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Protestos na França reúnem mais de 300 mil e terminam em confrontos com a polícia

Manifestações contra o custo de vida e as condições de ensino chegaram ao terceiro fim de semana consecutivo

Centenas de milhares de pessoas foram às ruas de diversas cidades da França neste sábado, 31, no terceiro fim de semana consecutivo de manifestações contra o alto custo de vida e as condições do sistema educacional. Segundo estimativa do Ministério do Interior, cerca de 320 mil pessoas participaram dos atos em todo o país. Apesar de o número ser inferior ao registrado nos dois sábados anteriores, quando houve 410 mil e 550 mil manifestantes, respectivamente, a mobilização voltou a ser marcada por confrontos entre policiais e participantes.

Em Paris, a manifestação reuniu aproximadamente 70 mil pessoas, de acordo com a polícia local, contra 110 mil na semana passada. O ato começou em clima festivo, com bandas de música e participantes fantasiados em referência ao Halloween. Ao longo da tarde, porém, o cenário mudou. Policiais utilizaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar grupos que resistiam ao fim da marcha. Houve relatos de incêndios, lançamento de fogos de artifício e coquetéis molotov contra agentes. Um carro também foi incendiado.

Confrontos foram registrados ainda em cidades como Marselha, Lyon, Toulouse e Rennes, onde as forças de segurança recorreram a gás lacrimogêneo e jatos d’água para conter os manifestantes. Após o encerramento dos atos oficiais em Paris, centenas de pessoas, muitas delas vestidas de preto e com o rosto coberto, organizaram uma marcha não autorizada na região leste da capital. O governo havia mobilizado 70 mil policiais em todo o território francês para tentar evitar novos episódios de vandalismo e saques.

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A mobilização começou há cerca de dois meses, a partir de protestos de estudantes do ensino médio nos arredores de Paris, e ganhou adesão de universitários, servidores públicos e integrantes do movimento dos coletes amarelos, que protagonizou uma onda de manifestações entre 2018 e 2020. Entre as reivindicações estão medidas para aliviar o custo de vida e melhorias na estrutura das escolas. O governo anunciou algumas concessões, como a limitação do número de alunos em determinadas turmas, linhas de crédito com juros baixos para reconstruir prédios escolares e a desativação gradual de uma plataforma de ingresso no ensino superior que enfrenta resistência dos estudantes.

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As medidas, no entanto, não foram suficientes para encerrar a mobilização. As autoridades também demonstraram preocupação com mensagens nas redes sociais que convocavam novos atos durante a noite de Halloween, incluindo publicações com apelos à revolução e à insurreição. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, afirmou que reuniões desse tipo seriam proibidas e que participantes poderiam ser presos. O governo também apontou a presença de grupos ligados à extrema direita nos protestos, que, sob o argumento de proteger comerciantes, têm entrado em confronto com manifestantes de esquerda.

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Fonte: veja.abril.com.br

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