Pular para o conteúdo
No ar
Ao vivo agora 3CLIMAS CULTURA RÁDIO JORNAL TV
Tocando agora 3CLIMAS CULTURA ao vivo
Fale no WhatsApp

Ministra que barrou cadeira vazia de Lula em debate diz sofrer misoginia

Estela Aranha, que integra o TSE, defendeu decisão de interferir em debate presidencial que acabou cancelado pela Rede Globo

A ministra Estela Aranha, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), afirmou neste sábado (3) que tem sofrido ataques misóginos após proibir a TV Globo de exibir uma cadeira vazia no lugar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no debate presidencial de quinta-feira (1º), que posteriormente foi cancelado. Segundo ela, a discussão pública se afastou dos argumentos jurídicos e passou a atingi-la pessoalmente.

A fala ocorreu no seminário do Programa de Convidados Internacionais para as Eleições 2026, na sede do tribunal, em Brasília. A ministra não citou o caso nominalmente, mas se referiu a uma decisão tomada “essa semana”, que, segundo ela, “sequer foi contestada juridicamente”.

“Estou passando por um momento pessoal em que se dá uma decisão e a discussão não é sobre a decisão, não é sobre os argumentos jurídicos”, disse. “Há ataques misóginos, agressividade excessiva em relação à decisão, diferente de outros ministros que tomaram decisões no mesmo sentido”.

Ela afirmou que decisões de impacto devem ser debatidas em público, o que “faz parte da democracia”, mas que “o que não é aceitável são agressões”. Para a ministra, “decisões de mulheres são agredidas pessoalmente”.

Aranha disse que uma das principais críticas é a de que teria decidido sob influência de “homens poderosos”. “Obviamente eu não consulto ninguém para tomar as decisões, eu consulto a legislação”, afirmou.

A ministra disse que o mesmo ocorre com outras magistradas e citou a ministra Cármen Lúcia, do STF (Supremo Tribunal Federal), cujos votos, segundo ela, também são atribuídos nas redes sociais a ordens de terceiros.

Na quinta, Aranha proibiu a TV Globo de exibir uma cadeira vazia no espaço reservado a Lula, candidato à reeleição, que não compareceu ao debate. Em decisão liminar, a ministra afirmou que a imagem geraria efeitos que “transcendem a simples informação ao eleitorado acerca do não comparecimento” e apontou “perigo de dano” a poucos dias do primeiro turno. Foi fixada multa em caso de descumprimento. Pouco depois, a emissora cancelou o debate.

Indicada por Lula ao TSE, Aranha tomou posse em 1º de agosto de 2025, para mandato de dois anos. No governo do petista, foi secretária de Direitos Digitais do Ministério da Justiça e Segurança Pública, na gestão de Flávio Dino, e depois assessora especial da Presidência, na assessoria internacional chefiada por Celso Amorim.

Dino também questionou, na sexta-feira (2), os ataques direcionados à ministra do TSE. Em publicação nas redes sociais, ele citou decisões de Kassio Nunes Marques que determinou à Globo a participação do candidato Romeu Zema (Novo) no debate e de Gilmar Mendes que garantiu a presença de Renan Santos (Missão) e questionou o porquê de Estela ser a “mais atacada”.

“Por que a decisão judicial da única mulher (ministra Estela) é mais atacada do que a decisão dos dois homens (ministros Kassio e Gilmar)? […] a ministra Estela tratou sobre a existência ou não de uma cadeira vazia no cenário. Vale refletir”, afirmou.

Entenda

A ministra Estela Aranha, do TSE, proibiu que a TV Globo colocasse uma cadeira vazia no lugar reservado a Lula durante o debate presidencial que seria realizado na última quinta-feira. Ela também proibiu os outros candidatos presentes de fazerem perguntas a Lula, que já havia anunciado que não participaria da programação.

Pouco depois, o ministro Gilmar Mendes concedeu uma liminar determinando a participação do candidato Renan Santos no debate. Depois disso, a Globo decidiu cancelar o debate.

Segundo a emissora, a decisão ocorreu por conta de decisões judiciais que “representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm”. A emissora citou ambas as decisões no anúncio de cancelamento.

A ministra, porém, entrou no centro do debate público e começou a ser criticada por opositores de Lula. Nas redes sociais, também passou a circular vídeos em que Estela declara voto no petista nas eleições de 2022.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Compartilhar