A decisão de autoridades americanas de transmitir ao vivo a execução do assassino condenado Nidal Hasan equivaleria a tortura, afirmou a ONU nesta sexta-feira (9). Autoridades de defesa dos EUA disseram que o psiquiatra do Exército americano Hasan, que matou 13 pessoas a tiros em uma base militar em 2009, será fuzilado e a execução será transmitida ao vivo, acrescentando que mais detalhes serão divulgados posteriormente. 'A transmissão ao vivo de uma execução equivale a uma execuçã

A decisão de autoridades americanas de transmitir ao vivo a execução do assassino condenado Nidal Hasan equivaleria a tortura, afirmou a ONU nesta sexta-feira (9). Autoridades de defesa dos EUA disseram que o psiquiatra do Exército americano Hasan, que matou 13 pessoas a tiros em uma base militar em 2009, será fuzilado e a execução será transmitida ao vivo, acrescentando que mais detalhes serão divulgados posteriormente. 'A transmissão ao vivo de uma execução equivale a uma execução pública e violaria a proibição absoluta da tortura', afirmou o Gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos em mensagem enviada à AFP. O órgão da ONU afirmou ter feito declarações semelhantes sobre execuções públicas no Afeganistão e no Irã, dizendo que elas 'constituem uma forma de tratamento ou punição cruel, desumana ou degradante'. A execução de Hasan será a primeira realizada pelas forças armadas dos EUA desde 1961 e a primeira por fuzilamento desde a Segunda Guerra Mundial. O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que a execução de Nidal Hasan, o ex-psiquiatra do exército que matou 13 pessoas em Fort Hood, será um evento público quando a sentença for cumprida ainda este ano. Um oficial do Departamento de Defesa confirmou posteriormente que a execução será transmitida ao vivo. Em entrevista ao Real America's Voice, o secretário do Pentágono afirmou que o pelotão de fuzilamento executará a sentença em Fort Hood, Texas, às 13h da quinta-feira, 3 de dezembro. Esta será a primeira execução militar nos EUA em mais de 60 anos. 'Foi um ataque de um islamita radical uniformizado dentro das fileiras, e por isso ele será fuzilado, como deve ser, e vamos garantir que as pessoas possam assistir, que seja público, porque as pessoas precisam entender que há consequências sérias para esse tipo de coisa', disse Hegseth. Secretário de Defesa, Pete Hegseth, durante discurso para militares. ANDREW HARNIK / POOL / AFP Em 5 de novembro de 2009, Hasan abriu fogo contra um centro de processamento médico na base militar do Texas, matando 13 pessoas e ferindo dezenas. Um júri militar o condenou à morte em 2013, e ele permanece detido em Fort Leavenworth, no Kansas, desde então. Ele esgotou seus recursos no ano passado, o que abriu caminho para que Donald Trump aprovasse a sentença esta semana, por recomendação de Hegseth. Investigadores descobriram que Hasan havia trocado 18 e-mails com Anwar al-Awlaki, um clérigo radical que foi posteriormente morto em um ataque de drone americano, nos meses que antecederam o atentado. Em seu julgamento militar, Hasan afirmou ter agido para impedir o envio de soldados americanos ao Afeganistão para matar outros muçulmanos, antes de seu próprio iminente envio para lá. Uma revisão liderada por William Webster, ex-diretor do FBI, concluiu que a agência deveria ter investigado sua correspondência mais a fundo. Na entrevista, Hegseth disse que Barack Obama havia classificado o ataque como 'violência no local de trabalho'. Inicialmente, o Pentágono tratou o tiroteio como um incidente de violência no local de trabalho, e não como um ataque terrorista, classificação que afetou a elegibilidade das vítimas para receberem a medalha Coração Púrpura e outros benefícios relacionados a combate. Mas não há registro público de Obama ter usado essa expressão. Em uma cerimônia em memória das vítimas, dias após o ataque, ele descreveu-as como americanos que não conseguiram escapar do 'horror da guerra', classificando o tiroteio como uma tragédia e afirmando que o assassino seria levado à justiça. O último caso conhecido de fuzilamento militar nos EUA ocorreu em novembro de 1945 , mas o governo Trump buscou retomá-lo em seu segundo mandato para agilizar os casos de pena capital. Cinco estados americanos permitem o fuzilamento : Idaho, Mississippi, Oklahoma, Carolina do Sul e Utah. No exterior, o relatório anual mais recente da Anistia Internacional lista o Afeganistão, a China, a Coreia do Norte, a Arábia Saudita, a Somália, Taiwan, os Emirados Árabes Unidos e o Iémen entre os países que ainda utilizam pelotões de fuzilamento. Questionado se Hasan havia feito um último pedido ou entrado em contato com Trump, Hegseth respondeu: 'Não me interessa. Nos veremos em 3 de dezembro'.
Fonte: cbn.globo.com