Alexandre Ostrowiecki admite custos e possível repasse aos preços, mas diz que melhoria na qualidade de vida justifica a mudança
Alexandre Ostrowiecki, presidente do conselho de administração da Multi, antiga Multilaser, defende o fim da escala 6×1, que prevê seis dias de trabalho e um de folga. Para o empresário, o avanço da inteligência artificial e da robótica torna inaceitável que parte dos trabalhadores continue sem dois dias de descanso por semana. Ele reconhece que a mudança tem custos, mas considera que o ganho de qualidade de vida justifica a alteração.
Existe, sim, um custo econômico na mudança, e parte dele pode chegar ao preço. Mas não acredito em demissões em massa, afirmou em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada em 26 de setembro.
Ostrowiecki argumenta que as empresas podem se adaptar à redução da jornada, como ocorreu em outros momentos da história. Sua avaliação é que o custo da mudança é pequeno diante dos obstáculos que já encarecem a produção brasileira, como burocracia, impostos sobre o consumo e juros elevados.
Quem se preocupa com a competitividade do país deveria começar cortando os privilégios do Estado, não o descanso do trabalhador, disse.
A defesa das duas folgas expressa a posição do empresário sobre o debate. Na entrevista, ele não anunciou a adoção de uma nova escala na Multi nem apresentou uma estimativa do impacto financeiro da mudança sobre a companhia.
Ostrowiecki também cobrou reformas para controlar o crescimento das despesas públicas. Para o governo que assumirá em 2027, defendeu reforma administrativa, revisão de privilégios e desvinculação de despesas, medida que permitiria alterar regras que obrigam o poder público a destinar recursos a determinados gastos.
O empresário relaciona o desequilíbrio fiscal às dificuldades enfrentadas por quem produz e consome. Na avaliação dele, sem mudanças estruturais nas contas públicas, os juros continuarão pressionando a economia.
Na Multi, que fornece eletrônicos, acessórios de informática e eletroportáteis, a preocupação aparece no risco de crédito. Ostrowiecki afirma que a companhia utiliza seguro nas vendas, controle dos valores a receber e diversificação dos canais de distribuição para reduzir a exposição à inadimplência. Também procura oferecer produtos que caibam no orçamento de consumidores endividados.
Mas não existe engenharia comercial que compense juro de agiota por muito tempo, afirmou.
Fonte: veja.abril.com.br