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Pesquisa inédita: mulheres veem agro como motor setorial do Brasil

Estudo Marca Brasil mostra que a percepção feminina sobre o setor é melhor quando comparada a outras atividades econômicas em razão de atributos como qualidade, produtos e serviços que oferece

O agronegócio é o setor mais bem avaliado pelas mulheres quanto à contribuição para a imagem e a reputação do Brasil no mundo. Essa é uma das principais conclusões de uma pesquisa inédita antecipada à CNN sobre a percepção da imagem e da reputação do país.

O levantamento, realizado pela consultoria portuguesa OnStrategy, inclui análises regionais, setoriais e de 16 atributos, que abrangem características culturais, aspectos subjetivos e questões relacionadas ao ambiente político e socioeconômico. O objetivo foi entender a visão feminina a partir dessas três dimensões. No recorte das atividades econômicas, o agronegócio foi o setor mais bem posicionado como motor de construção da marca do país.

Para chegar ao resultado, a consultoria calculou médias ponderadas para cada uma das três dimensões, em uma escala de 0 a 10. Na avaliação geral, as mulheres se mostram mais favoráveis à marca Brasil, atribuindo nota 7,2, ante 6,9 da população geral. Já na análise setorial, a nota das mulheres foi 6,8, com destaque para agro, turismo e energia, enquanto a avaliação do público geral ficou em 7,0.

O estudo completo será apresentado à plateia do GAFFFF (Global Agricultural Forum), nesta quinta-feira (1), em São Paulo.

Entre as mulheres, a avaliação do agronegócio supera em 0,12 ponto a nota atribuída pelo público interno geral, a maior vantagem entre os segmentos apresentados. De acordo com o country manager da OnStrategy no Brasil, José Antonio Silva, o destaque se deve à percepção feminina de que o agro é um setor robusto, associada à qualidade dos produtos e serviços que a cadeia entrega.

Atributos que focam em admiração e confiança, qualidade dos produtos e serviços, inovação e diferenciação que foram elementos de uma forma mais forte no tema do agro, afirmou à CNN. Para Silva, as mulheres tiveram uma visão mais positiva desses atributos e, portanto, podem ser embaixadoras da marca Brasil quando se trata da atividade no campo.

Os dados mais recentes divulgados pela PAM (Pesquisa da Produção Agrícola Municipal), do IBGE, mostram que o valor bruto de produção agrícola chegou ao recorde de R$ 927,2 bilhões em 2025. Além disso, o PIB do agro nacional é estimado em R$ 3,13 trilhões – cálculo do Cepea e da CNA -, número que consolida o setor como um dos mais relevantes para a economia brasileira.

Visão positiva no exterior

A validação financeira e econômica dá consistência à percepção feminina, que é um recorte importante, porque as mulheres representam 56% da amostra interna do estudo, ressalta Silva. Quanto mais positiva for a percepção das mulheres sobre determinados atributos, maior será a chance de exportar esse olhar para fora do Brasil.

O agronegócio, como setor econômico, pode ajudar a vender uma melhor imagem do país por meio da liderança e da narrativa feminina. É o que destaca o professor e consultor José Luiz Tejon. Segundo ele, a voz feminina pode contribuir para o salto de imagem de que o Brasil precisa na publicidade internacional. A pesquisa, diz ele, evidencia uma oportunidade de planejar melhor a comunicação do agro nacional.

O Brasil se transforma este ano no maior agroexportador planetário, portanto, nós precisamos desse poder de conhecimento publicitário e para mostrar ao mundo o que fazemos, como fazemos, quem está fazendo. É neste ponto que a pesquisa nos mostra um caminho importante de utilização mais intensa da voz da mulher brasileira falando com a mulher do mundo [sobre o agro], destaca Tejon.

Para os especialistas, o agronegócio brasileiro tem potencial para fortalecer a imagem internacional do Brasil como um país pacífico e favorável aos negócios. A força do setor pode abrir oportunidades para atrair novos parceiros e ampliar a presença brasileira no comércio global.

Da percepção ao valor econômico

Além do agronegócio, o turismo e o grupo energia e tecnologia registram diferenças positivas de 0,07 ponto cada. O movimento contrasta com o da indústria, cuja nota entre as mulheres fica 0,44 ponto abaixo da média do público interno geral, e com o de bancos e seguros, com diferença negativa de 0,37 ponto. No varejo, a distância é menor: 0,08 ponto abaixo.

O desempenho do agro também se destaca em relação ao resultado setorial agregado. Considerando o conjunto dos setores, as mulheres atribuem nota 6,8, ante 7,0 na avaliação do público interno geral.

Os resultados abrem uma questão para o agronegócio: quais características ajudam a sustentar sua imagem entre as mulheres e como essa percepção pode contribuir para a valorização de produtos brasileiros?

O levantamento apresentado não permite atribuir a vantagem do setor a uma estratégia específica de comunicação. Também não demonstra se a avaliação mais favorável se traduz em decisões de compra, disposição para pagar mais ou preferência por marcas nacionais. De acordo com especialistas, porém, pode ser utilizado como ponto de partida para estratégias de divulgação internacional voltadas à ampliação do comércio exterior.

No caso do agro, lembra Tejon, a qualidade dos produtos pode estar associada ao avanço das certificações de sustentabilidade e ao atendimento dos requisitos fitossanitários de parceiros comerciais.

No conjunto da avaliação nacional, a qualidade de produtos e serviços recebe nota 7,7 entre as mulheres. Esse resultado se refere à marca Brasil como um todo, e não especificamente ao agronegócio, mas, segundo Tejon, é possível associá-lo diretamente à natureza do negócio agropecuário, que envolve degustações, sabores, aromas e experiências.

Qualidade e bom desempenho

Ele defende que o mundo conheça mais os alimentos do Brasil por meio de feiras e eventos no exterior, que não precisam se limitar ao setor agropecuário. A proposta é ultrapassar essas fronteiras a partir do protagonismo brasileiro na produção de alimentos.

Lorena Mangabeira, que é pesquisadora da USP e mentora de produtoras e lideranças rurais, relaciona à imagem do agronegócio à valores de cuidados com bem-estar e alimentação, por exemplo, como valores intrínsecos da percepção feminina ligada à ideia de qualidade e de bom desempenho.

“O agro tende a causar uma impressão melhor entre o público feminino, porque o setor deixa de ser comunicado só como uma produção em escala. Começa a ser percebido como o sistema que cuida de tudo: de pessoas por meio do cuidado dos alimentos; do meio ambiente; da terra para as próximas gerações”, descreve a especialista.

Em seu mestrado, Lorena estuda também valores importantes para produtoras rurais e, dentre eles, o valor família está diretamente associado aos cuidados que se traduzirão na qualidade de produtos e serviços da cadeia agropecuária. Dados coletados pela pesquisadora a partir de entrevistas com 22 produtoras identificaram que, entre elas, 88% dos discursos usam significados atribuídos à família, “articulando valores de cuidado e proteção a projetos de continuidade e bem-estar”, conta à CNN.

Avaliação do país supera a média geral

Embora sejam mais críticas na avaliação agregada dos setores econômicos, as mulheres atribuem uma nota maior à imagem geral do Brasil: 7,2, na comparação com 6,9 no conjunto do público interno.

Segundo a OnStrategy, elas representam 56% da amostra interna. O estudo mais amplo reúne 470,6 mil participantes em 27 países, dos quais 192,4 mil estão no Brasil. As entrevistas foram realizadas online entre outubro de 2025 e março de 2026.

A apresentação não informa a significância estatística da diferença positiva de 0,12 ponto observada no agro nem detalha, no recorte setorial, as notas absolutas necessárias para estabelecer um ranking dos setores mais bem avaliados pelas mulheres.

As entrevistas internacionais da pesquisa foram feitas com cidadãos de México, Argentina, Estados Unidos, Canadá, China, Japão, Índia, Emirados Árabes Unidos, África do Sul, Angola, Moçambique, Rússia, Reino Unido, Suíça, Alemanha, França, Itália, Espanha, Polônia, Holanda, Grécia, Bélgica, Portugal, Suécia, Áustria e Dinamarca.

Fundada em 2009 e sediada em Lisboa, a OnStrategy é uma consultoria multidisciplinar de gestão de valor de marca, focada na criação, construção e otimização do valor econômico e financeiro de negócios e marcas.

 

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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