Câmara e Senado são controlados pelos republicanos desde as eleições de 2024; oposição pode bloquear projetos de lei e avançar investigações incômodas
As chamadas midterms, eleições de meio mandato que acontecem nesta terça-feira, 3, nos Estados Unidos, renovarão todas as cadeiras da Câmara dos Deputados, um terço do Senado e um sem número de cargos estaduais e municipais no país.
Caso os indicadores das pesquisas se concretizem, o Partido Democrata pode conseguir maioria em não apenas uma, mas nas duas casas do Congresso americano controladas pelo Partido Republicano desde o pleito de 2024. Neste cenário, os dois últimos anos da presidência de Donald Trump serão bem diferentes da primeira metade.
Embora o poder executivo mantenha margem de ação importante, há uma série de medidas que os democratas podem tomar com controle do Congresso que podem dificultar a agenda do presidente americano.
Câmara
Se os democratas conseguirem obter a maioria dos deputados, os republicanos não terão a possibilidade de aprovar leis sem o apoio do outro campo. Com maior autonomia na casa legislativa, a oposição teria mais voz para iniciar investigações contra o governo Trump, exigir documentos e submeter altos funcionários da Casa Branca a um escrutínio constante do Congresso.
A expectativa é que deputados democratas que ganharem um assento na Câmara sofram pressão de sua base eleitoral para iniciar um processo de impeachment contra Trump, que seria o terceiro de sua carreira política.
Senado
O Senado vota para confirmar ou recusar membros do gabinete do presidente, embaixadores e juízes federais, incluindo os indicados do mandatário americano para a Suprema Corte. Uma maioria democrata poderia bloquear ou atrasar muitas das nomeações de Trump e forçar a Casa Branca a negociar concessões em projetos de lei.
Possíveis investigações
Segundo a imprensa americana, entre os temas mais importantes que os democratas desejam investigar estão:
- Corrupção: Robert Garcia, líder democrata no comitê de supervisão da Câmara, classificou a corrupção da família Trump como a prioridade número 1 em sua lista. Na mesma linha, o deputado Jamie Raskin já solicitou informações sobre os negócios do genro de Trump, Jared Kushner, e do filho, Donald Trump Jr.
- Jeffrey Epstein: Graças a um esforço conjunto dos deputados Ro Khanna e Thomas Massie, o Departamento de Justiça foi obrigado a divulgar milhões de arquivos relacionados ao financista condenado por crimes sexuais no ano passado. Com o controle da Câmara, os democratas poderiam avançar nas investigações sobre a conexão entre Trump e Epstein.
- Pentágono e guerras: Jason Crow, um parlmentar do Colorado que integra as comissões de serviços armados e de inteligência e copreside o grupo parlamentar da Câmara contra a corrupção, afirma que começará investigando o Pentágono para comprovar os relatos que ouviu sobre desvio de verbas militares para empresas ligadas à família Trump.
- Impeachment: o líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, afirmou que os democratas não descartaram a possibilidade de um novo processo de impeachment.
Como foi a maioria democrata em 2018
Em 2018, na metade do primeiro mandato de Trump, os democratas conquistaram a maioria na Câmara nas midterms, mas não no Senado. A partir de então, comissões de deputados rapidamente iniciaram dezenas de investigações sobre os negócios do presidente americano, possíveis conflitos de interesses e o caso de interferência da Rússia em favor do republicano nas eleições.
Depois de meses de apelos da esquerda pelo impeachment, a Câmara de maioria democrata também votou, em 2019, a favor do impeachment de Trump. Na ocasião, a oposição acusou o republicano de arquitetar um esquema para fraudar as próximas eleições presidenciais, pressionando a Ucrânia a fabricar notícias negativas sobre Joe Biden e, em seguida, obstruindo a supervisão do Congresso.
Trump foi posteriormente absolvido no Senado, controlado pelos republicanos.
Em 2021, Trump foi alvo de um segundo processo de impeachment e posteriormente absolvido pelos senadores por incitar o ataque de 6 de janeiro ao Capitólio dos Estados Unidos.
Fonte: veja.abril.com.br