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Polícia Civil faz operação contra monopólio do gás do Comando Vermelho; entenda esquema

São cumpridos 9 mandados de prisão e 44 mandados de busca e apreensão, além de medidas judiciais de bloqueio de mais de R$ 350 milhões e sequestro de bens

A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) realizaram nesta quarta-feira, 28, a Operação Dominus, que tem como objetivo desmantelar uma organização criminosa ligada ao Comando Vermelho (CV) por trás do monopólio da venda de gás de cozinha em comunidades dominadas pela facção. São cumpridos 9 mandados de prisão e 44 mandados de busca e apreensão, além de medidas judiciais de bloqueio de mais de R$ 350 milhões e sequestro de bens ligados ao grupo.

A ação é coordenada pela Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ), com apoio de equipes do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE). As diligências estão concentradas em São Gonçalo, na Região Metropolitana, mas também são realizadas em Itaboraí, Duque de Caxias e na capital fluminense — em endereços no Recreio dos Bandeirantes e na Taquara, na Zona Sudoeste do Rio.

Os alvos incluem as residências dos investigados e estabelecimentos comerciais, como distribuidoras e revendedoras de gás. Segundo a Polícia Civil, as investigações revelaram “um modelo de exploração econômica no qual o domínio armado de comunidades pelo tráfico de drogas era utilizado para controlar a venda de um produto essencial à população: o gás de cozinha”.

“Nesse sistema, a liberdade de comércio era substituída pelas regras impostas pela organização criminosa. Comerciantes eram obrigados a adquirir produtos de fornecedores vinculados ao grupo ou realizar pagamentos periódicos aos criminosos, sob ameaça de retaliações”, acrescentou a corporação em nota. “A investigação identificou que essas cobranças eram conhecidas internamente como ‘metas do gás’, constituindo mecanismo de arrecadação sistemática de recursos em benefício da estrutura criminosa.”

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Divisão de funções e intimidação

A estrutura criminosa era organizada e contava com divisão de funções, de operadores comerciais a membros relacionados ao controle territorial do CV. As apurações indicaram que os envolvidos usavam o “poder de intimidação da facção para impedir a livre concorrência e assegurar que a comercialização de gás nas áreas exploradas permanecesse subordinada aos interesses do grupo”. O esquema contava com vários núcleos, incluindo coordenação operacional, logística de comercialização e cobrança dos valores.

O trabalho investigativo apontou Adriano Pereira Vasconcelos Junior, o Junior Playboy, como o principal articulador do esquema. Segundo a Polícia Civil, ele mantinha proximidade com Edgard Alves de Andrade, o Doca, chefe do CV, e com outras lideranças da facção. O criminoso teria ajudado Doca a fugir do Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, durante a Operação Contenção em dezembro de 2024.

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Juniro Playboy, inclusive, visitava o Complexo do Alemão com frequência. Ele também era aliado de Luiz Carlos Bandeira Rodrigues, conhecido como Zeus, líder do trafico na comunidade da Muzema, na Zona Oeste. As investigações revelaram que ele foi convidado ao aniversário da filha do traficante, uma descoberta que “reforça a existência de vínculos pessoais e seu acesso ao círculo de confiança dessa liderança”.

Os agentes encontraram, ainda, indícios de que o investigado utilizava várias empresas de fachada e “laranjas” para movimentar recursos, ocultar patrimônio e conferir aparência de legalidade aos valores arrecadados. Também foram identificadas movimentações patrimoniais incompatíveis com as atividades econômicas formalmente declaradas. As investigações continuam para “aprofundar a identificação dos fluxos financeiros, localizar outros ativos vinculados aos investigados e esclarecer integralmente a participação dos integrantes da organização criminosa”, concluiu a PCERJ.

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Fonte: veja.abril.com.br

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