Por que o atacante do Bayern de Munique e da seleção inglesa, se há um Lamine Yamal em estado de graça e um Kylian Mbappé no auge?
Muita gente torceu o nariz ao ouvir Ronaldo Nazário anunciar o ganhador da Bola de Ouro de 2026, na segunda-feira, 26, em Londres. Karry Kane? Por que o atacante do Bayern de Munique e da seleção inglesa, se há um Lamine Yamal em estado de graça e um Kylian Mbappé no auge de sua forma física e futebolística?
Não é tão simples, mas dá para explicar sem muita enrolação. Antes de qualquer coisa, no entanto, é bom destacar: o Bola de Ouro premia o desempenho individual ao longo da temporada, e não apenas o número de troféus coletivos acumulados pelas equipes – no caso de Kane, Bayern e seleção inglesa.

Pelo Bayern de Munique, Kane conquistou a dobradinha nacional alemã na temporada 2025/26, vencendo a Bundesliga, primeira divisão do campeonato alemão, e a Copa da Alemanha, além da Supercopa. Pela Inglaterra, Kane não venceu uma Copa do Mundo e, em vista dos seus 33 anos de idade, talvez seja improvável que vá ganhar. Ainda assim, ele é o capitão e o maior artilheiro de todos os tempos de sua equipe nacional.
De qualquer forma, no futebol de alto nível, marcar 30 gols em um ano inteiro já é considerado espetacular. Na temporada que baseou o prêmio, Kane marcou 73 gols em 65 partidas por clube e seleção (uma média superior a um gol por jogo). Em razão desses números, ele foi o artilheiro da Europa, levando a Chuteira de Ouro europeia.

Para além da parte estatística, há o Kane no campo de jogo. Muitos atacantes apenas empurram a bola para dentro da rede quando ela chega pronta. Ele é diferente, recua até o meio de campo, organiza as jogadas, dá passes decisivos para os companheiros e comanda o ritmo do ataque. É o que se viu dele na Copa do Mundo, abrindo caminho de fora para dentro da área, para deixar os companheiros livres para marcar ou ele mesmo finalizar para a meta.
Faz tempo que Kane carrega a injusta fama de “azarado” ou de jogar em times que tropeçavam nas finais — anteriormente, pelo Tottenham, e com a Inglaterra. Ao unir um volume de gols recorde com títulos expressivos na Alemanha e atuações dominantes nos maiores palcos da Europa, a premiação reconheceu que, no recorte da temporada, nenhum atleta no planeta praticou o esporte em nível técnico e decisivo tão alto.
Fonte: veja.abril.com.br