Pular para o conteúdo
No ar
Ao vivo agora 3CLIMAS CULTURA RÁDIO JORNAL TV
Tocando agora 3CLIMAS CULTURA ao vivo
Fale no WhatsApp

Sancionado por Trump, Tribunal Penal Internacional vence maior prêmio europeu de direitos humanos

Presidente da corte afirmou que reconhecimento tem significado especial diante de 'desafios sem precedentes' enfrentados pela instituição

O Tribunal Penal Internacional (TPI), alvo de sanções do governo do presidente americano Donald Trump, foi anunciado nesta quinta-feira, 22, como vencedor do Prêmio Sakharov para a Liberdade de Consciência de 2026, a principal honraria de direitos humanos concedida pelo Parlamento Europeu.

Ao anunciar a decisão durante uma sessão plenária em Estrasburgo, na França, a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, destacou o papel do tribunal na responsabilização por crimes internacionais. “A União Europeia se baseia no respeito ao multilateralismo e às instituições internacionais”, afirmou.

A presidente da corte sediada em Haia, a juíza japonesa Tomoko Akane, agradeceu a homenagem e afirmou que o reconhecimento assume um significado especial diante dos “desafios sem precedentes” enfrentados pela instituição.

“Neste contexto, o Prêmio Sakharov assume um significado especial, ao reafirmar a importância das instituições judiciais independentes e daqueles que trabalham para defender o direito internacional”, declarou a presidente do TPI.

Continua após a publicidade

Ofensiva contra o TPI

O anúncio do prêmio ocorre em meio às tensões entre Washington e o TPI. Em agosto, o tribunal fez duras críticas aos Estados Unidos após o governo Trump adotar sanções contra Tomoko Akane e contra o procurador-adjunto Abdoulaye Seye. De acordo com a corte, a medida foi um “ataque flagrante” à independência do organismo judicial. Washington, por sua vez, descreve o órgão como “corrupto e irremediavelmente politizado”.

No início de outubro, o governo Trump anunciou novas sanções contra o TPI, poucas horas depois de a ex-juíza da instituição Navi Pillay receber o Prêmio Nobel da Paz.

As novas restrições vão além das medidas adotadas anteriormente pelos EUA contra magistrados e promotores da instituição. Com as sanções dirigidas ao próprio tribunal, bancos, seguradoras e empresas de tecnologia americanas podem ser obrigados a interromper a prestação de serviços à corte, dificultando suas operações financeiras e administrativas.

Continua após a publicidade

+ ONU classifica sanções dos EUA contra o Tribunal Penal Internacional como inaceitáveis

As sanções americanas têm sido interpretadas como uma resposta às investigações do TPI contra Israel, aliado dos EUA. Em 2024, o tribunal emitiu uma ordem de prisão contra o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o então ministro da Defesa, Yoav Gallant, acusando-os de crimes de guerra e crimes contra a humanidade na Faixa de Gaza.

Continua após a publicidade

Os Estados Unidos não são signatários do Estatuto de Roma, tratado que criou o TPI, e historicamente mantêm uma relação de críticas à instituição. O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, pediu em agosto que países aliados a Washington na América Latina abandonem o Tribunal Penal Internacional. Ele criticou a atuação da corte e defendeu que nações da região não se submetam à jurisdição do tribunal.

Em 2020, o governo Trump já havia exigido publicamente que o tribunal alterasse seu tratado fundador para impedir qualquer investigação contra o presidente e seus principais auxiliares. O governo Trump já impôs sanções que incluem proibição de entrada nos Estados Unidos e congelamento de ativos no país a vários juízes e promotores do TPI, principalmente devido às investigações sobre Israel.

Publicidade

Fonte: veja.abril.com.br

Compartilhar