Pesquisadores constataram perda de mais de meio milhão de pinguins-de-barbicha nas Ilhas Sandwich do Sul
A remota ilha vulcânica de Zavodovski, no Atlântico Sul, perdeu o título de maior colônia de pinguins do mundo, à medida que uma nova pesquisa, publicada nesta quarta-feira, 7, revela um declínio populacional massivo.
Pesquisadores do British Antarctic Survey (BAS) constataram a perda de mais de meio milhão de pinguins-de-barbicha em Zavodovski, uma das ilhotas das Ilhas Sandwich do Sul, a cerca de 2.500 quilômetros a oeste da Argentina.
O local abrigava, de longe, a maior colônia de pinguins do mundo, com cerca de 600.000 pinguins-de-barbicha e 90.000 pinguins-macaroni quando a população foi contabilizada em 2011.
Essa perda representa mais de um quarto da população de pinguins da ilha e faz com que o título de maior colônia de pinguins do mundo passe para o Cabo Adare, no Mar de Ross.
Como as Ilhas Sandwich do Sul abrigam 30% da população mundial de pinguins-de-barbicha, o declínio observado na região somado às quedas registradas em outras partes da Antártida pode levar a espécie à categoria “Em Perigo” na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas.
É um colapso populacional enorme, equivalente à perda de meio milhão de indivíduos em idade reprodutiva naquela ilha, disse ao jornal britânico The Guardian o líder da pesquisa, Norman Ratcliffe, ecólogo de pinguins do British Antarctic Survey.
Pesquisadores consideram as mudanças climáticas a explicação mais provável para o declínio. Segundo especialistas, águas mais quentes podem estar forçando a migração de crustáceos para o sul, em direção ao Mar de Weddell. Os pinguins-de-barbicha alimentam-se essencialmente de pequenos crustáceos, mas não conseguem acompanhá-lo em seu deslocamento, pois não há ilhas na região que sirvam de local para nidificação.
Paralelamente, a população de pinguins-macaroni na ilha manteve-se estável após um aumento de 28% entre 2011 e 2016. Essa espécie possui uma dieta mais variada, que inclui zooplâncton e peixes. O monitoramento por satélite também revelou que as duas espécies buscam alimento, em sua maioria, em áreas distintas; portanto, a competição entre elas não é considerada a causa do declínio.
Os cientistas também descartaram a hipótese de que a erupção vulcânica de 2016 tenha tido um impacto decisivo: a queda populacional começou antes do evento e continuou depois dele.
Fonte: veja.abril.com.br