Pomar em via pública: idoso de 78 anos já plantou 150 árvores em Juiz de Fora Cento e cinquenta. Este é o número de árvores frutíferas que José Correia da Rosa, de 78 anos, já plantou na Via São Pedro, em Juiz de Fora. Mas a conta não para aqui: Enquanto Deus me der saúde, como Ele me dá, eu vou plantando Ele quem me repõe a força de vontade de ir pra lá, diz. Com a humildade de quem vê sentido e não grandeza no que faz, José conta que o plantio começou há quase set

Pomar em via pública: idoso de 78 anos já plantou 150 árvores em Juiz de Fora Cento e cinquenta. Este é o número de árvores frutíferas que José Correia da Rosa, de 78 anos, já plantou na Via São Pedro, em Juiz de Fora. Mas a conta não para aqui: Enquanto Deus me der saúde, como Ele me dá, eu vou plantando Ele quem me repõe a força de vontade de ir pra lá, diz. Com a humildade de quem vê sentido e não grandeza no que faz, José conta que o plantio começou há quase sete anos, como uma estratégia para ocupar os dias livres durante sua aposentadoria. Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp Mas a história só ficou conhecida em agosto deste ano. A bióloga Júlia Firjam, que trabalha com divulgação científica, educação ambiental e biologia no Instagram, via José cuidando da plantação há algum tempo e decidiu parar para conversar com ele. Ela gravou um vídeo e postou nas redes sociais. Veja um trecho do vídeo acima. Eu moro no (bairro) São Pedro e sempre reparei naquelas árvores ali, porque eu trabalho com a agroecologia urbana, que é basicamente plantar comida na cidade. E ficava me questionando sobre quem plantava aquelas árvores, conta Júlia. Para ela, divulgar o trabalho de José é uma forma de manter o legado dele e inspirar para que mais pessoas possam contribuir, das maneiras como podem, com o cuidado com o meio ambiente. Uma aposentadoria vivida com saúde e propósito Eu falei assim: eu não tenho dinheiro pra comprar um terreno, vou começar a fazer minhas mudinhas aqui em casa, pego as coisas na rua, uso a bicicleta e esses galõezinhos de cinco litros (para levar as mudas). Chupo uma manga, como um abacate, e vou plantando, relembra José, como quem conta um causo sobre o início do projeto. Para ele, essa rotina é o segredo para se manter ativo e saudável. Não dá pra ficar aqui dentro de casa, reclamando, com dor na coluna, dor no joelho. Eu subo na bicicleta, estou fazendo um exercício, chego lá e planto. José Correia plata árvores na Via São Pedro, em Juiz de Fora Reprodução/Redes Sociais Correia não estudou para plantar. Seu conhecimento vem da sabedoria de quem ouve o que as árvores e o meio ambiente têm a dizer. E as plantas se tornaram companhia. Ele conta que fica chateado quando percebe que alguém faz covardia com as árvores, mas segue: vou ficar triste no dia, mas depois eu vou ter que me refazer. É igual perder um amigo, colega, parente: a gente fica triste, depois a gente vai celebrando as coisas. Por que, no fim, o segredo é fazer com amor. Outro dia, o pessoal estava caminhando e falou o senhor tem a mão boa. Eu falei: não, eu tenho o coração bom. A mão, você tem que ter a vontade. 'Não é só pra mim, que já estou mais maduro' O plantio é um compromisso com o meio ambiente, com os animais e com as próximas gerações, como explica José. "Os coitados dos passarinhos não têm onde comer e as pessoas só sabem espantar os bichinhos, mas nós estamos aqui tomando o lugar deles, destaca. A agricultura também é uma forma de reivindicar o direito à alimentação saudável e acessível: serve pro povo, porque está uma carestia (encarecimento generalizado). As pessoas não querem plantar nada, só querem saber de comprar no mercado. Depois ficam reclamando que o negócio tá caro. Mas se não plantar nada, como é que a terra dá?, indaga. Questionado pelo g1 Zona da Mata sobre como os interessados podem ajudá-lo, José diz que as principais necessidades são adubo, calcário e formigas, que contribuem ativamente com a fertilização das árvores. Caso tenha interesse em ajudar o projeto, é só passar pela Via São Pedro: José frequenta o pomar de duas a três vezes por semana. *estagiária sob supervisão da editora Gracielle Nocelli LEIA TAMBÉM: Entenda como um carregador levou pai a ser o único em apresentação da filha na faculdade Após mais de 20 anos longe da escola, casal conclui o ensino médio e chega à UFJF VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes
Fonte: g1.globo.com