cook Political Report já descrevem os democratas como claros favoritos para retomar a Câmara, com o controle do Senado também potencialmente em jogo.

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Desde 1946, ocorreram 20 eleições de meio de mandato. Em 18 delas, o partido do presidente perdeu cadeiras na Câmara dos Representantes. Isso representa 90% das eleições de meio de mandato nos últimos 80 anos.

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Considerando esse padrão, as chances de os republicanos manterem sua pequena maioria na Câmara em 2026 são pequenas. Outro fator as torna ainda menores. Quando o presidente em exercício está com baixa popularidade abaixo de 50% nas pesquisas de aprovação, a probabilidade de um resultado ruim nas eleições de meio de mandato se torna uma certeza.

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A aprovação de Donald Trump, está em 32%, conforme pesquisa Reuters/Ipsos, próxima à sua mínima histórica de 31%. Todos os presidentes desde Harry S. Truman cuja aprovação estava abaixo de 50% no mês anterior a uma eleição de meio de mandato perderam cadeiras na Câmara.

“Nos últimos 80 anos, houve apenas dois casos em que o partido de um presidente em exercício venceu eleições de meio de mandato na Câmara dos Representantes. Ambos envolveram circunstâncias especiais”, explica Robert A. Strong, professor de Ciências Políticas da Universidade da Virginia.

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Em 1998, o democrata Bill Clinton estava no sexto ano de seu mandato e apresentava bons números de crescimento econômico, queda nas taxas de juros e baixo desemprego. Sua taxa média de aprovação, segundo o Gallup, em seu segundo mandato, foi de 60,6%, a maior média alcançada por qualquer presidente em seu segundo mandato, de Truman a Biden, fazendo com que conseguisse conquistar cinco cadeiras a mais na Câmara.

A outra exceção foi o republicano George W. Bush, em 2002. Eleito por uma margem estreita em 2000, teve um aumento dramático de popularidade após os ataques de 11 de setembro ao World Trade Center e ao Pentágono, quando a nação se uniu em torno da bandeira e os republicanos conquistaram oito cadeiras na Câmara dos Representantes nas eleições de meio de mandato de 2002.

Os últimos cinco presidentes (Clinton, Bush, Barack Obama, Trump e Joe Biden) assumiram o cargo com seus partidos no controle de ambas as casas do Congresso. Todos os cinco perderam a maioria partidária na Câmara ou no Senado durante seus dois primeiros anos de mandato.

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Fonte: veja.abril.com.br

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