O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado analisa o cenário no país vizinho e faz um alerta sobre os possíveis desdobramentos para o Brasil
A crise política e financeira no Paraguai, que culminou no impeachment e na prisão do presidente Santiago Peña após a quebra de um dos principais bancos do país, pode trazer consequências para o Brasil, especialmente nas regiões de fronteira. O alerta foi feito pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, em entrevista ao programa VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal. Segundo o parlamentar, os efeitos podem atingir desde os serviços públicos brasileiros até setores estratégicos da economia, como o agronegócio e a infraestrutura. (este texto é um resumo do vídeo acima)
Trad afirmou acompanhar a situação com “apreensão e surpresa”, diante da proximidade econômica e geográfica entre os dois países. O senador destacou que Mato Grosso do Sul mantém uma intensa relação comercial e social com o Paraguai, com empresários brasileiros atuando no país vizinho e paraguaios mantendo negócios em território nacional. Para ele, a prioridade deve ser a normalização das instituições paraguaias, a fim de reduzir os riscos de repercussões econômicas e sociais no Brasil.
Como a crise pode atingir as cidades brasileiras na fronteira?
Um dos principais pontos de preocupação levantados pelo senador é a possibilidade de aumento da demanda por serviços públicos brasileiros. Trad citou a situação de Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul, que faz fronteira com Pedro Juan Caballero, no Paraguai, como exemplo da integração entre as duas populações.
“Normalmente, o que separa o país vizinho do nosso, que separa o Paraguai do Brasil, é uma rua, muitas vezes uma rua estreita”, afirmou. Segundo o senador, moradores paraguaios já recorrem a serviços brasileiros de saúde, educação e assistência social, o que representa uma demanda adicional para os sistemas municipais e estaduais.
Na avaliação de Trad, um eventual agravamento da crise poderia ampliar essa pressão. O parlamentar mencionou a possibilidade de dificuldades no atendimento à população paraguaia provocarem um deslocamento maior de pessoas em busca de assistência do lado brasileiro. A hipótese, ressaltou, preocupa especialmente os municípios que convivem diariamente com o intenso fluxo de moradores entre os dois países.
Existe risco de aumento da migração para o Brasil?
A dificuldade de acesso aos depósitos bancários no Paraguai também pode estimular um movimento de pessoas em direção ao Brasil, segundo o senador. Durante a entrevista, Marcela Rahal destacou que quase metade da população paraguaia estava enfrentando restrições para movimentar recursos depositados no banco envolvido na crise.
Trad avaliou que uma deterioração das condições financeiras poderia levar moradores do país vizinho a buscar oportunidades e serviços no território brasileiro. “É uma questão de defesa, de sobrevivência”, afirmou. Para ilustrar a facilidade desse deslocamento nas cidades fronteiriças, acrescentou: “Se tem oportunidade melhor e maior do outro lado e você só atravessando a rua, você já está do outro lado”.
O senador condicionou esse cenário ao agravamento da crise e defendeu que os mecanismos de garantia de depósitos cumpram suas obrigações para reduzir os prejuízos à população. Para ele, a recuperação da normalidade financeira é fundamental para evitar consequências sociais mais amplas.
Quais setores da economia brasileira podem ser afetados?
Além dos serviços públicos e da circulação de pessoas, Trad apontou possíveis repercussões para o agronegócio e os investimentos em infraestrutura. Um dos projetos citados foi a Rota Bioceânica, corredor rodoviário planejado para conectar Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, facilitando o transporte de mercadorias até o Oceano Pacífico.
Segundo o parlamentar, faltavam poucos quilômetros para a conclusão de obras do lado paraguaio. Ele demonstrou preocupação com a possibilidade de a instabilidade política e financeira afetar o andamento do projeto. “Tenho certeza que isso vai gerar uma consequência”, declarou, ao comentar os possíveis desdobramentos da crise para a infraestrutura regional.
Outro ponto de atenção é Itaipu Binacional, administrada conjuntamente pelos governos brasileiro e paraguaio. Na avaliação de Trad, a relação entre os países exige atenção aos efeitos de uma crise institucional que atinja um dos parceiros. “Qualquer situação sensível que venha afetar o parceiro, consequentemente, o outro vai sofrer”, afirmou.
Como o Senado brasileiro acompanha a situação?
Presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, Nelsinho Trad afirmou que o colegiado pretende acompanhar os acontecimentos no Paraguai e seus possíveis reflexos sobre o Brasil. O senador relatou ter telefonado, nesta sexta-feira, ao embaixador paraguaio em Brasília para manifestar solidariedade à população do país vizinho.
Para o senador, a prioridade agora é que a transição política e as medidas adotadas pelas instituições paraguaias contribuam para restabelecer a estabilidade.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do telejornal VEJA em Foco (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.
Fonte: veja.abril.com.br