Marcelo de Oliveira Rocha, engenheiro ambiental e mestrando da Unifesp, morreu após ser espancado durante manifestação política em Santos; suspeita é de assalto
Marcelo de Oliveira Rocha era engenheiro ambiental e mestrando em Ecologia Marinha na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Aos 30 anos, morreu em 26 de outubro, dois dias depois de ser espancado durante um assalto em Santos, no litoral paulista, após participar de um ato em comemoração à vitória de Luiz Inácio da Silva na campanha presidencial.
A família decidiu transformar a tragédia em um gesto de solidariedade. Após a confirmação da morte encefálica, autorizou a doação dos órgãos de Marcelo. O procedimento beneficiou quatro pessoas, com a destinação de rins, pâncreas, fígado e córneas.
Marcelo estava em uma manifestação na região da Avenida Conselheiro Nébias, na madrugada de 24 de outubro. Por volta das 3h, afastou-se dos amigos para ir ao banheiro. Foi encontrado inconsciente na esquina da Rua Henrique Ablas. Segundo as investigações, ele teria sido abordado por pessoas que exigiram seu celular. Em seguida, outros indivíduos se juntaram às agressões, com socos e chutes. O aparelho e os pertences da vítima foram levados.
Imagens de câmeras de segurança registraram parte da ação. Também circulou nas redes sociais uma transmissão ao vivo feita no TikTok por suspeitos durante as agressões. Marcelo foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), levado inicialmente à Santa Casa de Santos e depois transferido para o Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), na capital. A morte cerebral foi confirmada na segunda-feira, 26 de outubro.
A Polícia Civil identificou oito suspeitos, entre eles dois adultos e seis adolescentes. Dois adolescentes foram apreendidos, enquanto os demais ainda eram procurados pelas autoridades. A polícia não confirmou motivação política ou homofóbica para o crime e investiga o caso como latrocínio — roubo seguido de morte. A presença de Marcelo no ato de apoio a Lula e as manifestações de amigos e coletivos nas redes sociais pressionam as autoridades para entender se o caso é um crime político.
A morte provocou manifestações de pesar na comunidade acadêmica da Unifesp, onde Marcelo cursava o mestrado. Em nota, a universidade lamentou a perda e manifestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas. Também defendeu a apuração rigorosa das circunstâncias do crime e a identificação e responsabilização dos envolvidos. A instituição informou que prestou apoio à família por meio de equipes do Instituto do Mar, do campus Baixada Santista, da assistência estudantil e da Reitoria.
Além da dedicação à formação acadêmica e à pesquisa, Marcelo participava de atividades esportivas, da bateria e do centro acadêmico. Em uma das manifestações, integrantes do curso evocaram o compromisso de Marcelo com a ciência e com a possibilidade de viver livremente. A homenagem o descreveu como alguém que defendia o direito de fazer ciência, amar, existir e construir uma sociedade mais justa.
A tia de Marcelo, Tina Santos, publicou homenagens nas redes sociais, assim como o pai, Marcelo Rocha. As manifestações utilizam a hashtag #JustiçaPorMarcelo, que foi republicada por políticos de esquerda e celebridades que cobram celeridade da política na investigação.

A Unifesp também organizou uma cerimônia ecumênica em memória do estudante, marcada para 4 de novembro, das 18h às 19h30, no auditório da Unidade Carvalho de Mendonça, no campus Baixada Santista. O encontro deve reunir pessoas que conviveram com Marcelo e desejam prestar homenagem à sua trajetória.
Fonte: veja.abril.com.br