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O que disse a imprensa americana sobre a vitória democrata e a derrota de Trump

Veículos destacam desgaste do presidente, crise no Partido Republicano e desafios diante da nova configuração do Congresso

A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas na terça-feira, 3, foi interpretada pelos principais jornais americanos como uma derrota expressiva para Donald Trump. Em editoriais publicados nesta quarta-feira, 4, veículos de diferentes orientações políticas destacaram o desgaste do presidente, a insatisfação de parte do eleitorado com seu segundo mandato e as consequências da mudança de forças no Congresso.

New York Times

O New York Times foi direto ao definir o resultado como um repúdio a Trump. Em editorial intitulado Os americanos rejeitaram Trump, em tradução livre, o jornal afirmou que os eleitores responderam nas urnas às tentativas do presidente de influenciar as regras eleitorais, incluindo mudanças nos distritos eleitorais, alegações falsas de fraude e iniciativas para restringir o voto pelo correio.

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O repúdio foi amplo o suficiente para superar a polarização política do país, escreveu o conselho editorial. O jornal também destacou que os republicanos perderam disputas em estados tradicionalmente conservadores, como Kansas, Kentucky, Iowa, Ohio, Carolina do Sul e Texas. O resultado, segundo a publicação, representa um freio crucial ao comportamento autocrático do presidente.

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Wall Street Journal

O Wall Street Journal, de orientação editorial conservadora, também atribuiu a Trump a responsabilidade central pela derrota. Em editorial editorial intitulado “Chegou o dia do acerto de contas de Trump”, afirmou que o resultado foi mais do que uma derrota habitual de um partido nas eleições de meio de mandato.

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Ele é o principal arquiteto dessa derrota, escreveu o conselho editorial, em referência ao presidente. O texto argumenta que a governança errática e autocentrada de Trump no segundo mandato afastou boa parte da coalizão que o levou à Casa Branca em 2024. O jornal também responsabilizou o presidente por derrotas em disputas para o Senado, ao apontar sua interferência nas primárias republicanas e o apoio a candidatos leais em detrimento de nomes considerados mais competitivos.

Entre os fatores citados estão a insatisfação com o custo de vida, a inflação persistente e a guerra contra o Irã, que pressionou os preços dos combustíveis.

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O editorial também chamou atenção para as consequências de longo prazo das perdas republicanas no Senado, nos governos estaduais e nas assembleias legislativas. Para o Journal, o partido precisa discutir qual será sua identidade política depois de Trump.

Washington Post

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O Washington Post, por sua vez, destacou a dimensão histórica da derrota republicana e os desafios que aguardam os democratas. Em editorial intitulado Como Trump e os democratas podem lidar com um governo dividido, o conselho editorial afirmou que o resultado representa um veredicto histórico contra o presidente Trump, em uma escala não vista desde 1974. O jornal também ressaltou que os democratas conquistaram vitórias expressivas em regiões onde não venciam havia décadas.

Apesar do resultado favorável à oposição, o editorial ponderou que a nova maioria no Congresso terá de equilibrar a fiscalização do governo com a busca por acordos. Nem Trump nem os líderes democratas estarão inclinados a fazer concessões, mas é disso que os Estados Unidos precisam, escreveu o conselho editorial.

O jornal defendeu que os democratas intensifiquem a fiscalização da administração Trump, inclusive por meio de investigações, mas evitem transformar os próximos dois anos em um confronto permanente com a Casa Branca. A oposição, segundo o Post, também precisará apresentar propostas concretas em áreas como saúde e Previdência, em vez de se limitar a reagir às decisões do presidente.

O editorial destacou ainda que o avanço democrata alcançou diferentes grupos demográficos. Em comparação com a eleição presidencial de 2024, o partido ampliou seu apoio entre eleitores hispânicos, católicos e com menos de 30 anos, apontou o jornal.

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Fonte: veja.abril.com.br

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